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Gota D'Água: Uma Tragédia Carioca

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Gota d'Água é o título da peça teatral (drama), de autoria dos escritores brasileiros Chico Buarque e Paulo Pontes, escrita em 1975, e publicada em livro homônimo em 1975, pela editora Civilização Brasileira.

A idéia foi originalmente derivada de um trabalho de Oduvaldo Viana Filho, que adaptara a peça grega clássica de Eurípedes sobre o mito de Medéia, para a televisão, e à memória do qual foi dedicada.

No prefácio do livro os autores registram:

"O fundamental é que a vida brasileira possa, novamente, ser devolvida, nos palcos, ao público brasileiro. Esta é a segunda preocupação de Gota d'Água. Nossa tragédia é uma tragédia da vida brasileira."
A montagem original contou com coreografia de Luciano Luciani, cenografia e figurino de Walter Bacci e direção musical de Dori Caymmi, sendo que a direção geral foi de Gianni Ratto.



192 pages, Paperback

First published January 1, 1975

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About the author

Chico Buarque

39 books496 followers
Francisco Buarque de Hollanda is popularly known as Chico Buarque, is a singer, guitarist, composer, dramatist, writer and poet. He is best known for his music, which often includes social, economic and cultural commentary on Brazil and Rio de Janeiro in particular.

Son of the academic Sérgio Buarque de Hollanda, Buarque lived in several locations throughout his childhood, though mostly in Rio de Janeiro, São Paulo and Italy. He wrote and studied literature as a child and came to music through the bossa nova compositions of João Gilberto. He performed music throughout the 1960s as well as writing a play that was deemed dangerous by the Brazilian military dictatorship of the time. Buarque, along with several of his fellow musicians, were threatened by the government and eventually left Brazil in 1970. He moved to Italy again. However, he came back to Brazil in 1971, one year before the others, and continued to record albums, perform, and write, though much of his material was not allowed by government censors. He released several more albums in the 1980s and published three novels in the 1990s and 2000s, all of which were acclaimed critically.

Buarque came from a privileged intellectual family background—his father Sérgio Buarque de Holanda was a well-known historian, sociologist and journalist and his mother Maria Amélia Cesário Alvim was a painter and pianist. He is also brother of the singer Miucha. As a child, he was impressed by the musical style of bossa nova, specifically the work of Tom Jobim and João Gilberto. He was also interested in writing, composing his first short story at 18 years old[1] and studying European literature, also at a young age.[2] One of his most consuming interests, however, was playing soccer, beginning at age four, which he still does today.[2] Though he was born in Rio de Janeiro, Buarque spent much of his childhood in Rio de Janeiro, São Paulo and Italy.

Before becoming a musician, Buarque decided at one point to study architecture at the University of São Paulo, but this choice did not lead to a career in that field; for Buarque often skipped classes.

He made his public debut as musician and composer in 1964, rapidly building his reputation at music festivals and television variety shows when bossa nova rhythm came to light and Nara Leão recorded three of his songs.[3] His eponymous debut album exemplified his future work, with catchy sambas characterized by inventive wordplay and an undercurrent of nostalgic tragedy. Buarque had his first hit with "A Banda" in 1966, written about a marching band, and soon released several more singles. Although playing bossa nova, during his career, samba and Música Popular Brasileira would also be widely explored. Despite that, Buarque was criticized by two of the leading musicians at the time,Caetano Veloso and Gilberto Gil as they believed his musical style was overly conservative.[3] However, an existentially themed play that Buarque wrote and composed in 1968, Roda Viva ("Live Cycle"), was frowned upon by the military government and Buarque served a short prison sentence because of it.[3] He left Brazil for Italy for 18 months in 1970, returning to write his first novel in 1972, which was not targeted by censors.

http://www.jobim.org/chico/

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Displaying 1 - 28 of 28 reviews
Profile Image for Sinara.
47 reviews1 follower
November 23, 2015
Uma obra de arte. Mostra o melhor de uma tragédia grega em um cenário brasileiro, a essência da natureza humana em diálogos, xingamentos e maldições que estamos acostumados e vivenciamos todos os dias.

Em relação à carta introdutória, recomendo leitura crítica e reflexão. De fato tudo isso aconteceu por causa do capitalismo? Neste ponto me dou a liberdade de discordar absolutamente dos autores.

O mito da Medéia existe por causa da loucura, da separação, do desequilíbrio. Ele é mito não por valores morais e econômicos, mas por poder existir e se repetir (de forma triste como referência) em todas sociedades e eras.
Profile Image for Laura Condessa.
18 reviews2 followers
April 26, 2021
Pensava que Chico Buarque seria mais difícil de ler, mas esse livro é delicioso e muito fluido. Não me entediei em nenhum momento! Gosto da estrutura de peças de teatro, mas nunca tinha lido uma que trouxesse um drama tão brasilis: subúrbio do Rio de Janeiro, classe média brasileira, samba e "macumba" sem perder os elementos de traição, vingança e elite versus povo de clássicas tragédias.
Profile Image for Lóri.
28 reviews2 followers
May 23, 2023
Meus avós me deram esse livro porque minha vó leu essa peça há uns 30/40 anos, ficou apaixonada e convenceu meu vô (que estudou por um tempo artes cênicas na juventude, mas acabou tendo que abandonar e fazer um curso que daria um retorno financeiro mais seguro) a dirigir a peça com ela sendo parte da direção também. Aí eles pegaram o pessoal da igreja e montaram a peça, se apresentaram em alguns lugares e participaram de uma premiação do SESC onde eles ganharam prêmio de melhor atriz e melhor ator. Fiquei tão feliz quando eles contaram essa história, muito lindo :) Aí eles me deram o livro e eu li agora! Realmente é muito boa e muito lindo, um pouco "elite intelectual" (~Chico Buarque), mas ainda sim é muito boa :)))
Profile Image for Dario Andrade.
733 reviews24 followers
September 22, 2025
Medeia, de Eurípedes, é uma obra que pode muito facilmente ser transposta para outros cenários. Isso foi feito inúmeras vezes porque a tragédia de Eurípides trata daqueles dramas cotidianos que afetam casais e famílias mundo afora. É só abrir o jornal e se encontra alguém que investe contra a própria família ou contra o cônjuge por questões de amor mal resolvidas. É a vida como ela é, já diria o Nelson Rodrigues. São as paixões profundas que atormentam a nossa alma.
Aqui, Chico e Paulo Pontes ambientam o texto em um bairro popular do Rio de Janeiro dos anos 1970. Os personagens principais têm os mesmos nomes, exceto Medeia, batizada de Joana. Achei um erro. Medeia tinha que ser Medeia.
Em linhas gerais, o enredo segue o de Eurípides. Há, é verdade, um subtexto (explicitado pelos autores na apresentação) que trata da exploração capitalista.
Creonte é o sujeito que explora os pobres que precisam de moradia. A prestação da casa própria aumenta a cada dia e o saldo devedor não para de crescer. Creonte enriquece às custas do povo pobre.
Uma literatura com uma missão. Mais do que Medeia, os autores se preocuparam didaticamente em educar o público a respeito de como o mundo se divide entre ricos maus e opressores e pobres bons e oprimidos.
Jasão é o sujeito que troca de lado. Sai da pobreza ao se casar com a filha de Creonte, o opressor, e se junta à classe dominante.
Medeia não é apenas a mulher abandonada. É a representação da classe oprimida. Fez tudo por Jasão e ao fim é simplesmente chutada quando não tem mais nada a oferecer.
Diga-se, ainda, que o povo não educado na compreensão da luta de classes se deixa facilmente convencer pelas manobras diversionistas da classe dominante. Medeia é abandonada tão logo Creonte, mais uma vez, engana o povo com umas migalhas e mantém as coisas como elas são desde sempre.
A conclusão é diferente daquela que se encontra em Eurípides. Parece sugerir que a revolta individual não serve para nada se as estruturas sociais não são alteradas pela raiz.
Sim, o Jasão de Eurípides é um pilantra, mas a versão moderna de Chico e Paulo Pontes é bem esquemática ao concentrar suas energias na luta de classes. Medeia é mais do que isso. E mesmo que a transposição fosse feita para um ambiente brasileiro, há jeitos mais sofisticados de se tratar das angústias sociais dos seres humanos. Medeia não é só um boneco de forças sociais mais fortes do que ela.
A música é ótima, sugiro que ouçam "Basta um dia", uma pequena pérola da música popular brasileira.
Profile Image for Ana Rossetto.
169 reviews6 followers
May 30, 2021
Que peça! Uma releitura muito bem atualizada de Medeia (de Eurípedes)! Fiquei morrendo de vontade de ter visto a adaptação de 1975 com a Bibi Ferreira e dirigida pelo Gianni Ratto e a de 2019 com o Coletivo Negro e direção do Jé Oliveira!

"Creonte: Vou lhe dizer o que é que é o brasileiro: alma de amrginal, fora da lei, à beira-mar deitado, biscateiro, malandro incurável, folgado paca vê uma placa assim: "não cuspa no chão", brasileiro pega e cospe na placa. Isso que é brasileiro seu Jasão...

Jasão: Não, ele não é isso, seu Creonte. O que tem aí de pedra e cimento, estrada de asfalto, automóvel, ponte, viaduto, prédio de apartamento, foi ele quem fez, ficando co'a sobra. E enquanto fazia, estava calado, paciente. Agora, quando ele cobra é porque já está mais do que esfolado de tanto esperar o trem. Que não vem...." (p. 95-96)

PS. Jasão você é um cretino em todas as versões e essa dramaturgia precisa de um aviso de violência contra a mulher.
Profile Image for malina.
15 reviews
December 20, 2021
um retrato perfeito da realidade brasileira, principalmente carioca eu diria, traduzido na maior tragédia grega já feita, com um texto simplesmente impecável, recheado de referências antigas e atuais de maneira super bem construída.
Profile Image for Maria Morais.
68 reviews3 followers
September 25, 2020
A introdução da edição de 1975, e que tenho aqui, foi um texto que me recomendaram 15 anos atrás, e que talvez mereça ainda mais a releitura hoje. Embora discorde de algumas de suas linhas gerais, o texto faz pontuações contundentes sobre a sociedade brasileira de então, que ainda demoraria dez anos para se livrar da ditadura militar. E também suscita questões que ecoam em nossa situação atual.

O texto da peça foi primorosamente escrito, e as movimentações entre diferentes cenários nos trazem essa constante ideia de uma sociedade agonizante, mas em movimento, que oferece a poucos sortudos a chance de ascender, como foi o caso de Jasão. Ganhamos aqui o prazer imenso de vivenciar a palavra escrita e de observar as interações entre os cenários, as alterações e cruzamentos entre diálogos de personagens diferentes.

No entanto, fiquei a me perguntar se essa visão do que seria "povo" não é deveras romantizada, fixando o pobre nessa ideia de malandro carioca cheio de ginga e riso solto, algo que as novelas da Globo e o programa da Regina Casé souberam solidificar nos últimos anos. A discussão proposta pelos autores de abordar a vida, os problemas e os jeitinhos do povo brasileiro parece ter se tornado muito mais complexa nas últimas décadas, diante do recrudescimento do movimento negro e da literatura que tem surgido das próprias periferias. Não defendo com isso uma desautorizacao dos autores em função de uma falta de lugar de fala, mas acredito que essa imagem da periferia "explodiu" em inúmeras outras direções, e que o próprio cenário armado fica um pouco batido ou datado.

Preocupa-me também o uso da religião de matrizes afro como unicamente uma feiticaria maligna, que tanto atiça os medos antigos dos brancos em relação às religiões praticadas em sua maioria por afrodescendentes brasileiros. Embora entenda as conexões traçadas entre a ideia de Medeia como uma bruxa proveniente de um povo bárbaro, esse tipo de visão limitada de seus poderes é trazido para nossa contemporaneidade sem enriquecer mais o papel da magia, não necessariamente como algo negativo, mas como algo que confere a Medeia/Joana um lugar de sabedoria e poder, e não de primitivismo.

Acho também que todo o poder de Medeia é diluído ao fazê-la suicidar-se juntamente com os filhos, retirando a poderosa cena final da peça original, em que ela foge voando numa carruagem de sol. Tira não só o agenciamento dessa poderosa mulher como mina um pouco as discussões sobre as limitações esmagadoras vivenciadas pela mulher periférica, que de certa forma é tratada como imigrante dentro da sociedade, como um "estranho", tal como Medeia um dia foi. Esse final para mim foi bem frustrante. Ainda não consegui superar a imagem patética da mulher cuja única forma de resistência é o próprio sofrimento.
Profile Image for Ana.
15 reviews
February 22, 2024
Esse livro passou anos viajando nas minhas mochilas e eu nunca li, nunca entendi por que. Até que no final do ano passado eu acabei por acaso indo assistir um adaptação de Medea no teatro, depois, já sem acaso, eu baixei a Medea do Pasolini pra assistir, e quando acabou eu fiquei órfã e advogada dessa mulher. Qual não foi a minha surpresa quando, indo ler as cinco primeiras páginas desse livrinho como fiz tantas vezes, eu descubro mais um Jasão alí, perfeitamente adaptado, já que universal. O cinismo tem me interessado muito, mais do que os destemperos que dele explodem. Gosto dessa versão porque aqui o samba embala o cinismo masculino mas também une a comunidade, nada é simples.
1 review
March 31, 2024
Peça mais intrinsecamente certeira visando questões sociais, dinâmicas de personagens e conceito de teatro épico. A conversa entra o classicismo da tragédia grega “Medeia” e contemporaneidade do espaço “morro”, junto com o destaque dos preconceitos estruturais cria uma historia não só envolvente, como comovente.

Jasão é a perfeita representação do pobre que não enxerga sua própria realidade, ingênuo, acha que lucro vem acompanhado de empatia e não enxerga a dor da subalternidade das mulheres.
Profile Image for Cami.
87 reviews1 follower
September 13, 2021
A melhor peça trágica à representar o brasil. Chico consegue demonstrar em cada estrofe o sangue, o suor e a injustiça na pele dos brasileiros; permeando ainda os trejeitos célebres de sua prosa poética.
Profile Image for André Amorim.
74 reviews
October 11, 2022
A tragédia grega em cenário brasileiro: definitivamente uma das minhas peças de teatro favoritas. Gosto, sobretudo, de como a obra é humana e discute questões importantes. Quase 50 anos depois, continua sendo um texto relevante e atual.
Profile Image for Eduardo Spieler.
28 reviews1 follower
September 23, 2020
Mergulhei no disco Construção e em Gota d'Água durante uma semana. Me deparei com um Chico, nos anos 70, em plena ditadura militar, escrevendo de forma sútil e inteligentíssima, com talento e voz para o enfrentamento. Sinto que ao contrário do que toda propaganda positivista transmitia, o Chico ouvia, duelava, compunha e conseguia representar algo mais real. Com ele, por meio dele, repetindo que o pior ia passar e amanhã seria outro dia.
Profile Image for Luana Fortes Miranda.
46 reviews19 followers
January 28, 2015
Antes da peça, Paulo Pontes e Chico Buarque apresentam o livro como um ensaio de retomar a vida do povo nos palcos, após a ruptura entre as artes pela elite intelectual e as artes da cultura popular na consolidação do capitalismo selvagem em terras tupiniquins.

Sob a manchete de jornal da morte da ex-mulher ("assassinou os dois filhos e se matou"), a peça apresenta um sambista que troca seu povo, esposa, filhos, pela tranquilidade da vida de classe média alta. O malandro despe-se do remorso e da consideração e recebe a exploração do povo como labuta, mantém a pose de pai para os dois filhos mas deixa-os ao relento, se diz amigo mas inventa artimanhas de lucrar sobre seus compadres - e, entre estas contradições, se separa da classe subalterna e se casa com a classe dominante.

Através de palavras versadas, a peça revela uma classe média que, ascendendo socialmente, rompe com o povo - e é pela denúncia desta quebra entre relações que os autores procuram, com êxito, reatar a arte elitizada do palco com o povo.

"Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água"
Profile Image for LF Cunha.
5 reviews
December 7, 2023
Ah, as palavras do Chico... Como é lindo o texto dessa peça e a música título é um primor, acho q nunca vou me esquecer da "Gota d'Água" principalmente por causa dela. Essa canção sempre vai me retornar a mente quando eu passar por alguma situação na qual eu esteja à beira do transbordamento, tenho certeza.

O final em si não me chamou tanta atenção, mas fiquei fascinado pelos personagens Joana e Jasão - a evolução deste, como mexeu comigo. Quem sabe um dia eu veja essa peça encenada, quem sabe...

Por fim, queria comentar que o Jasão do elenco da montagem original, um jovem Roberto Bomfim, deve ter sido perfeito no papel. A aparência dele, para mim, é a epítome do estereótipo do malandro carioca.
Profile Image for Caio Silva.
38 reviews1 follower
March 15, 2016
Livro com um final digno de tragédia, até por que a inspiração em Eurípedes deu muito certo. Fantástico e com poucos erros que seriam facilmente corrigidos, ele mostra um lado da "meritocracia" que é conhecido por poucos.

Conta ainda com a genialidade poética do Chico:

"Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção
-faça não
Pode ser a gota d'água"
Profile Image for Maria Celina.
91 reviews16 followers
April 1, 2019
Belíssima transposição de medeia para o subúrbio carioca dos anos 1950/1960
Displaying 1 - 28 of 28 reviews

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