Xadrez, Truco e Outras Guerras é basicamente um romance sobre o pecado da ira, ocupando essa posição na Coleção Plenos Pecados, que traz um romance para cada pecado capital. Livremente inspirado na guerra do Paraguai, o enredo apresenta um momento político delicado: O Rei e o Diplomata jogam truco e debatem sobre que atitudes a nação deve adotar contra o Ditador, governante de um país vizinho. Recentemente as forças do Ditador se apoderaram de uma de nossas pequenas cidades na fronteira. Ambos, o Rei e o Diplomata, parecem concordar que, sendo as forças nacionais maiores e mais equipadas que as do Ditador, os vizinhos provavelmente aceitariam qualquer tipo de acordo e a devolução da cidade tomada, mas sua Majestade acredita que o povo ficaria mais impressionado com uma guerra e parte para ela "não por ira aos invasores, mas por amor ao poder".
José Roberto Torero Fernandes Júnior, conhecido como Torero, é um escritor, cineasta, roteirista, jornalista e colunista de esportes brasileiro.
Formado em Letras e Jornalismo pela Universidade de São Paulo, é autor de diversos livros, como O Chalaça, vencedor do prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil.
Cursou, sem concluir, pós-graduação em Cinema e Roteiro. No Jornal da Tarde, de São Paulo, iniciou sua carreira de cronista e depois começou a escrever para revista Placar textos sobre futebol, colabora com a Folha de São Paulo desde 1998. Como roteirista nos longas A Felicidade É e Pequeno Dicionário Amoroso.
É sócio proprietário da Realejo Livros, em Santos.
Xadrez, Truco e Outras Guerras trata exatamente sobre isso. É o resumo perfeito.
Em menos de 184 páginas, pois sim, há gravuras nesse livro e elas não são aleatórias, o autor consegue relacionar a estratégia do xadrez e o blefe do truco com a Guerra do Paraguai, numa sátira da história nacional que vai te fazer morrer de rir ou de raiva - que o autor despudoradamente advoga.
A propósito, leia o prefácio. Leia.
Não é preciso na verdade saber jogar xadrez e truco para entender as referências, embora isso vá facilitar a leitura, assim como não é necessário conhecer a história da Guerra do Paraguai (idem). Porém, a experiência se torna mais rica com algum conhecimento básico.
Por exemplo: no xadrez, o rei é a peça mais importante, a menos potente contudo, mas a única que é ponto vital de toda estratégia. Isso é o inverso do peão, que existe as pencas, não é lá grande coisa, é tido como bucha de canhão e sacrifica-se aos montes. Toda e qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência.
Não creio que seja capaz de escrever uma resenha que abarque tudo o que esse texto traz sem estragar o prazer de quem lê. Então, reitero, leia.
Legalzinho. Não achei a escrita muito poderosa, tem umas sacadas boas mas nada que me fez gargalhar ou que tenha ficado preso na memória.
No âmbito do pecado que supostamente representa, não funciona muito bem. O romance, através tanto da narração quanto dos diálogos, retrata a guerra com ironia e cinismo (de forma interessante, ainda que de forma alguma original), mas nunca com raiva ou ódio. A palavra "ira" é jogada em alguns momentos ao longo do livro, e a impressão que tive foi a de que quando abordaram o Torero pra escrever um livro pra série Plenos Pecados, ele já estava trabalhando nesse aqui e só fez uns reajustes para que encaixasse.
É um bom livro pra quem está começando a ler ou pra quem quer matar uma tarde, visto que é uma leitura bem rápida e facinha.
Bem gostosinho de ler, envolve bem na leitura. A gente se afeiçoa ao personagem principal, mas assumo que esperava mais de um modo geral, embora seja um dos melhores da série. A única coisa que mal se vê é a própria ira em si, ainda que citada frequentemente. Nesse sentido especificamente não vi aquele envolvimento/engajamento das demais leituras da coleção Plenos Pecados.