Conforme lia este livro de crônicas, que foi presente de uma amiga, dei-me conta de que já havia começado a lê-lo nos anos noventa, quando o comprei numa livraria no campus da Unesp em Bauru, esperançoso de ter uma ótima leitura, dada a reputação do Saramago. Mas detestei-o e o deixei de lado. Lendo-o agora, tendo mais paciência, devido à idade, notei que não é tão ruim assim. Não fiquei com nenhum ranço do Saramago; naquela década mesmo, ainda jovem, li O Conto da Ilha Desconhecida e achei ótimo. Meu problema com este livro é que as crônicas brasileiras são ótimas, uma tradição que provavelmente é inigualável. O Saramago tem a mão pesada demais para o gênero. Saramago diz que tem um tom "doce-amargo" nas suas crônicas; balela, são apenas amargas mesmo e, principalmente, maçantes. Há algumas lindíssimas (A minha subida ao Evereste, As terras, Os portões que dão para onde?) e lê-se o livro na expectativa que se repitam outros momentos sublimes como estes em meio a tantos queixumes chatíssimos, mas eles não vêm, não vêm. Felizmente, valeu a pena chegar ao fim: a última, A perfeita viagem, é tão inspirada quanto aquelas que me encantaram.