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Brasil dos humilhados

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Neste livro, Jessé Souza demonstra com clareza nosso real lugar no mundo e apresenta a importância de compreender como nossa elite intelectual, submissa à elite do dinheiro, construiu uma imagem distorcida do Brasil disfarçando todo tipo de privilégio injusto.   Em um texto elucidativo e de fácil leitura, Brasil dos humilhados descortina as bases elitistas do pensamento social brasileiro dominante que culpa o povo, supostamente inferior e corrupto, pelo seu próprio abandono. Além disso, expõe como as elites econômicas e políticas se apropriam dessa “inteligência” para aumentar seus domínios sobre a população e dinamizar seus ganhos. Sabemos que é difícil explicar o Brasil, país de extensas riquezas e de sociedade abissalmente desigual. Quando recorremos às respostas oferecidas pela ciência social brasileira desde 1930, lidamos com visões hegemônicas sobre nós mesmos que são usadas pela elite e sua imprensa para nos descrever como mais desonestos, mais feios e mais burros que os habitantes do Norte global, como se estivéssemos amaldiçoados a reproduzir tipos sociais inconfiáveis. Essa visão provinciana e depreciativa do povo brasileiro foi determinada pelas ideias dos intérpretes mais importantes do país, como Sérgio Buarque de Holanda, e trazida até a atualidade por outros pensadores fundamentais, como Raymundo Faoro e Roberto DaMatta, influenciando a maior parte da inteligência nacional até hoje. Com a legitimação científica, a “tolice da inteligência brasileira” – expressão irônica de Jessé Souza para se referir a essas leituras enviesadas do nossopensamento social – se alastrou por toda a sociedade: das elites industr

Paperback

Published January 1, 2019

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About the author

Jessé Souza

42 books130 followers
Jessé José Freire de Souza is a sociologist, university professor and Brazilian researcher who works in the areas of Social Theory, Brazilian Social Thought and theoretical / empirical studies on inequality and social classes in contemporary Brazil. He is the author of the books 'A Ralé Brasileira', A Radiografia do Golpe', 'A Elite do Atraso' and 'A Classe Média no Espelho'.

Graduated in Law from the University of Brasília (1981), he completed his Master's degree in Sociology from the same institution in 1986. In 1991, he obtained a PhD in Sociology from the Karl Ruprecht Universität Heidelberg (Germany), where he obtained free teaching and PhD in the same discipline at the Universität Flensburg in 2006. He also did postdoctoral studies in Sociology at the New School for Social Research, New York, (1994/1995).

From 2009, Souza undertook sociological research across the country to confront the thesis that a "new middle class" had emerged in the country. The result was the configuration of new nomenclature, namely, "ralé", "batalhadores", "classe média" and "elite", the latter two having privileges that the first two do not have.

He wrote and organized 22 books in Portuguese, English and German on political sociology, peripheral modernization theory, and inequality in contemporary Brazil. He is currently a full professor of political science at the Fluminense Federal University, in Niterói, Rio de Janeiro.

On April 2, 2015, he was appointed by the Presidency of the Republic to the position of president of the Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea (Institute of Applied Economic Research), formerly occupied by Sergei Suarez Dillon Soares, but resigned in 2016 shortly after Vice President Michel Temer temporarily took over presidency.

The importance of the scientific production of Jessé de Souza to different fields of study in Brazil, mainly to sociology, is important in the discussion of expensive subjects, both for the political, social, economic and cultural spheres, and for the academy that produces knowledge who aspire to disclose content not given to them.

He is currently writing articles for Carta Capital magazine.

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Profile Image for Marcus Vinicius.
246 reviews11 followers
July 9, 2022
Compreendendo nossa Desigualdade
Nesta segunda edição do livro "A Tolice da Inteligência Brasileira" (2015), Jessé Souza expõe de forma mais completa sua tese segundo a qual "... embora a forma da justificação da dominação social no Brasil mude, e assuma, crescentemente, uma feição 'cultural' e não mais racial, o seu núcleo de culpar o próprio povo pela própria pobreza e atraso se mantém até hoje sob novos disfarces" (p. 19). Para tanto, aborda as obras de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Raimundo Faoro e Roberto DaMatta. Sua interpretação do que sustentaram esses autores é melhor desenvolvida nesta "segunda edição", sendo perceptível sua intenção de abordar algumas críticas que recebeu. A exposição que faz das ideias de autores centrais ao seu pensamento (Max Weber, Florestan Fernandes, Charles Taylor, Norbert Elias, Pierre Bourdieu e Axel Honneth, dentre outros) é mais cuidadosa, a fim de transmitir ao leitor com clareza como se articulam. A crítica de Jessé Souza ao trabalho da "Inteligência Brasileira" é bem fundamentada. A demonstração de seu "ponto central" - "assumir a escravidão e sua continuidade e não a suposta maldição cultural da suposta tradição corrupta ibérica e luso-brasileira como nossa verdadeira tradição cultural" (p. 221) - funda-se na consideração das ideias expostas pelos "intérpretes do Brasil" e nas informações obtidas em estudos das classes populares que o autor coordenou. Livro essencial para entendermos a sociedade brasileira.
Profile Image for Henrique Cassol.
137 reviews2 followers
July 17, 2023
Neste mais recente livro, Jessé Souza analisa detalhadamente o que havia introduzido nos últimos capítulos de “Elite do Atraso”, onde ele faz uma dura crítica aos intelectuais que moldaram a sociedade, desde o vira-latismo à miscigenação, representados por figuras como Freyre, Faoro, DaMatta e Buarque de Holanda.
Para o sociólogo, esses pensadores introduziram conceitos que desvalorizam o povo brasileiro, retratando-o como inferior e carente de virtudes, o que leva à perpetuação de uma ideologia elitista. Essa visão que culpa o povo por sua fraqueza e debilidade abre caminhos para uma dominação massiva dos meios de comunicação, da redução de programas de assistência social e de privatização e precarização de bens públicos.
Entre as críticas, destaca-se a ideia de que esses intelectuais teriam promovido um "racismo culturalista", que fundamenta uma visão racista e elitista no Brasil. Esse racismo se refletiria na maneira como o Estado e seus agentes atuam, favorecendo os interesses dos amigos e criminalizando o povo e seu voto para justificar a privatização dos bens públicos sem limites.
O conceito de "homem cordial", apresentado por Buarque de Holanda, é também criticado por esconder os conflitos sociais e não reconhecer as diferenças de classe no país. Jessé argumenta que esse conceito contribui para perpetuar a desigualdade social e o abandono de grande parte da população brasileira, que vive em condições precárias e mal remuneradas. Onde o Estado e seus agentes passam a agir como o homem cordial, “dando tudo aos amigos e reservando aos inimigos a letra dura da lei”. Em outro exemplo, DaMatta introduziu o conceito de ‘jeitinho brasileiro’, que apenas mascara a verdadeira crítica que é o acesso privilegiado ao que compõe o ‘capital social’ e ao ‘capital impessoal’ que algumas classes sociais dispõem.
Em suma, de acordo com o ponto de vista do autor, esses importantes pensadores brasileiros criaram preconceitos e perpetuaram um racismo contra o próprio povo, culpando as vítimas por seu abandono e perseguição, o que permitiu que a elite continuasse a explorar e saquear a população. Como o grande inimigo da elite do saque é o voto e a participação popular, a criminalização do povo e do seu voto é a arma mais importante para a justificação da privatização sem peias da riqueza de todos.
No entanto, é importante lembrar que essa é apenas a perspectiva de Jessé Souza, e outras análises podem ter abordagens diferentes sobre a obra desses intelectuais e suas contribuições para a compreensão da sociedade brasileira.
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