Um homem leva um travesti para casa depois de uma noitada. Um menino quer ser poeta, mas o sonho do pai é que ele se torne jogador de futebol. Uma balconista apaixonada por um cliente e que faz tudo para conseguir um final feliz. Um dos expoentes da nova geração de escritores brasileiros, Marcelino Freire cria em "Rasif: mar que arrebenta" contos para ler em voz alta. Neles, fala dos excluídos com graça, dos desvalidos deixando um riso irônico como recordação. Neste "Rasif: mar que arrebenta", Marcelino constrói histórias que lidam com finais dos tempos particulares, como o apocalipse dos dias atuais, a guerra cotidiana. São narrativas de amor cruel e de ódio apaixonado. Aqui, ele retoma sua prosa lírica, oral, onírica, por vezes satírica e sarcástica. Como diz Santiago Nazarian na apresentação do livro, sua paixão por sons e palavras é o que torna sua prosa tão próxima da poesia, do teatro (e que a faz tão difícil de ser traduzida para outras línguas, diriam os preguiçosos). Ao todo, são dezessete contos, que envolvem o leitor em deliciosos e fantásticos relatos. Forte e contemporâneo, "Rasif: mar que arrebenta" prova o vigor da nova literatura brasileira. Marcelino usa contos curtos e secos, construídos com ironia cortante e humor cáustico, para lançar um olhar objetivo sobre a condição humana, em tudo o que esta tem de oculto e ambíguo. São textos enxutos que ganham vida nos traços do ilustrador Manu Maltez. O artista consegue o impossível e desenha os contos de Marcelino. O resultado emociona pela beleza das imagens e pela poesia e impacto das palavras do autor.
Marcelino Freire nasceu em Sertânia, PE, em 1967. Viveu no Recife. Desde 1991 reside em São Paulo. É autor, entre outros, de Angu de Sangue (Ateliê Editorial), Amar É Crime (Edith), Rasif e Contos Negreiros (Record) - este último, vencedor do Prêmio Jabuti 2006, foi também publicado na Argentina em tradução feita por Lucía Tennina. É o criador e curador da Balada Literária, evento que acontece anualmente, desde 2006, no bairro paulistano da Vila Madalena. Nossos Ossos é seu primeiro romance.
“Neste dia dois de fevereiro. Peço perdão. Minha Rainha. Se a minha esperança é um grão de sal. Espuma de sabão. Nenhuma terra à vista. Neste oceano de medo. Nada. Minha Rainha.”