Um corpo desfigurado de mulher aparece na margem de um rio. Pelas mãos de um médico legista, que pouco a pouco se apropria do cadáver, dialogando com ele, mergulhamos na história das personagens que contribuíram para esta tragédia. A autópsia deste corpo, que é também a autópsia de um crime, revela-nos os meandros da nossa fragilidade física e os reflexos da morte sobre os que continuam vivos.
FILIPA MELO nasceu a 23 de Abril de 1972 e licenciou-se em Ciências da Comunicação - variante Arte e Cultura, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Desde 1990, trabalhou como marionetista (Rua Sésamo), tradutora, revisora tipográfica, repórter (Visão, Expresso, O Independente, Grande Reportagem, Ler), editora (Livros de Portugal, Mil Folhas/Público, Oriente/SIC Notícias, Magazine e Magazine Livros/RTP2), crítica e comentadora (Acontece e Jornal2), consultora (Câmara Clara), autora e apresentadora (Nós e os Clássicos/Sic Notícias). O seu primeiro romance, Este É o Meu Corpo, foi publicado em 2001 e traduzido em sete línguas. Os seus contos encontram-se editados em diversas antologias nacionais e internacionais. Durante oito anos, orientou uma comunidade de leitores dedicada à literatura portuguesa contemporânea, por onde passaram mais de 200 obras e 60 autores. Actualmente, dirige a revista EPICUR, assina crítica literária no jornal Sol e na revista Ler, dá aulas de escrita criativa (a partir da história da literatura) e, ocasionalmente, orienta ciclos de divulgação da literatura e de participação activa do cidadão.
Um livro original, de escrita elegante e estrutura bem construída. Belo e triste, de uma tristeza por onde perpassa a solidão. Esteve quase a ser um 4 mas penso que o final não esteve à altura do resto.
“Hoje sei que quando os corto, os peso, os viro do avesso, são eles que me usam, e não ao contrário. São eles que me chamam para falarem através de mim. É para isso que os mortos usam os corpos. Oferecem-mos, exibem-nos como prova. Deixam-nos ficar para trás para colocarem um ponto final na sua história. Para partirem vingados, limpos e em paz. (…) Uma autópsia é como um nascimento. Nunca se repete. Tal como nunca se descasca pela segunda vez uma laranja.” Páginas 20 e 21. Mais um livro que li como se fosse uma corrida. Não por ter vontade de chegar ao fim, mas por não conseguir parar. Soube que tinha de o ler quando a Cris falou dele a primeira vez. Que tinha de o ter, pronto. Que o leria avidamente da primeira vez, que marcaria as melhores passagens para reler diversas vezes, e que, provavelmente, haveria uma segunda leitura. Tudo verdade excepto a segunda leitura. Ainda. Um livro sobre o corpo. O corpo inteiro. Mesmo quando é analisado em pedaços na mesa de autópsia. Não é mórbido, eu não acho, gosto de ler sobre a morte. E tenho, desde há muito tempo, um enorme (e muito pouco mórbido) interesse sobre Medicina Legal. Há um crime mas não é um policial. Não é um jogo que nos entretém à procura do assassino. Não há pistas ocultas nem jogos com o leitor. Há um cadáver que revela a verdade mediante a perícia de quem o estuda. Órgão a órgão. Detalhe a detalhe. Bastante detalhe mas não suficiente pormenor. Quem deseja saber quer sempre mais. Contudo, é bastante elucidativo desde a primeira incisão para levantar a pele do crânio, até ao corpo novamente fechado findo o trabalho. As pistas da morte intervaladas em capítulos de vida. Vidas comuns, histórias fora da sala de autópsia que através da relação vida/morte vão montando o mosaico deste romance, mostrando o caminho para as respostas às perguntas “quem matou” e “como matou”. O Médico Legista, romântico solitário, cujo trabalho é uma declaração de amor ao corpo e à morte como informação preciosa sobre a vida, e que, enquanto fala com os mortos oferece tantos pedaços de si, pedaços vivos, que compõem uma personagem muito especial. “Eu gosto dos mortos. Dos meus mortos. Daqueles com quem converso enquanto os descasco e lhes peço que me contem as suas circunstâncias. Vou perguntando porquê, quem, onde, como, quando. E eles respondem, nunca se fazem rogados. Renascem à minha frente em peças separadas que eu peso com cuidado. Deixam-se abrir sem um lamento. A vida vai-lhes saindo aos pedaços do corpo e, quando se consuma, leva consigo a voragem da morte. Fica só uma paz que os envolve com suavidade. Uma paz-mortalha.” Página 23. Um livro brilhante. Uma escrita envolvente, inteligente, elegante e madura. Raro e difícil de encontrar como todas as obras de arte. Mas quando um livro tem tanto para oferecer a quem ama a leitura e a escrita, esquecê-lo e remetê-lo a edições únicas é criminoso e tem pouco de artístico. Procurem-no. Sinopse “Um corpo desfigurado de mulher aparece na margem de um rio. Pelas mãos de um médico legista, que pouco a pouco se apropria do cadáver, dialogando com ele, mergulhamos na história das personagens que contribuíram para esta tragédia. A autópsia deste corpo, que é também a autópsia de um crime, revela-nos os meandros da nossa fragilidade física e os reflexos da morte sobre os que continuam vivos.” Sudoeste Editora, 2007
Uma escrita irrepreensível, mas uma história que não me pareceu credível, talvez pelo pouco desenvolvimento dos personagens. Para além disso, achei os “diálogos” do médico legista com os mortos e as descrições minuciosas das autópsias excessivos e bastante mórbidos.
Também não consegui entender bem a insistência na categorização das pessoas em “ouriços” e “raposas”, e todas as descrições acerca do modo de vida de outras espécies de animais, introduzidas aqui e ali, pareceram-me bastante excessivas e deslocadas, por não acrescentarem nada à história que estava a ser contada.
Enfim, às vezes é assim: o início promete, a escrita é boa, mas depois percebemos que o livro, simplesmente, não é para nós.
Paso por el escaparate de una librería, evito mirar porque en una de las mesillas de noche de mi cama tengo más de diez libros esperando ser leídos. Paso de largo. Paro y vuelvo sobre mis pasos. He picado de nuevo aunque esta vez sólo me he gastado un euro y medio en un libro leído: “Éste es mi cuerpo” de una autora angoleña, Filipa Melo, de la que no he oído hablar jamás. Lo elegí por el título, nunca le doy la vuelta a los libros ni leo la contraportada para no quitarle la razón al pálpito. Así es que empiezo a leerlo y me engancha la descripción que hace de cómo un perro olfatea un cadáver abandonado bajo la lluvia, caliente aún, sangrante. Ese cuerpo se convierte en el centro de la historia; Melo describe paso a paso la autopsia y descubrimos cómo ha sido asesinada Eduarda, las señales que el forense va encontrando a medida que explora, abre y disecciona. “El interior del cuerpo humano es un terreno inviolable, que nunca se penetra sin miedo, violencia, dolor o pasión”. “Éste es mi cuerpo” es también una autopsia a los silencios que nos atrapan cuando la muerte hace acto de presencia. En los huecos que vamos dejando para esquivar los dolores. “Todas las muertes son violentas. Sobre todo para los que se quedan. De repente, ese cuerpo que conocemos se transforma en otra cosa que ya no nos pertenece, que no conseguimos alcanzar.”
DNF a 46%. Tentei e tinha alguma curiosidade com o tema principal. Mas começou a divagar por histórias paralelas e parecia que nenhuma avançava. O estilo de escrita tb não é do meu agrado. Pode não ser mau. Simplesmente não é um livro para mim.
Esta obra conta a história de um corpo desfigurado de uma mulher que aparece na margem de um rio. Ao longo do livro são nos apresentadas várias personagens abordando os seus sentimentos mais íntimos permitindo ao leitor compreender o seu papel nesta tragédia. A autópsia deste corpo é também a autópsia de um crime que nos revela a fragilidade física e os reflexos da morte sobre os vivos.
Este livro supreendeu-me completamente, nunca seria uma das minhas primeiras escolhas. Adquiri-o através do Trade Stories (o nosso site favorito). Terei mais atenção no futuro aos autores portugueses. Porque esta história é pura arte que delicia o nosso pensamento, porém acho que o final deveria ter sido mais desenvolvido porque deixa o leitor à deriva. A autora aborda o ser humano como um ser frágil com segredos e medos profundos. Recomendo, contudo tenho de fazer um pequeno disclaimer o livro tem algumas partes gráficas, no que diz respeito à autópsia e à própria forma como aborda a morte. Não recomendo a pessoas mais sensíveis.
Citação: "um médico-legista é um caçador de verdades. Porque o corpo de um morto é como um bom romance policial. Vai-nos dando pistas, ocultando outras, sempre mantendo o suspense. Podemos ir direitos à última página, mas isso não vale de nada, o segredo está nas páginas do meio, no caminho por entre os dados, na costura que fazemos deles."
"Este é o meu corpo que será entregue por vós" - Esperava imenso ler isto no meio do livro e no meio de tanta filosofia sobre a morte. Tanto me alegrei em ver que tão pouca religião, quase inexistente, este livro incutiu num tema tão forte e tão pesado como "A MORTE".
Filipa Melo mostra o seu talento neste romance entre Miguel e Eduarda, ou deverei dizer, entre o Ouriço Cacheiro e a Raposa?.... de uma forma única, num estilo único, metaforicamente belo ...
A vida e a morte.... o aceitável e o inaceitável... o passado e o presente... o presente e o futuro... as más e as boas coisas da vida... o poder da família, o poder do humano, a racionalidade do Homem vs a Irracionalidade de um outro ser animal, a vida e a morte... o crime...
Tantos foram os temas que encontrei neste livro que me perdi por vezes na leitura dos seus capítulos. Um livro bem pesado, não muito fácil de ler continuamente e não muito direto em conteúdo. Não é um livro para qualquer um, mas tal como vejo nesta comunidade do Goodreads, os poucos que fizeram questão de o ler, classificaram-no bem!
A pesquisa que Filipa Melo fez na área da Anatomia e da Patologia Tanatológica é absolutamente incrível! Que bom que por uns trocos tenha comprado este livro e ter tido a oportunidade de ler algo tão fascinante e crítico como este livro.
Vejo "Este é o meu corpo" como uma autópsia, não só à personagem Eduarda, como também ao nosso espírito crítico. Valerá tanta coisa a pena? Será tão imprescindível isto e aquilo? Até que ponto podemos ir tão longe?
Sejam curiosos... leiam este livro ! Uma metáfora à nossa vida tantas vezes morta!
Dou 4 estrelas + o meu estímulo para o lerem!
P.S Admito que o fim é uma desilusão porque não há uma resposta, porém vale a pena por tudo aquilo que deixa no ar....
"Alguém me disse uma vez que a morte é um parto de si mesmo. Uma consumação, uma onda que nos varre até ao cabo de nós mesmos, ao fundo da nossa história, ali onde encerramos os mistérios."
Un cuerpo sin vida aparece en un paraje apartado. Al estar completamente desfigurado será necesaria una autopsia para conocer las causas de la muerte e intentar conocer la identidad del fallecido. Esta es la historia de la autopsia y, en paralelo, del camino a la muerte.
"Este é o meu corpo" é um livro que não deixa nenhum leitor indiferente. É uma leitura dura, sim, mas a morte é daqueles temas a que ninguém fica indiferente.
Este livro não é um policial, apesar de toda a trama rodar à volta de um homicídio. Uma mulher jovem é assassinada. As vozes que nos contam a sua história, à vez e sem pressas, são do médico legista que durante a autópsia dá voz ao corpo da jovem e lhe pede para contar os seus segredos e de outros que a rodearam em vida.
Falar de morte é, sempre e acima de tudo, falar sobre vida. E falar sobre vida é falar sobre as relações entre as pessoas. E falar sobre as pessoas é, às vezes, falar sobre animais. Falar sobre raposas e ouriços pode ser mais surpreendente do que pensam.
Este é um livro para ler, reler e guardar. E Filipa Melo é certamente mais uma escritora para acompanhar.
"Confesso-te que não demoro muito a matar tudo aquilo que amo, porque, morto, posso recordá-lo e porque a memória, mais do que a vida, é o contrário da morte. Porque, graças à memória, a consciência apazigua-se à distância. E eu conspiro com a memória para amar ainda mais aquilo que mato."
Portugalski triler. Kako se ranije nisam sretala sa portugalskim piscima jako mi je drago da sam naišla na ovu knjigu. Knjiga je netipična i pomalo čudna. Stil pisanja je različiti od svih knjiga koje sam pročitala, ali mi se izuzetno sviđa. Rečenice su kratke, ali veoma lepe, duboke i nose određenu težinu.