Quem, porque não fosse ainda nascido ou porque andasse por outras partes, não pôde experimentar o tempo e a singularidade da revolução portuguesa, viverá nestes dois romances todos os acontecimentos e emoções desses anos turbulentos. Inês Pedrosa, no prefácio a esta edição
Sob o título de As Chamas e as Almas, reuniram-se dois romances de Agustina Bessa-Luís há muito esgotados: a Crónica do Cruzado Osb. (1976) e As Fúrias (1977).
Escritos nos anos críticos da revolução iniciada em 25 de Abril de 1974, ficcionam de modo indelével a vida social íntima e familiar nesses anos de profunda desestruturação da sociedade portuguesa e das perplexidades que os acontecimentos provocavam.
Agustina Bessa-Luís was born in Vila Meã (Amarante) in 1922. Her father's family was from the north of Portugal and her mother was Spanish.
She lived her childhood and teenagehood in the region of Douro, Minho and then Coimbra in 1948. She married Alberto Oliveira Luís in 1945 and after 1948 she moved to Oporto.
She started writing at the age of 16 and in 1950 she published her first novel, Mundo Fechado. In 1952 her talent was recognized with the award Delfim de Guimarães, for her book Sibila, which also received the award Eça de Queirós the next year.
In 1958, she gave her first steps in theatre, writing the play O inseparável.
Between 1986 and 1987 she was the director of the diary O Primeiro de Janeiro in Oporto. Between 1990 and 1993 she was the director of D.Maria II Theatre in Lisbon and a member of the Alta Autoridade para a Comunicação Social.
She is a member of the Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres in Paris, of the Academia Brasileira de Letras and the Academia das Ciências de Lisboa, being also recognized at Ordem de Sant'Iago da Espada (1980), Medalha de Honra da Cidade do Porto (1988) and degree of "Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres", given by the French government (1989).
Various works have been translated in various countries and some were adapted to the cinema, such as Francisca, Vale Abraão and As Terras de Risco by Manoel de Oliveira. Her novel As Fúrias was adapted to the theatre by Filipe La Féria.
At the age of 81, Agustina Bessa-Luís received the Camões Award, considered the most important portuguese award.
Agustina Bessa-Luís nació en Vila Meã (Amarante, Portugal) en 1922, de madre española y padre portugués. Es miembro de la Academia Europea de las Ciencias, las Artes y las Letras de París, de la Academia Brasileña de las Letras y de la Academia de las Ciencias de Lisboa. Sus numerosos libros le han valido las más importantes distinciones, como la de Santiago da Espada (1980), la Medalla de Honor de la Ciudad de Oporto (1988) o el grado de Oficial de la Orden de las Artes y las Letras del gobierno francés (1989). En 2004 recibió el galardón literario más importante en lengua portuguesa, el Premio Camôes.
3*** para a "Crónica do Cruzado Osb" / 3,5**** para "As Fúrias"
"Ninguém é eternamente dócil ou eternamente ingovernável. A liberdade está, não no desespero dessas duas proporções, mas na constância da paixão pela igualdade dos homens, que resiste à influência dos acontecimentos. A influência é sempre um rebaixamento do destino humano."
"As mulheres eram constantes e sábias, a nata da estirpe; (...) Viviam em casebres, tinham ouro escondido, eram generosas com os jovens que pareciam capazes de evadir-se para melhor destino. Nunca esperavam que eles voltassem e lhes trouxessem compensação. Eram heroínas à sua maneira: avaliavam as possibilidades humanas, e o lucro era do mundo inteiro."
"A fé a que se refere é uma convicção que não depende dos acontecimentos vividos (...). Há talvez outra coisa a que se pode chamar fé: uma divagação que não exclui a vigília, uma pureza a três dimensões, sem estreiteza intelectual, sem insatisfação, eis tudo. (...) a felicidade não é uma informação, é competência minha."
"Sempre se paga caro o mais pequeno fio tecido no manto da ousadia. A insensibilidade é o trajo dos que não querem correr riscos , e usam-no os que se situam do lado das fictícias civilizações: o espaço da repetição contra a incerteza das inovações. (...) Como estar estar imóvel, se o universo nos conduz?"
"(...) enquanto o homem não amar a sua coragem com a grande mutação da metafísica; enquanto a sua fé não for um diálogo sem acusação e sem assustada derivação do seu comportamento; um diálogo com a pessoa e não unicamente com as circunstâncias que actuam nela, será marginal com respeito ao seu eixo de vida. A juventude sabe que foi posta de parte, com excepção do seu peso consumidor. Onde as guerras são mais ou menos inviáveis e se substituem por uma burocracia de Estado que estanca toda a virtude comunitária, a juventude é abandonada. A solicitude que era a inspiração do coração a respeito da nova geração; a piedade pelos velhos - isso transformou-se numa magistratura melíflua ou autoritária."
Demorei dois anos a ler este livro. Recomecei várias vezes. Devia ser vendido com uma tábua de personagens. Fora isso, para quem tiver folgo, é uma delícia