ainda que esse tenha sido o primeiro contato com a obra de beatriz nascimento – muito tardio, admito – o impacto de seu trabalho fica muito evidente muito rápido para qualquer um que tenha tratado a produção de pensamento do brasil de maneira consequente. para mim, que tenho estudado mais por discos que por livros de história, é fácil identificar os ecos do trabalho acadêmico e militante de beatriz nas expressões culturais negras do país.
o prefácio de alex ratts é uma entrada ótima. de maneira inteligente e didática, conhecemos a amplitude e variedade – ainda resguardando a agudez e criticidade – da sua obra, que é parcialmente apresentada nessa edição da ubu. é de saudar, sobretudo, o mapeamento feito ao final do prefácio, que explica sucintamente toda organização do volume e a importância de cada um dos elementos elencados.
os posfácios de muniz sodré e bethania nascimento – orientador e filha de beatriz, respectivamente – também elucidam a importância da autora, mas também cavam a dor de um país que perdeu uma intelectual sofisticada e uma militante potente por motivos tão injustos.
sobre os elementos reunidos da própria beatriz, não dá para falar muito. a força que ela expressa na fala de suas entrevistas e na escrita de seus textos e críticas precisa ser encarada por si só. a firmeza de sua posição fica evidente – e, por isso, tão historicamente marcante – na crítica ao filme sobre xica da silva. a sofisticação teórica de compreender as diferentes manifestações do quilombo ao longo da história do brasil também é uma experiência pela qual recomendo cada um passar por si só e compartilhar.