Terra Cota é uma cidade que, à primeira vista, pode parecer normal, mas ela guarda algo indizível e sombrio em seu interior. Depois do cultuado Ultra Carnem, e dos celebrados VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue e DVD: Devoção Verdadeira a D., o novo livro de Cesar Bravo, 1618, apresenta uma frequência particular do terror enraizado na nossa sociedade e nessa tal tecnologia que parece nos unir.
Nascido em 1977, em Monte Alto, São Paulo, foi apenas recentemente que Cesar Bravo deu voz à sua relação visceral com a literatura. Durante sua vida, já teve diversos empregos — ocupando cargos na indústria da música, na construção civil e no varejo. É farmacêutico de formação. Bravo publicou suas primeiras obras de forma independente, e em pouco tempo ganhou reconhecimento dos leitores e da imprensa especializada. É autor e coautor de contos, romances, enredos, roteiros e blogs. Transitando por diferentes estilos, possui uma escrita afiada, que ilumina os becos mais escuros da psique humana. Suas linhas, recheadas de suspense, exploram o bem e o mal em suas formas mais intensas, se tornando verdadeiros atalhos para os piores pesadelos humanos.
Tava com muita especialista, achei médio, a história se desenrola sem pressa e sem grandes acontecimentos e a possibilidade de interferências extraterrestres.
Esse foi o primeiro livro do Cesar Bravo que eu li e confesso que não sabia bem o que estava esperando. Gostei muito da premissa das pessoas de Terra Cota receberem em seus celulares “fofocas” da cidade, mas não estava esperando que seriam situações pesadas como foram, o que foi bem surpreendente. A leitura me prendeu do começo ao fim porque fiquei doida pra saber qual seria a próxima “vítima” do número misterioso e quais seriam as consequências para a pessoa e para a cidade e, como o núcleo de personagens muda a capítulo, conseguimos ter diversas visões dos acontecimentos. Só fiquei triste que essa vibe “fofocas” termina lá pela metade do livro porque estava gostando bastante (mas foi para começar a explicar o que estava acontecendo, então tudo bem). O fato do livro ter diversos núcleos pode ser um ponto negativo para algumas pessoas porque acaba tendo muitos personagens, o que pode gerar uma confusão. A consequência disso para mim foi que acabei me apegando somente ao Thierry, mas não foi um ponto que atrapalhou minha experiência de leitura. Acho que a ideia aqui é que o personagem principal seja a própria cidade, o que inclusive me lembrou um pouco Hex que eu li recentemente. Já o final eu senti uma vibe H. P. Lovecraft que me surpreendeu bastante, não achei que o autor fosse por esse caminho. Algumas questões acabaram ficando em aberto, mas acredito que vá ser abordado em Amplificador. Apesar de alguns assuntos e cenas bizarras, achei que o livro foi mais para o mistério/suspense e, por incrível que pareça, ficção científica do que para o terror.
Um ponto que eu gostei bastante é que o livro vai muito além das bizarrices. Nele encontramos diversas críticas à realidade brasileira e ao comportamento humano, principalmente ao fanatismo religioso. Em vários momentos me peguei rindo porque consegui ver algum conhecido no personagem e acabei mandando o trecho para meu namorado, amigas e meus pais. Além disso, gostei bastante da escrita do Cesar Bravo! Os capítulos curtos e a ótima escrita dele fizeram com que eu ficasse no “só mais um capitulozinho” até eu chegar no final.
Assim que eu acabei de ler 1618 já comecei Amplificador de tão curiosa que fiquei para a continuação. Não dei uma nota melhor porque fiquei sentindo que faltou alguma coisa, não sei se foi a fofoca que eu estava esperando outra coisa, ou os acontecimentos/final que ficaram um pouco confusos… Quando terminei foi uma mistura de emoções. De qualquer forma, fico muito feliz de ver um autor nacional tendo um reconhecimento e uma edição tão bonita quanto essa. Espero que isso aconteça mais!
O livro começa bastante promissor, mas pouco a pouco ele perde sua efervescência, não por perder ritmo ou ação. Mas porque todos os personagens são unidimensionais e enfiados na narrativa para serem descartados de maneira insossa e risível. Parece que nesse aqui o autor permitiu-se explorar a escrita como uma ferramenta de vazão para seus anseios pandêmicos, com o governo, com a humanidade. Não o julgo, entendo o poder terapêutico de tentar transformar algo ruim em algo positivo. Mas muitas vezes esse elemento posicionava mais o autor do que acrescentava à obra em si. Sobre o conceito geral, bem, pareceu um marinheiro de primeira viagem, parece que ele se encantou com meia dúzia de TikTok sobre conceitos científicos variados, enfiou num liquidificador e despejou esse shake de forma rasa e sem originalidade no livro. Não esperava uma obra de hard sci-fi. Mas aquilo ali beirava a teoria da conspiração mais abobalhada de algum vídeo de YouTube com uma thumbnail clickbait. O projeto gráfico também deixou a desejar, bem aquém das outras obras do César e da Darkside, pareceu pouco coeso e feito às pressas. Infelizmente um desvio na trajetória do autor que estava indo bem.
O livro começa muito promissor com personagens interessantes e situações que intrigam. Conforme a história avança fica claro que o foco da narrativa não é o sobrenatural mas as pessoas e a relação delas com os acontecimentos. No meio de muitas informações técnicas sobre ondas de rádio e pouco sobrenatural o livro traz na verdade uma reflexão sobre o período do final da pandemia, dentro do contexto político e social de São Paulo. Essa parte é muito bem escrita e construída. O autor explora a contradição e os principais dilemas que observamos em nossa sociedade em consequência desse período usando personagens caricatos frente aos acontecimentos sobrenaturais que se desenrolam na cidade de Terra Cota. Apesar de ser muito conectado com a realidade, não senti que a parte sobrenatural do livro conversa bem o que está sendo contado e poderia ter sido melhor trabalhada pelo autor uma vez que foi usada como recurso para contar a história. Essa parte foi a que mais me incomodou, porque a explicação para os acontecimentos não fez sentido com o que estava sendo contado no começo do livro e o final não despertou nenhum tipo de sentimento. Ao meu ver, a solução para o mistério criado ficou alheia ao restante do livro e, portanto, pouco crível. De uma forma geral, considero uma boa proposta porém a construção da narrativa deixou a desejar, assim como a conclusão do livro.
This was a surprise. Never heard of the author before, but the story plot was very interesting, so I bought the book. The book truly is good! We don´t have many good authors in Brazil when in comes to supernatural literature, and Cezar definitely added his name in there with a few others. It was amazing to see him using expressions that only Brazilians would understand ("as maritacas estavam OBRANDO em todo lugar!") I laughed so hard on this one that my husband came to check on me. I´ll definitely be looking for more work from him.
Construção de mundo e personagens muito boa, mas achei que o autor se perdeu um pouco no final e toda aquela emoção que vinha sendo construída desde o início da história morreu.
Legalzinho, o final vale o preço porem não gostei de como era contada a historia. Poderia ser uma historia em vez de varias juntas que me deixava meio confuso as vezes mas no geral tem um bom plot
Um livro completamente diferente do que eu esperava. Achei o conceito da história muito interessante e me fez ficar presa na narrativa, porém achei o desenrolar e conclusão da história fraco e sem uma explicação que fizesse sentido ou que surpreendesse.