Finalizei o trabalho monumental do Carpeaux. Destaco um comentário bastante agradável sobre Joyce:
“Do país dos sonhos, Joyce não cessou de completar o outro país, o nosso, observando-o com os olhos de outlaw, ou então para empregar um termo de Herzen, com independência absoluta, de quem está “na outra ribeira”. E, sendo Joyce antes de tudo um grande humorista, da estirpe de Rabelais e Cervantes, a cidade de Dublin, do dia 16 de junho de 1904, tornou-se caricatura grandiosa, daumieresca, de outra cidade: da ‘Cidade sem Deus’ do nosso tempo; e Ulysses, em que Joyce depositou todas as suas experiências e todos os seus conhecimentos enciclopédicos, de todas as línguas, literaturas, filosofias e ciências, tornou-se a ‘Suma apocalíptica da nossa época’. Joyce é o Dante anticatólico do século XX. Edmund Wilson chamou a atenção para a grandiosa poesia noturna das cenas no hospital e no bordel. Ulysses inteiro é um ‘Inferno’. No ‘Inferno’ (VII, 1) Dante introduziu algumas palavras incompreensíveis para imitar a língua estranha dos diabos; Joyce fez disso um recurso permanente; ele, que T.S Eliot chama de ‘o maior mestre da língua inglesa desde Milton’.” (CARPEAUX, p.2579-80)