Crime e Enigma. O que significa Spharion e por que esta palavra aparece misteriosamente gravada no rosto de um velho garimpeiro encontrado morto no interior de Minas Gerais? É o que vai tentar descobrir Dico Saburó, um rapaz que tem poderes paranormais, com o auxílio do jornalista Pedro e de um investigador famoso, o inspetor Pimentel. No decorrer das investigações são muitos os fatos sobrenaturais que acontecem, além de continuarem a ocorrer outros crimes tão enigmáticos quanto o primeiro. Você vai atravessar as fronteiras da realidade e descobrir que o impossível pode acontecer, acompanhando as aventuras de Dico Saburó e seus amigos em Spharion. Vai penetrar num universo muito além da imaginação. Prepare-se para uma sucessão de surpresas, que vão mantê-lo intrigado da primeira à última página.
Nascida em 9 de maio de 1910, na Fazenda Nova Granja, no município mineiro de Santa Luzia, aos seis anos mudou-se com a família para Belo Horizonte, onde passou a maior parte de sua vida. De uma destacada família de intelectuais, era irmã de Aníbal Machado, tia de Maria Clara Machado e prima de Murilo Mendes.
Jornalista atuante por quase seis décadas, trabalhou nos Diários Associados e viajou pela Europa e Estados Unidos como conferencista convidada pelo Ministério das Relações Exteriores para falar sobre Aleijadinho e as cidades mineiras do Ciclo do Ouro. Dedicou-se também à tradução, vertendo para o português livros de Honoré de Balzac, Bernard Hollowood e Astrid Lundgreen.
Sua carreira como escritora começou, conforme dizia, acidentalmente, em 1942, quando, para distrair os filhos que estavam com sarampo e não podiam sair de casa, criou a personagem Piabinha e as suas aventuras no fundo do mar. No entanto, os primeiros anos de vida passados na fazenda da família onde nasceu, certamente foram decisivos para o despertar de sua sensibilidade artística. Nas evocações a que intitulou “Um pouco de mim”, diz: “Criança solitária, eu passava os dias trepada nas árvores, acompanhando a maturação das frutas, visitando ninhos de passarinhos e observando as borboletas que saíam dos casulos. Ou então, descalça, eu me metia num córrego que por ali passava, a brincar com as piabas. Eu não imaginava que esse contato direto com a natureza iria me marcar para sempre”.
A consagração de sua obra veio tanto dos milhões de leitores que justificam as sucessivas reedições de seus livros, como da crítica especializada e de seus companheiros de ofício. Para Carlos Drummond de Andrade “Lúcia Machado de Almeida conta história do jeito mais natural (quer dizer, mais artisticamente natural), de sorte que o leitor infantil não se sente intimidado com a pressão de uma inteligência adulta a querer estabelecer uma falsa intimidade com o espírito infantil. Dir-se-ia que a própria Lúcia tira prazer de seus contos e se diverte com eles como se fosse uma leitora pequena. Em suas histórias combinam-se a poesia e a realidade, o cotidiano e o fantástico”.
Paralelamente a seus textos destinados aos jovens, escreveu três livros considerados fundamentais para o conhecimento mais profundo sobre o Ciclo do Ouro em Minas Gerais: “Passeio a Sabará”, “Passeio a Ouro Preto” e “Passeio a Diamantina”. Assim como outro, fruto de suas viagens a Portugal: “Passeio ao Alto Minho”, no qual desvenda aos leitores muito da magia das terras lusitanas. Com bem acentuou Rubem Braga, por ocasião do lançamento de “Passeio a Diamantina”, “Em casa mesmo a gente viaja pelas ruas e pelos séculos de Diamantina com tanta doçura e gosto que passa a entender e amar ainda mais aquele mundo que visitamos pela primeira vez pela mão da menina Helena Morley”.
Costumava dizer que “o livro bom para criança é aquele que desperta nela uma curiosidade para o mundo” e que “se o escritor, através de sua obra, (seja ela de que gênero for), consegue despertar na criança, ainda que de modo embrionário e indireto, um sentido de solidariedade humana, de fraternidade universal e de respeito pela natureza, ele terá cumprido sua mais alta missão”.
O bom humor e a alegria Lúcia carregou da infância vida afora, pois com graça era comum vê-la contar algumas situações engraçadas dais quais fora protagonista, como na ocasião em que recebeu em sua casa um distinto lorde inglês, que maravilhado com algumas flores azuis que estavam num vaso em sua sala, indagou que espécie se tratava e ela, envergonhada de dizer que não sabia, solenemente inventou o primeiro nome que lhe veio à cabeça: pavônia, sem imaginar, todavia, que o tal lorde era botânico e imediatamente retiraria do bolso uma pequena caderneta onde anotou o nome inventado. Aflita, quis consertar a situação, afirmando que, na
Confesso que esperava mais dessa história. E olha que até agora tenho gostado da maioria das histórias publicadas pela Coleção Vaga-lume. Contudo, a narrativa aqui não me conquistou. Há aqui um misto de mistério, aventura e investigação, que por vezes parece um pouco confuso e estagnado em termos de construção narrativa, na minha opinião. Mesmo assim, a história por si poder ser emocionante e interessante para outros leitores, principalmente os mais jovens.
Ótimo mistério de ficção científica. Gosto como nesse livro a narrativa principal é a única história, sem arcos e "enrolações", para um livro curto, acredito que o desenvolvimento é melhor assim. Também gosto do fato de que a história se passe em Diamantina, trazendo belas ilustrações das mineiridades. Entretanto, é uma pena que a história acabe da forma que acabou, sem um desfecho para os personagens que solucionam o mistério, deixando um "gostinho de quero mais" sem continuação.