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Dispositivo de racialidade: A construção do outro como não ser como fundamento do ser

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Neste que é um dos livros de filosofia política mais relevantes escritos no Brasil, Sueli Carneiro oferece uma interpretação contundente do racismo e uma defesa de seu enfrentamento sempre pelo coletivo, onde o cuidado de si e o cuidado do outro se fundem na busca da emancipação.

Quase duas décadas após ter sido defendida na Faculdade de Educação da USP, a tese de doutorado de Sueli Carneiro chega na forma de livro com grande atualidade. Nele, a autora aplica os conceitos de dispositivo e de biopoder de Michel Foucault ao domínio das relações raciais, forjando o que chama de dispositivo de racialidade ― que produz uma dualidade entre positivo e negativo, tendo na cor da pele o fator de identificação do normal, representado pela brancura.

Especulando com Foucault e amparada na teoria do contrato racial do afro-jamaicano Charles Mills, ela demonstra como este dispositivo se constitui em um contrato que não é firmado entre todos, e sim entre brancos, e funda-se na cumplicidade em relação à subordinação social e na eliminação de pessoas negras. Ele também se efetiva pelo epistemicídio, cujo objetivo é inferiorizar o negro intelectualmente e anulá-lo como sujeito de conhecimento.

Contudo, todo dispositivo de poder produz a sua própria resistência, e é nesse contexto que a filósofa traz à obra a voz de quatro insurgentes. Seus testemunhos revelam que é da força da autoestima, da conquista da memória e da ação conjunta que se extrai a seiva da resistência.

481 pages, Kindle Edition

First published March 3, 2023

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About the author

Sueli Carneiro

12 books47 followers
Sueli é uma das mais expressivas filósofas, ativistas e autoras do feminismo negro no Brasil e seus artigos abordam temáticas imprescindíveis para refletir sobre a sociedade e moldar o pensamento. Sueli fala sobre gênero, raça e ascensão social, o poder feminino no culto aos orixás, tempo feminino, expectativas de ação das empresas para superar a discriminação racial, novos e velhos desafios do movimento negro no Brasil, além de outros temas fundamentais para a compreensão histórica e política da luta das mulheres negras brasileiras.

Filósofa, escritora e ativista antirracismo do movimento social negro brasileiro. Sueli Carneiro é fundadora e atual diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra e considerada uma das principais autoras do feminismo negro no Brasil. Possui doutorado em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP).

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Profile Image for Brono.
191 reviews7 followers
September 13, 2026
Um trabalho monumental e revelador que elucida o descaso e um racismo sistêmico muito presente na sociedade brasileira desde sua criação.
Embora a predominância do assunto seja o negro que sofreu e sofre com as consequências da história escrita pelo branco, todo e qualquer “não branco” (pardos, amarelos, indígenas, mestiço, etc) certamente se sentirão representados nessa obra de peso que a autora, mesmo com um linguajar bem acadêmico, nos presenteia com seus anos de pesquisa e estudo.
Sueli Carneiro não só escreveu como viveu e carrega na pele e na alma o que hoje muitos temos como orgulho da miscigenação.
Criadora e defensora dos direitos daqueles subjugados inferiores ela dá um banho de sensatez e polidez ao discorrer de um assunto que ainda em pleno século XXI é tido como “o elefante branco na sala” que muitos brancos falam com propriedade porém sem profundidade.
A coleta de relatos de outros militantes que fizeram e fazem parte da sua trajetória reafirma que é preciso que estes tantos se unam para que suas vozes sejam ouvidas.
Dentre os quatro grandes nomes de peso que fazem parte dessa dissertação achei apenas infeliz a segunda linha que descreve a Dra Fátima Oliveira morta em 2022 - carnívora empedernida - o que me fez abster-se de ler o que dizia a respeito dela. Toda luta é uma luta e não desmerecendo jamais e de forma alguma a luta de emancipação negra não faz sentido que alguém reafirme uma informação desnecessária de ser “carnívora”. Faltou a ela um entendimento básico de repressão e opressão pela qual os “diferentes de nós” passam de forma contínua e se não houver discernimento no que diz respeito aos atos perpetuados aos animais e a correlação que tem com os humanos jamais evoluiremos como espécie “self-entitled” inteligente.
Entendo que aqui, nesse trabalho monumental, uma coisa não tenha a ver com a outro mas me incomodou que alguém tão instruída e esclarecida não tenha essa perspicácia aguçada quanto ao que discorro.
Sueli Carneiro entrará para a nossa história como a guerreira que não descansa e sendo assim me curvo diante dela com os meus mais sinceros votos de agradecimento por este trabalho que deveria ser livro de cabeceira de um povo que ainda, depois de colonizados e subjugados, luta pela sua liberdade de ser o que é: apenas humano!
Profile Image for Belle Moraes.
48 reviews
August 17, 2025
Em “Dispositivo da Racialidade”, Sueli dialoga com Foucault para teorizar sobre uma rede historicamente moldada para controlar e violar corpos negros. Sendo um livro originado de sua tese de doutorado, ele possui uma linguagem extremamente acadêmica, o que pode gerar certa dificuldade na leitura.

Os capítulos de relatos de Edson Cardoso, Sônia Maria e Fátima Oliveira são poderosos; mas, esperava que Sueli dialogasse mais com eles para além da perspectiva da importância da educação em suas vivências.

É uma ótima obra de referência para estudos raciais.
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