Ruth Manus é autora de outros sete livros, entre eles Um dia ainda vamos rir de tudo isso.
Seis anos depois de se mudar para Portugal para viver uma história de amor, Ruth Manus precisou enfrentar a dura realidade de que seu casamento terminara.
Diante da dor e da sensação inevitável de fracasso, ela escreveu poemas que acompanham o difícil período que viveu, assim como sua lenta recuperação.
Com ilustrações delicadas e sensíveis feitas por Maró Manus, mãe da autora, Desfeita, refeita é uma versão poética dessa jornada, entremeada por relatos em prosa que contam como as relações familiares de Ruth a levaram a descobertas libertadoras.
É um livro dedicado a todas as pessoas “que sangraram. Que se encolheram na cama. Que se amedrontaram com a hora de acordar. Mas que mesmo assim abriram os olhos e se levantaram”.
“A casa nova ainda não era dela No papel, acima de tudo, não era dela Mas ela entrou Cuidadosa Respirou fundo Olhou para as paredes Organizou 15 livros em cima de uma mesa Maya e suas verdades Virginia e sua bússola Isabel e sua esperança Enfileirou 12 pares de sapato Tão diferentes Uns dos outros Como ela E suas versões Comprou banana-prata Uma garrafa de rosé E colocou lençóis floridos na cama Sentou-se no chão da varanda Era uma noite de verão Abraçou seus joelhos Olhou para o céu – ventou – E ela entendeu Que a casa já era dela Porque ela Em si Já era a própria casa.”
A leitura mais crua, real e enternecedora do meu ano. As palavras de Ruth Manus organizam-se da forma mais simples e verdadeira, enquanto viajam por momentos complexos e dilacerantes - devolvendo a quem lê uma visão de catarse, de reconstrução de um lar em si mesma. Esperança. Renascimento.
"Talvez seja um livro meio piegas, vó, não sei, mas é o que eu sinto que preciso escrever agora, sabe? A avó olhou para ela e sorriu. Disse que, na época dela, escrever sobre amor e dor era uma coisa admirável - e que ninguém deveria achar que a vida real é piegas. Sorriram ambas."
Como sempre, Ruth Manus dá um show de sensibilidade, escrevendo sobre momentos da vida sob ângulos autênticos de quem verdadeiramente sabe o que está falando! Esse livro é para quem está com o coração partido, a cabeça sem rumo e a alma em frangalhos por alguém que se foi, não da vida, mas da SUA vida! Amei!
"Às vezes pensava na ironia que existe no fato de uma viuvez sofrida ser sinônimo de uma grande sorte ao longo do tempo. Muitos atravessam a vida toda sem ter um amor digno de ser cultuado, mesmo que ausente. Outros sentem amores desse porte em seus peitos, mas sem correspondência no peito alheio. Uma viuvez sofrida é a prova verdadeira de ter encontrado o amor e a correspondência, o que lhe parecia cada vez mais uma hipótese remota, reservada para poucos."
Ruth Manus tem o talento de transmitir tudo o que nos faz humanos, as dores, os pensamentos, os medos. Já li todos os seus livros, e nenhum me decepcionou. Me vi em vários poemas, que falam do seu divórcio, mas que se aplica para vários acontecimentos da vida que nos pegamos tendo que nos despedir de pessoas, situações e até de quem somos para uma nova versão adaptada surja.