Maria Teresa de Mascarenhas Horta Barros was a Portuguese feminist poet, journalist and activist. She is one of the authors of the book Novas Cartas Portuguesas (New Portuguese Letters), together with Maria Isabel Barreno and Maria Velho da Costa. The authors, known as the "Three Marias," were arrested, jailed and prosecuted under Portuguese censorship laws in 1972, during the last years of the Estado Novo dictatorship. The book and their trial inspired protests in Portugal and attracted international attention from European and American women's liberation groups in the years leading up to the Carnation Revolution.
É óbvio que não podemos exigir muito destes livros que vêm a acompanhar jornais e, se os aceitarmos com as limitações esperadas, é uma boa porta de entrada na obra de Maria Teresa Horta. Se por um lado, este tipo de publicações serve para dar a conhecer um autor a alguém que não queira investir em escritores desconhecidos, por outro, falta-lhe toda a contextualização. Assim, ficamos sem saber de que livros foram extraídos os contos e se os poemas pertencem a períodos diferentes. Pelo que já li da poesia de Teresa Maria Horta diria que é esse o caso. Se os primeiros poemas são de uma fisicalidade deslumbrante...
ESPINHOS Absurdamente Os espinhos da tua boca transformam-se em rosas
...nos meus ombros.
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A TUA VOZ A tapeçaria da tua voz Feita com animais de asas
com casas
Com aves bordadas
...os últimos são marcadamente eróticos e a eles regressa uma das imagens de marca da autora, o anjo.
CHEIRO O cheiro O sabor da tua boca
A baunilha a camélia desfolhada
A saliva a saber a leite morno
Escutando o rumor das tuas asas.
Prefiro Maria Teresa Horta na prosa, e os contos aqui agregados são na sua maioria excepcionais, com surpreendentes incursões no realismo mágico em “Lídia e na distopia em “Com a mão firme e doce”, além de um excerto de “As Luzes de Leonor”, que me acicatou ainda mais a vontade de me aventurar nesse portentoso livro. O ponto alto desta pequena amostra são dois contos sobre abandono na infância, “Eclipse” e “Azul-da-China”, em que duas meninas se confrontam com a dura realidade com reacções violentas, quer vindas delas próprias...
“Outra vez não! Outra vez não!”, diz num soluço enrouquecido pelas águas enregeladas da cisterna do vacilo, som que mais parece de raiva do que de lágrimas. E tenta fugir de novo, num arremesso de ombros para a frente, o arranco do vómito a arrancar-lhe a garganta apertada pelo grito atravessado, que finalmente solta: “a minha mãe não quer!, a minha mãe não quer!”
...quer provocadas pelos elementos.
“Mais valia que ela tivesse morrido!”, pensou, quando ela entrou no carro e partiu, sem sequer acenar a despedir-se. “Mais valia que ela tivesse morrido!”, teimou com afinco, sabendo quanto esse desejo lhe era interdito, mas não se arrependendo dele. E foi nesse momento que Laura escutou pela primeira vez o rugido do temporal que irrompeu implacável.”
Em geral gostei do livro, não me marcou mas os poemas deixaram vontade de regressar. Nunca tinha lido Maria Teresa Horta, mas sinto que a sua escrita altamente expressiva, poética, áspera e despida de tabus me deixou curiosa.
Primeiramente, achei que não ficou muito explícita a ligação entre as duas partes do livro: prosa e poesia, mas devo dizer que adorei a estrutura. Para além de marcar pela diferença concede alguma flexibilidade ao livro, permitindo alternar entre as duas partes facilmente.
Quanto à antologia de contos, infelizmente senti que mais uma vez faltou um "fio conector" entre as várias histórias. Houve contos de que gostei e outros que nada me disseram.
A metade repleta de poemas surpreendeu-me bastante. Por vezes o erotismo cansou-me, como em A Pétala: "Nada tão suculento quanto a tua saliva
A maresia salgada do teu pénis
O suor aberto da tua nuca incerta
A pétala"
Contrariamente, quando não se enche de excessos, a simplicidade de descrição dos sentimentos de desejo e ânsia de estar com o outro descrevem tão bem a paixão de dois amantes que nos deixam a planar nostálgicos, como em Os Silêncios:
"Não entendo os silêncios que tu fazes nem aquilo que espreitas só comigo
Se escondes a imagem e a palavra e adivinhas aquilo que não digo
Se te calas eu oiço e eu invento Se tu foges, eu sei, não te persigo
Estendo-te as mãos dou-te a minha alma e continuo a querer ficar contigo"
Nunca tinha lido na da autora e tinha a sensação que se trataria de uma espécie de Inês Pedrosa, Marta Gautier, mas não. É menos romântica no sentido meloso do termo. Este é um livro que não me marca em aspeto nenhum,que terminei apenas para contar como lido e pesar menos na minha consciência... Surpreende pelo erotismo que a autor conseguiu colocar em algumas histórias. Nota-se que Maria Teresa Horta é de uma determinada geração (faz lembrar Alice Vieira, Rita Ferro), porque as suas histórias são de um determinado tempo (quando era habitual ter criadas,por exemplo). Nota-se também que é uma feminista convicta... e ainda bem!
Já me tinha cruzado com alguma poesia desta autora e reparado na sensualidade da escrita, um certo erotismo bastante explícito e elegante, o que parece uma estranha combinação, mas que funciona. Não conhecia a prosa, embora já tenha reparado no calhamaço que escreveu As luzes de Leonor, mas nunca me atrevi a espreitá-lo. Os contos são estranhos, o primeiro parecia a poesia em prosa, mas os outros... muita obsessão e psicopatia, gostei mais dos versos. Sou capaz de espreitar o calhamaço da antologia de poesia em que também reparei, o mesmo (ainda) não direi do livro sobre Leonor....
2,5 Ao contrário dos outros livros prosa/poesia já lidos, decidi neste começar pela prosa, onde nos deparamos com 8 contos diferentes, independentes dos seus anteriores e posteriores. Ao fim do segundo conto passei para a poesia, finalizei-a e só depois acabei a prosa. Se há coisa que me espantou foi o erotismo que a autora colocou nas suas histórias e versos. Como resumo e de acordo com uma review que li no Goodreads: "Uma abordagem ao universo feminino e o seu modo de encarar amor, paixão, sensualidade e sexo.", pelo que somos presenciados com um feminismo firme! A poesia não me disse muito, na sua maioria. Está dividida em 4 partes, das quais sobressaiu a primeira, pela sua consistência, metáforas e conteúdo dos poemas. A prosa destacou-se um pouco mais. É-nos apresentada com um rigor e detalhe característicos de uma escrita pensada e cuidada. Passa-se maioritariamente em tempos passados, quando a liberdade de expressão feminina era escassa, fazendo-se até referência à época em que era habitual ter criadas. Não tenho normalmente contacto com este tipo de narrativas, uma das razões pelas quais acho não me ter afeiçoado muito mas, principalmente no que toca à prosa, penso voltar à autora.
((se gostavas de ver mais reviews assim, eu e as minhas amigas temos uma conta conjunta de livros no instagram, passa por lá! @insideourbookshelves))
Foi a primeira vez que li Maria Teresa Horta e até que me dediquei ao género poesia. E, apesar de não ser uma primeira escolha de leituras, quanto ao género literário, gostei muito. Percebe-se a força por detrás das palavras, a vontade de agitar mentalidades e empoderar a escrita no feminino. É claro que me identifiquei com alguns contos mais do que outros, enquanto leitora, assim como os poemas.
Fico sempre surpreendida quando leio seja-o-que-for explícito. Não por ser puritana, nem algo parecido, só mesmo porque me esqueço que, apesar de incomum, pode-se escrever "palavrões" nos livros. Gostei bastante da prosa, pensei que seria uma história continua, mas são pequenas histórias. Da poesia gostei mais de umas que de outras, mas isto é somente por mania minha, parva, com o esquema de rima. Em suma é um bom livro.
Em "Antologia de Contos / Só de Amor", Maria Teresa Horta explora o amor e a experiência feminina com uma escrita intensa e expressiva. A obra envolve pela força emocional e sensualidade das histórias, embora nem todos os contos se conectem de forma harmoniosa. Pessoalmente, gostei mais da parte em poesia.