Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura. Publicado pela primeira vez em 1978, terra e infância impõem-se neste livro como mito de uma idade passada, memória doutro rio, sob a forma de poema em prosa. Como nos diz Fernando Guimarães, no prefácio a esta edição, «"Memória Doutro Rio", que foi publicado em 1978, recolhe 51 poemas em prosa. Note-se desde já que os poemas em prosa no caso deste livro podem ser mesmo considerados apenas como poemas, porque neles há uma intensificação expressiva, uma concentração de figuras, desde a imagem à metáfora, e um ritmo que dispensa essa distinção um pouco especiosa. Na obra do poeta aparece mais um livro com poemas em prosa, "Vertentes do Olhar", e um relativamente longo poema também em prosa no final de "Rente ao Dizer", o qual se intitula "Cântico". Os dois livros citados e este poema situam-se, na obra de Eugénio de Andrade, entre 1978 e 1992. No entanto, já num livro de 1950, "Os Amantes Sem Dinheiro", aparece como seu limiar um texto em prosa que ganha uma entonação memorialista, o que, como veremos, irá atingir uma maior amplitude mais tarde. Será sem dúvida no presente livro, isto é, cerca de trinta anos depois.»
The Portuguese poet Eugénio de Andrade, pseudonym of José Fontinhas, is revered as one of the leading names in contemporary Portuguese poetry. His poetry is most striking for the depth of his short poems. One of Eugénio de Andrade's most known poems is his Poem to Mother. In 2001, he received the Portuguese award Prémio Camões.
Let us also note that the poem's title, as mentioned, is the same as the book. Does the book see itself in that mirror, on that surface where any face can be found as if it were the water of the same or other rivers? The poem in question is the fourth in the book, almost occupying its threshold, having the particularity of being preceded by another, entitled «The goats,» where there is a circumstance that seems to be essential for the reading of this work: both refer to to the author's childhood, which would allow us to bring them closer in a more direct way to that literature of the self that we have already referred to.
Chamam-lhe poeta do campo, do natural, do descritivo. Mas que mal tem isso?
Entre DO OUTRO LADO e SOBRE A SOMBRA penso que se pode traçar um homem, um perfil - "(...) mas não me peças a mim, que só conheço os caminhos da sede, que te mostre a direcção das nascentes." e "a pergunta é sempre a mesma - como se morre? Envelhecer não é assim tão simples, por mais que o digam. Quantos dias de sol o declínio nos reserva? Por quanto tempo poderemos amá-los, a esses jovens, sem os ofender? Esta alegria de noutros corpos sermos ainda alguma juventude, como guardá-la, sem a degradar?"
e em VASTOS CAMPOS temos o culminar do homem do livro, José que tem sede mas não desejo, envelhecido, embrutecido mas frágil.