Por duas décadas Flordelis Santos de Souza foi considerada símbolo de amor, afeto e generosidade. Supermãe, adotou mais 50 de crianças e pariu outras três. Pastora de multidões e cantora gospel de sucesso, fundou seu próprio ministério, gravou 11 discos e vendeu mais de 10 milhões de cópias. Em 2018, foi eleita a deputada federal mais votada do Rio de Janeiro. No entanto, por trás dessa biografia de sucesso escondia-se uma mulher diabólica. Fria, dissimulada, odiosa e manipuladora, Flordelis praticava rituais satânicos e transava com os próprios filhos. De dia, ela subia ao púlpito da igreja para pregar. De noite, seguia com o marido e a filha mais velha para casas de swing, onde praticavam sexo grupal com pessoas desconhecidas. Sua carreira de escândalos alcançou o apogeu em 2019, quando orquestrou com a prole criminosa o assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, morto com seis tiros dentro de casa. Segundo o Ministério Público, ela mandou matá-lo por motivos financeiros. Presa pelo assassinato, Flordelis roga a Deus inocência, mas todas as provas das investigações policiais convergem contra ela. Por dois anos, o jornalista Ullisses Campbell mergulhou no passado sombrio de Flordelis e descobriu uma repetição de padrões familiares. A mãe e um tio também realizavam rituais satânicos. Esta obra vai mostrar com detalhes a infância e a adolescência de Flordelis e passagens pitorescas: como ela se relacionava com os namorados da filha e passou a roubar crianças na rua. Criminosa e dona de uma lábia poderosa, a máscara de Flordelis demorou a cair porque engabelou apresentadores de TV, empresários de renome, juízes e até um desembargador. O livro mostra ainda outras histórias de líderes religiosos – inclusive padres católicos - que, em nome de Deus, cometeram crimes tão chocantes que até o diabo duvida.
Da trilogia de mulheres assassinas, talvez esse seja o único arrastado e menos interessante. A "personagem" se faz de sonsa, submissa, e repete os padrões de abuso diversas vezes, chega a ser previsível seus próximos passos, e mesmo o Ulisses sendo um excelente jornalista, ele não consegue esconder o quão rasa a flordelis é. O livro é chocante, com passagens que dão nojo, porém é mais um exemplo de abuso e psicopatia no meio religioso. Uma boa leitura pra quem quer entender melhor de onde vem esse crime e essa criminosa.
Tantas informações absurdas que eu sinto que teria que ler umas cinco vezes para conseguir reter a história de Flordelis. A escrita de Campbell consegue tornar a enorme quantidade de personagens e acontecimentos uma narrativa fluida e inteligível.
O livro precisava ter sido melhor editado. Enquanto se gastou muito tempo na introdução de personagens desnecessários do começo, o final foi corrido demais. O autor é ótimo e tem um ótimo storytelling, daria um ótimo fanfiqueiro de causos pornôs no whatpad. A personagem flordelis é o arquétipo do crente: completamente incoerente. Me tirou boas risadas com esse tesao de três ninfomaniacas do Lars von Trier.
Dei 3 e 1/2. Primeiro gostaria de dizer que essa mulher é uma grande [censurado], mas é o retrato do brasil né: mistura política, religião, família, tráfico de drogas, por ai vai. Merece apodrecer na cadeia. Esse é o menos legal dos 3, mas ainda assim interessante.
O livro sobre Flor de Lis é uma narrativa impactante que examina a vida e o legado de uma figura controversa, cuja trajetória é marcada por abusos, manipulações e crimes. A história mergulha no passado de sua mãe, Dona Carmosina, uma mulher que sofreu em um casamento violento e, apesar das adversidades, buscou construir uma vida melhor para a filha. Carmosina se apresenta como uma curandeira, buscando uma identidade e um propósito em meio à opressão. A tragédia de sua vida é acentuada pelas perdas que experimenta, incluindo a morte de um filho e seu marido em um trágico acidente, elementos que moldam a psique e a percepção de Flor. Flor de Lis, desde sua juventude, demonstra uma capacidade perturbadora de manipular e influenciar as pessoas ao seu redor. A ambição de se tornar pastora em um contexto em que mulheres eram frequentemente excluídas das funções de liderança religiosa revela tanto a força de sua determinação quanto uma busca por validação. À medida que constrói sua própria igreja em Jacarezinho, começa a acolher crianças, apresentando-se como uma figura materna salvadora. No entanto, a aparente benevolência esconde intenções sombrias onde o desejo por poder e controle se sobrepõe ao cuidado genuíno. A narrativa expõe as complexidades das dinâmicas familiares, especialmente as relações de Flor com suas filhas e outros membros de sua "família". O relacionamento incestuoso com seu ex-genro Anderson, que se transformou em amante, expõe uma teia de traições e manipulações que desmoronam a moralidade do núcleo familiar. As traições são não apenas pessoais, mas refletem a deterioração dos laços familiares, onde o amor e a lealdade são eclipsados por ambições egoístas. As crianças que Flor acolhe não são apenas vítimas que ela resgata do tráfico, mas muitas delas têm passados obscuros, incluindo relações com o crime, enfatizando a hipocrisia de sua suposta missão. A casa que abriga essa "família" é um microcosmo de ostentação e caos, onde as regras são inexistentes e as preferências são claras. Ao mesmo tempo em que acumula fortuna, Flor perpetua um ambiente disfuncional, revelando a futilidade de seus esforços em criar uma verdadeira comunidade. O clímax da história ocorre com o o homicídio de Anderson, que expõe a profundidade da traição e a complexidade das relações que envolvem Flor e seus próximos. Este crime não é apenas um ato de violência, mas um símbolo do colapso moral que permeia sua vida e a de sua família. Envolve-se em um emaranhado de conspirações que culminam em um escândalo midiático que expõe a verdadeira natureza de Flor de Lis para o mundo. A recepção pública ao caso traz à tona questões sobre a natureza da fama e a capacidade de uma figura manipuladora se manter relevante mesmo diante de acusações de homicídio e atividades criminosas. O apoio contínuo que Flor recebe de seus seguidores, apesar das evidências contra ela, reflete uma dinâmica de culto que se forma em torno de sua imagem, desafiando a lógica e a moralidade. O livro acompanha não apenas a história de Flor de Lis, mas também levantam discussões cruciais sobre a vulnerabilidade das crianças, os abusos de poder em contextos religiosos, a natureza da fama e a responsabilidade coletiva em enfrentar figuras que perpetuam o crime e a manipulação. Em última análise, a narrativa é um chamado à conscientização sobre as complexidades dos relacionamentos humanos e a necessidade de proteger os mais vulneráveis em uma sociedade onde o poder muitas vezes é mal utilizado.
Continuando seu trabalho maravilhoso, essa é mais uma obra 5 estrelas do meu querido autor Ullisses. Ter escrito esse livro deve ter sido um desafio, já que é muito diferente dos anteriores. São MUITAS pessoas envolvidas (ter investigado tudo deve ter dado uma dor de cabeça…), muitos anos de crimes cometidos pela Flor que não podem ser resumidos apenas no assassinato do próprio marido.
Tiveram alguns momentos em que eu tinha que parar e lembrar quem era quem, porque se tratavam de muitos filhos (alguns depois até recebem novos nomes). Tive a mesma dificuldade no capítulo dos padres que adotavam nomes femininos. Essa seria minha única crítica ao livro.
Gostei muito de como o Ullisses escreveu sobre o Rio de Janeiro. A realidade das favelas, eventos marcantes como a Chacina da Candelária, as milícias, os políticos da época, o poder das facções, tantos traficantes famosos que os suburbanos tiveram contato. Como carioca, morei a vida toda em Rocha Miranda, zona norte do Rio. Ter lido as passagens da Flor e sua seita pelos bairros em que eu transitei a vida toda, os crimes que os “filhos” dela cometiam etc… eu consegui visualizar tudo isso. Foi um livro até que pessoal, com vários “personagens” e “cenários” já conhecidos. Rio de Janeiro é a cidade perfeita pra um estudo antropológico.
Achei as histórias paralelas do livro bem pesadas por se tratarem de crianças. Esse é um livro que fala sobre ABUSO, especialmente mascarados por um discurso religioso. São tantos abusos que, ao final do livro, a morte de Anderson pareceu um crime pequeno. Se esse homem não tivesse sido assassinado, me pergunto se Flor de Lis seria punida de alguma forma por tanta podridão. Ela é podre.
Sempre ouvi dizer que Ullisses é sensacionalista. No livro de Elize Matsunaga, deixei passar devido a seu passado na prostituição, considerando que todas as descrições dos relacionamentos sexuais dos indivíduos era pertinente. Aqui, cheguei a conclusão que ele sente prazer em chocar. Chega a um ponto que você se perde na quantidade de personagens e em todos os seus relacionamentos: Aparentemente todos os irmãos já se relacionaram em algum momento.
O livro também é uma bagunça. Você se perde na linha do tempo, toda hora o escritor deixando partes no ar como se estivesse escrevendo um capítulo de novela, desejando que os telespectadores terminem o episódio ansiosos para o próximo. Chega a um ponto que ele termina um capítulo com a Flordelis em uma situação perigosa, e então passa meia dúzia de páginas contando um escândalo de pedofilia da Igreja Católica. O que isso tem a ver com a história? Nada. Ele só decidiu que como o livro queima a imagem das igrejas protestantes, ele precisava “equilibrar” falando mal da católica também. Outras religiões, claro, não recebem a mesma gentileza.
Enquanto lia, percebi que o fim se aproximava e nada do crime. O crime e julgamento são rapidamente descrito nas últimas páginas do livro, quase como se mencionado por obrigação. Suspeito que o autor use crimes como pretexto para fofocar sobre a vida de figuras polêmicas, mas quem sabe?
Você lê uma séries de notícias de jornal, falando de um crime cometido num âmbito familiar, e pensa que são intrigas típicas de famílias desestruturadas. Todos nós conhecemos uma família cheia de problemas, e então percebemos que todas as famílias têm problemas. Mas a família de Flordelis tem de ser uma das mais absurdamente problemáticas que há.
O que não há: afeto, amor, paz, harmonia. Ullisses Campbell conta uma história de ambição sem limites regadas literalmente a pactos com o Diabo, orgias, estupros, fraudes, mentiras.
Como em todos os livros do autor, fica o sentimento: isto não pode ser verdade. E é.
O que dizer? Nem nos piores pesadelos poderia imaginar que algo assim tão horrível possa acontecer a tantas pessoas! O que Flordelis fez é crime não tem desculpa mas a vida dela, da mãe dela das filha Simone é tanta violência que estas três mulheres passaram que não dá nem pra acreditar que sobreviveram…. Sobreviveram mas sem ter uma vida “normal” uma visão de vida “normal”! O que falar das igrejas e da religião? A melhor coisa é ficar bem longe!
Uma leitura que nunca mais vou esquecer! Muito bem escrito Ullisses é o melhor de todos mas que história macabra.
Flordelis: A Pastora do Diabo é um mergulho nas trevas por trás da fachada de "mãe do Brasil". Ulisses Campbell desmonta a imagem de caridade da ex-deputada, revelando uma teia de manipulação, rituais macabros e "adoções" que mais pareciam sequestros para fins de poder.
O livro expõe a crueldade da distinção entre filhos "de primeira" e "de segunda" classe. O autor ainda amplia o contexto, citando casos de abusos noutras instituições religiosas, o que aumenta a nossa indignação. É uma leitura revoltante, mas necessária para quem gosta de True Crime.
Ullisses Campbell tem se mostrado cada vez mais como um excelente escritor. Apesar de desnudar todos os podres do meio evangélico, ele ainda sim trata a religião de forma respeitosa. Tem muitas histórias paralelas, o que a meu ver, enriquecem a narrativa. Para quem gosta de true crime e histórias da vida real, super recomendo.
Eu comecei a ler esse livro, por curiosidade sobre a ex pastora. É tanta coisa surreal que, você se faz a mesma pergunta por várias vezes; - mano! Isso aconteceu? Não é possível!
Eu gostei! Achei que estava numa grande fofoca na calçada dos vizinhos, sabe? Quem quiser ler algo fantasioso porém real, vale a leitura!
"O martelo da Justiça é ateu". Chega a parecer pura ficção. Como alguém pode chegar tão longe deixando rastros tão sujos durante o trajeto sem que ninguem questione? Flordelis é prova de que religião/religiosidade pode ser, na grande maioria das vezes, uma cortina de fumaça para mascarar a própria imundície.
Ullisses Campbell nunca decepciona ao fazer um livro. Na minha opinião, ele sempre consegue entregar tudo e um pouco mais.
Descobri diversas coisas que eu não sabia sobre a Flordelis, incluindo sua infância, adolescência e afins. É uma leitura pesada e nada gentil, mas foi interessante — dentro do possível, é claro.
Avaliar biografia geralmente é difícil, e eu evito julgar a história, afinal, é a vida de outra pessoa (apesar desse livro ter muitos elementos fantasiosos por causa da natureza mentirosa da protagonista). Por isso, minha nota é baseada no desenvolvimento da história e as expectativas que tinha (comparei com a nota que dei para os livros da Suzanne e Elise, escritos pelo mesmo autor)
é tao triste ver a quantidade de coisas absurdas que acontecem, e pensar que tudo isso ocorre hoje em dia mas ngm fala sobre, acho muito normal julgar ela, também faço isso, mas dentro da realidade que essa mulher cresceu seria impossível ela se tornar uma pessoal normal
Um belíssimo trabalho biográfico. Impressionante como o autor consegue descrever fatos ocorridos desde a infância dela. A história relatada tem momentos perturbadores.
Se a história da Flordelis, contada nesse livro, fosse ficção, com certeza seria descartada na hora porque ninguém iria acreditar! Mas, como sempre acontece, a vida real supera qualquer ficção! Em uma mistura inusitada de sexo, religião, política, poder e hipocrisia, Flordelis e seu filho adotivo/marido Anderson construíram uma imagem de liderança religiosa e de políticos conservadores que os levaram ao topo. Mas como nada permanece encoberto por muito tempo, os mesmos caminhos que construíram sua ascensão, foram os que levaram a queda. Quando Flordelis e a verdadeira facção criminosa que chamava de família resolveram que Anderson era descartável. Uma história em que mandante e vítima são igualmente vilões.
Flordelis ou Mãe Flor, tinha a receita perfeita para o sucesso, e pra obte-lo fez o impensável.
Ullisses vai transportar a gente para o começo de tudo, para a origem desse mulher, uma coisa que a gente não pode negar é que a vida dela nunca foi fácil, desde pequena ela sofreu com abusos e muita violência, mas ao invés de lutar contra isso, e evitar que outras pessoas passassem pelo que ela passou, ela perpetuou isso pelo resto da sua liberdade.
Desde muito jovem, ela já usava a sedução e o sexo para conseguir o que queria, e vivendo em um lugar onde o crime mandava, isso salvou a vida dela diversas vezes.
Mas o seu sonho era ser ordenada Pastora, ela queria ter o seu rebanho de ovelhas, e começou então a sua grande família,achando que isso fosse ser o suficiente para chegar onde queria.
Mas não isso não aconteceu, e ela começou a gostar não só da atenção que recebia pelos seus supostos resgates, mas também do poder que exercia sobre essas crianças e adolescentes, então ela simplesmente abusava dessas crianças, sem limites, e ainda incentivava relações entre todos dentro daquela casa, sem se importar com a idade dessas crianças.
Fez isso com quase todos os meninos que passaram pela sua casa, e muito não foram abusados só por ela, foram abusados pelo Anderson também, não havia nenhum pudor nem temor dentro daquela casa, os dois acreditavam que ficariam impunes pelo resto da vida.
Não quero dar uma de puritana aqui, mas o Anderson o mesmo que ela mandou matar, antes de ser seu marido foi namorado de Simone sua filha mais velha, e não feliz em roubar o namorado da filha, ela ainda permitiu que o Anderson continuasse a ter relações com ela sempre que quisesse, e ela manteve relações por um certo tempo com a André o então namorado de Simone e pai dos seus filhos.
O absurdo não tem fim dentro dessa história, que poderia muito bem ser o enredo de um filme bizarro, mas tudo isso realmente aconteceu, e acabou com o assassinato do Anderson, a prisão de todos os envolvidos , e com a máscara da Mãe Flor caindo.
Hoje ela segue presa e acredita que vai sair a qualquer momento em liberdade, e já se prepara para o seu terceiro casamento.
Não tem como você ler esse livro e não sentir nojo do que está lendo, do que todos eles faziam, e principalmente do que ela fazia.
A gente sabe que ninguém é santo, mas aqui até Lúcifer iria ficar assustado.