Ideologia é um mascaramento da realidade social que permite a legitimação da exploração e da dominação. Por intermédio dela, tomamos o falso por verdadeiro, o injusto por justo. Como ocorre essa ilusão, essa fabricação de uma história imaginária? Qual sua origem? Quais seus mecanismos, seus fins e efeitos sociais, econômicos e políticos?
Formou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), da qual é professora aposentada e onde coordena o Grupo de Pesquisa de Estudos Espinosanos. Dedicou seus estudos à História da Filosofia Moderna e à Filosofia Política, produzindo importantes obras sobre as filosofias de Espinosa e de Merleau-Ponty e sobre as questões da democracia e da crítica da ideologia. Ministrou cursos nas universidades de Paris, Pisa, Bolonha, Córdoba (Argentina), Stanford e Columbia. Foi Secretária Municipal de Cultura de São Paulo (1989-1992) e membro do Conselho Nacional de Educação (2002-2006). Recebeu o prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) pelo livro Cultura e democracia; o prêmio Jabuti por Convite à Filosofia (que já vendeu mais de 60 mil exemplares) e por A nervura do real. Imanência e liberdade em Espinosa, obra pela qual também recebeu o prêmio Sérgio Buarque de Holanda (Biblioteca Nacional). Um de seus livros mais influentes é O que é ideologia? (Brasiliense), que já vendeu mais de 100 mil exemplares.
"um trabalho filosófico que procura dar conta do fenômeno da alienação. Em geral, considera-se que o exterior (as coisas naturais, os produtos do trabalho, a sociedade, etc.) é algo positivo em si e que se distingue do interior (a consciência, o sujeito). Hegel mostra que o exterior e o interior são as duas faces do Espírito, são dois momentos da vida e do trabalho do Espírito. Essas duas faces aparecem como separadas, mas essa separação foi produzida pelo próprio Espírito, ao se exteriorizar nas obras e ao se interiorizar compreendendo sua produção. Ora, quando a interiorização não ocorre, isto é, quando o Sujeito não se reconhece como produtor das obras e como sujeito da história, mas toma as obras e a história como forças estranhas, exteriores, alheias a ele e que o dominam e perseguem, temos o que Hegel designa como alienação. Esta é a impossibilidade do sujeito histórico identificar-se com sua obra, tomando-a como um poder separado dele, ameaçador e estranho." ... "Enfim, da concepção hegeliana Marx também conserva o conceito de alienação, tendo como referência às análises de Feuerbach sobre a alienação religiosa. Para Feuerbach, a religião é a forma suprema da alienação humana, na medida em que ela é a projeção da essência humana num Ser superior, estranho e separado dos homens, um poder que os domina e governa porque não reconhecem que foi criado por eles próprios. Todavia, Marx imprimirá grandes modificações nesse conceito. Contra Hegel, dirá que a alienação não é do Espírito, mas dos homens reais em condições reais. Contra Feuerbach dirá, em primeiro lugar, que não há uma “essência humana”, pois o homem é um ser histórico que se faz diferentemente em condições históricas diferentes; e, em segundo lugar, que a alienação religiosa não é a forma fundamental da alienação, mas apenas um efeito de uma outra alienação real, que é a alienação do trabalho. O trabalho alienado é aquele no qual o produtor não pode reconhecer-se no produto de seu trabalho; porque as condições desse trabalho, suas finalidades reais e seu valor não dependem do próprio trabalhador, mas do proprietário das condições do trabalho. Como se não bastasse, o fato de que o produtor não se reconheça no seu próprio produto, não o veja como resultado de seu trabalho, faz com que o produto surja como um poder separado do produtor e como um poder que o domina e ameaça. A elaboração propriamente materialista da alienação no modo de produção capitalista é feita por Marx em O Capital. Trata-se do fetichismo da mercadoria. Que é a mercadoria? Trabalho humano concentrado e não pago. Por depender da forma da propriedade privada capitalista, que separa o trabalhador dos meios, instrumentos e condições da produção, a mercadoria é uma realidade social. No entanto, o trabalhador e os demais membros da sociedade capitalista não percebem que a mercadoria, por ser produto do trabalho, exprime relações sociais determinadas. Percebem a mercadoria como uma coisa dotada de valor de uso (utilidade) e de valor de troca (preço). Ela é percebida e consumida como uma simples coisa. Assim, em lugar da mercadoria aparecer como resultado de relações sociais enquanto relações de produção, ela aparece como um bem que se compra e se consome. Aparece como valendo por si mesma e em si mesma, como se fosse um dom natural das próprias coisas. Basta entrarmos num supermercado nos sábados à tarde para vermos o espetáculo de pessoas tirando de prateleiras mercadorias como se estivessem apanhando frutas numa árvore, para entendermos como a mercadoria desapareceu enquanto trabalho concentrado e não pago."
Omitir para Explicar Ideologia, diz Marilena Chauí, “...é um conjunto lógico, sistemático e coerente de representações (ideias e valores) e de normas ou regras (de conduta) que indicam e prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem valorizar e como devem valorizar, o que devem sentir e como devem sentir, o que devem fazer e como devem fazer”. O livro contém uma exposição clara e compreensiva do conceito de ideologia, seu significado e características. Para tanto, Marilena Chauí recorre ao pensamento de diversos autores, especialmente Karl Marx. O texto é pontuado com exemplos práticos e com referências a situações próprias de sociedades capitalistas. Conclui que a ideologia cumpre a função “... de apagar as diferenças como de classes e fornecer aos membros da sociedade o sentimento de identidade social, encontrando certos referenciais identificadores de todos e para todos, como, por exemplo, a Humanidade, a Liberdade, a Igualdade, a Nação, ou o Estado”. Leitura agradável e instrutiva!
Acho que foi a minha primeira leitura da Marilena Chauí no curso de Ciências Sociais e que ajudou a entender um pouco, não tudo, mas aprofundar mais conceitos de filosofia
Livro básico para primeiranistas de História e muitos outros cursos acadêmicos. A Coleção Primeiro Passos surgiu com a ideia de fornecer uma ideia condensada de temas distribuídos em pequenos tomos, mas a maioria dos acadêmicos abraçou a oportunidade de fornecer definições básicas, embora não necessariamente simplistas, da maioria dos tópicos perfazendo as grades de teoria.
Neste em particular, Chauí apresenta as várias vertentes da discussão sobre o que é Ideologia, como ela funciona, a forma que os governos (ou grupos dirigente) a utilizam, assim como as formas de resistência e mesmo de re-utilização. Há ênfase especial, obviamente, sobre o marxismo e a mass media.
Não é, contudo, voltado para leigos. Hoje, com a disponibilidade da internet, pode ser mais fácil pesquisar algumas referências e se aprofundar em partes mais problemáticas.
A obra cumpre o tema proposto de uma boa maneira e explora bem os conceitos que se propôs a explorar não sendo um livro de grande complexidade tal qual não havendo grande valia porém o mesmo consegue ser bom apesar de confuso em certos momentos mas nada demais uma obra legal para se ler em 2 dias mas sem nada demais nota:7/10
a marilena chaui construiu uma atmosfera simples mas que não deixou que escapasse o essencial para compreender oque é a ideologia. Gostei muito da forma como ela trabalhou características materialista, e como alguns pontos vistos como simplórios pode ter um embargo e uma complexidade por trás.
Perfeito?! Sucinto e didático. Acho incrível que na medida que você vai lendo a escrita da Marilena não é penosa, diferente de outros autores acadêmicos.
It starts with the etimology and history of the term "ideology", explains its apropriations and uses in other contexts, and then also became ideology, by concluding that all social sistems have ideology, witch is nothing but the forth stage of THE Ideology, consisting in denying the subversive aspect of itself, even as disclosed as a mere fassade for class domain, by furthering stating itself being "natural" and "universal", instead of just a very particular form of subversive psycological/sociological manipulation criated and nurtured by western illustrated bourgeoisie to substitute traditional western european communal/christian/feudal culture, so to justifie its rebelion over kings and churches, secure its class domain over west Europe, and then the World. Historicaly speaking...
Uma ótima introdução para o estudo de Ideologia. O livro se constrói quase como uma conversa entre o leitor e a autora, sem uma linguagem complexa e com um tom de ''linguagem culta urbana'', referências são explicadas logo após serem feitas e tudo mais. Dessa maneira, "O Que é Ideologia", ao contrário de outros artigos e livros acerca desse tema, se manifesta com um tom leve e amigável. Em termos de conteúdo, Marilena Chauí, professora da USP e filósofa, explica as frequentes mudanças do termo Ideologia por intermédio de explicações de Aristóteles, Hegel, Marx, e contemporâneos. O livro é bem didático, explicativo e repleto de excelentes contextualizações históricas, econômicas e sociais.
meu favorito de psicologia do ano, usei muito em trabalhos dos dois semestres e nas provas. é escrito de uma forma muito compreensível e didática, a leitura é fundamental para todos que vivem em sociedade.
Livro muito interessante para entender melhor o conceito de ideologia, embora a autora siga uma linha claramente marxista e existam outros autores que possuem pontos de vista já menos influenciados pelo pensamento marxista.
O livro trás uma cópia de "A Ideologia Alemã" de Marx e Engels. Se Marilena se propôs a trazer uma visão geral da ideologia não conseguiu, se tentou mostrar a ideologia na versão marxista sugiro que leiam os próprios criadores do marxismo falarem sobre isso.
Excelente livro para começar a entender ideologia. O único ponto negativa é a unilateralidade clara da autora: as ideias marxistas. Entretanto, isso não compromete a qualidade do livro.