Editado em 1923 e estreado no Teatro Politeama, a 1 de Março de 1926, numa «récita única» a favor dos vendedores de jornais, O Doido e a Morte, elogiado por José Régio e Miguel Torga é, porventura, a melhor obra de Raul Brandão e reveste-se de enorme relevo no panorama teatral português, à época dominado pela baixa comédia, pelo drama popular, a Opereta e a Revista e também pelos subprodutos do Teatro Francês. A acção de O Doido e a Morte desenvolve-se num contexto marcado pela degradação da vida social e política da República.
Raul Germano Brandão (Foz do Douro, March 12, 1867 – Lisbon, December 5, 1930) was a Portuguese writer, journalist and military officer, notable for the realism of his literary descriptions and by the lyricism of his speech. Brandão was born in Foz do Douro, a parish of Porto, where he spent the majority of his youth. Born in a family of sailors, the ocean and the sailors were a recurrent theme in his work.
Brandão finished his secondary studies in 1891. After that, the joined the military academy, where he initiated a long career in the Ministry of War. While working in the ministry, he also worked as a journalist and published several books.
In 1896, Brandão was commissioned in Guimarães, where he would know his future wife. He married in the next year and settled in the city. Despite living in Guimarães, Brandão spent long periods in Lisbon. After retiring from the army, in 1912, Brandão initiated the most productive period of his writing career. He died on December 5, 1930, age 63, after publishing a profuse journalistic and literary work.
Published works:
1890 - Impressões e Paisagens 1896 - História de um Palhaço 1901 - O Padre 1903 - A Farsa 1906 - Os Pobres 1912 - El-Rei Junot 1914 - A Conspiração de 1817 1917 - Húmus (1917) 1919 - Memórias (vol. I) 1923 - Teatro 1923 - Os Pescadores 1925 - Memórias (vol. II) 1926 - As Ilhas Desconhecidas 1926 - A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore 1927 - Jesus Cristo em Lisboa, with Teixeira de Pascoaes 1929 - O Avejão 1930 - Portugal Pequenino, with Maria Angelina Brandão 1931 - O Pobre de Pedir 1933 - Vale de Josafat
Lido para a disciplina de Literatura Portuguesa. Obra existencialista que acaba por reflectir na condição humana, com ironia por detrás das personagens, a forma como as mesmas não cumprem o seu dever e como, numa situação de desespero, todos os segredos pessoais deixam de o ser. Uma leitura rápida e simples, sem muito mais a dizer.
ler “ai o grande filho da puta!” em voz alta a frente da stora de literatura e da turma toda foi o ponto alto do meu ano letivo. viva à literatura portuguesa!❤️
Li esta obra como parte de uma antologia de Raul Brandão (A Vida e o Sonho), onde se insere o texto integral. Devo confessar que de todas as obras de Raul Brandão esta foi a que menos me impressionou... É uma peça de teatro curta, cuja premisa base é a de um "doido" que entra no escritório de um governador civil e se propõe explodir uma bomba que rebentaria com ambos.
Numa peça que se passa rápido, rapidamente se revela que dos dois o doido é o mais racional e o governador o mais louco. Embora existam algumas reflexões sobre a "ninharia da condição humana", faltou-me que as levasse mais além, faltou-me a profundidade filosófica a que me habituou Raul Brandão... essa que se vê em Húmus ou até mesmo em outras peças de teatro dele como O Avejão. Também não achei nele a beleza lírica ou as estórias impactantes d'Os Pescadores. Em resumo: de Raul Brandão, há muito melhor...
Depois de ler o O Gebo e a Sombra na aula de Literatura Portuguesa, senti imensa vontade de ler mais obras do autor. A minha primeira impressão da obra de Raul Brandão foi extremamente positiva. O Gebo e a Sombra é uma obra extremamente bem conseguida, com um conteúdo social e humanístico assumido e uma história, também ela, bastante boa. O texto dramático é, de todos, o que menos me fascina e penso que essa tenha sido a única obra desse género que realmente gostei (recomendo, também, o filme homónimo de Manoel de Oliveira, estreado no ano passado, cuja adaptação é 100% fiel). Agora, que voltei à obra de Raul Brandão, posso dizer que, embora não tenha gostado tanto como o anterior, foi uma agradável leitura! Espero voltar a ler mais obras deste escritor em breve. O Húmus e A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvorejá estão à espera na estante! :) 3.5*.
os livros, as peças, a arte enfim só vale pelo que nos sugere. O que lá está em regra não presta para nada; o que cada um de nós constrói sôbre a linha, a côr, e o som, é que é verdadeiramente superior.
Saiba morrer quem viver não soube.
O doido pode andar de chinelos de ourelo pelo Chiado. Ninguém repara. Quem tem juízo vive constrangido e está sujeito a mil complicações.
Eu simplemente ADOREI esta obra! Esta teve uma forma incrível de prender me na sua leitura utilizando uma crítica bem construída que engloba até um lado filosófico. Simplemente brilhante!
Umas das peças simbólica de Raul Brandão que critica a sociedade e o poder através do confronto entre loucura e razão. Questiona a realidade, a hipocrisia social e o sentido da existência num tom poético e provocador.