»»» A compra:
Numa arrumação de casa durante a pandemia deparei-me com o esquecido 1.º volume, comprado há mais de 10 anos e ainda por ler. Comprei pela capa, linda, mas a menção de assassino levou-me sempre a preteri-lo nas escolhas de leituras. Pois, li o livro de uma assentada e fui imediatamente comprar os 2 volumes seguintes.
»»» A aventura:
Fitz Cavalaria regressa a Torre do Cervo depois de ter sido envenenado a mando do tio, Majestoso, no Reino da Montanha, onde quase encontrou a morte, mas terá que escudar as fraquezas que ainda o afetam para apoiar o rei Sagaz, misteriosamente enfraquecido, e o outro tio, Veracidade, cada vez mais consumido e ausente pelo uso do Talento na incessante proteção do reino contra os ataques dilacerantes dos Selvagens.
A ligação especial que Fitz cria com um pequeno lobo através da Manha, uma ancestral e mal vista forma especial do Talento, punida severamente, apenas trará mais preocupações.
Entre a ajuda a Kettricken, rainha expectante, nos meandros da corte de Torre do Cervo, e o anseio por Moli, a humilde e perseverante amiga de infância que tomou o seu coração, Fitz vê a morte e o terror a chegar às muralhas de Torre do Cervo, com forjados a atacar.
A proximidade destas gentes outrora comuns, transformadas pelos Selvagens em seres desprovidos de alma e razão, que se arrastam pelo mundo em busca de comida e outros prazeres primários arrasando tudo por onde passam, faz soar alarmes em Torre do Cervo e Veracidade e o enigmático Bobo sugerem, pela primeira vez, que se tente encontrar os míticos Antigos, aqueles que em tempos idos venceram os Selvagens e de que apenas lendas e canções ainda falam.
»»» Sentimento final:
Uau. Fantástico.
Não vou dizer que é tão bom como o 1.º volume, porque aí tudo era novo, mas foi lido noites dentro, tal era o entusiasmo.
São lançadas muitas sementes neste volume, o posicionamento de Kettricken, a “alcateia” criada entre Fitz e o lobo, a aproximação dos Selvagens como nunca antes, as origens e desígnios do misterioso Bobo, a fraqueza de Sagaz, a cumplicidade de Breu e o mistério dos Antigos.
Dispensava era o romance com Moli, algo maçador no meio de tudo o resto, mas talvez eu é que não esteja “in the mood for love” (com disposição para o amor). Tenho que admitir que se a Moli tivesse sido “despachada” neste volume eu pensaria: "He, he, he, já vais tarde!"
Esta série é épica, não sei porque é que não consegue mais visibilidade em Portugal.
»»» Nota final (capa e outras considerações):
--- [Capa] – A capa escolhida é a melhor do que já havia e é fabulosa. Parabéns pelo bom gosto e por manterem o design geral já presente no 1.º volume.
--- [Autora] – A escrita da autora e a mestria com que ela nos imerge num mundo diferente, mas ao mesmo tempo com familiaridades, e nos dá personagens bem definidas, que adoramos amar ou odiar, sempre deixando no ar algo por descobrir, é o que torna a obra memorável.