"Um Sonho Só Nosso" não é, de todo, um dos melhores livros do Nicholas Sparks.
Atrevo-me a dizer que é daqueles que, se não lesse, também não faria falta, porque é mais do mesmo, e pouco marcante, quando comparado com outras obras do autor.
Ao mesmo tempo, é um livro estranho e, por isso, foi uma leitura estranha também.
O livro está dividido em duas histórias que, sabemos, são aparentemente distintas mas, a determinado ponto, irão convergir numa só.
A primeira parte inicia com a história de Colby e Morgan, que se conhecem na Florida, e se apaixonam.
Em comum, têm o gosto pela música.
Mas cada um deles tem vidas completamente opostas, e aquela aventura poderá não passar disso mesmo, já que dali a uns dias cada um seguirá a sua vida, os seus projectos, e uma relação à distância não parece boa ideia.
Intercalando com esta história romântica, surge uma outra, que de romântica tem muito pouco.
Uma história de sobrevivência.
Uma mãe e um filho em fuga, de um marido e pai violento.
Eu, habituada que estou a quebrar as "regras de leitura", de várias formas, uma delas, ler o final antes de lá chegar, dei por mim, agora, a quebrar mais uma: saltar capítulos/ partes do livro, porque me interessou muito mais a história de Beverly, do que a de Colby e, por isso mesmo, queria ler aquela até ao fim, deixando a primeira para trás.
Até que cheguei a um ponto em que a história de Beverly fica em suspenso, e percebo que tenho que voltar à do Colby, até encontrar o ponto em que ambas se unem, e se tornam uma só, até ao final.
E, embora possa ter deduzido ou desconfiado de uma ou duas coisas, estava longe de imaginar o que resultaria daquela junção.
"Um Sonho Só Nosso" tem um enredo onde se destaca a relação, amor e dedicação incondicional entre irmãos, independentemente de tudo. Irmãos que se têm um ao outro, e se apoiam mutuamente, ainda que em diferentes fases da vida. Que estão sempre lá.
Aborda também a bipolaridade, os episódios maníacos e depressivos que alguém, que sofra desta doença, pode experimentar, e os riscos que podem correr.
E, claro, como não poderia deixar de ser, fala de sonhos.
Sonhos que, por circunstâncias da vida, não se podem levar adiante. Que ficam perdidos. Aprisionados.
Sonhos que boicotamos, quando deveríamos tentar concretizá-los. Que só esperam por um impulso. Um empurrão.
Sonhos que se guardam, num cantinho especial. Que visitamos quando queremos fugir à realidade. Quando esta se torna demasiado dura. Pesada.
Sonhos aos quais não temos coragem de arriscar dar-lhes asas, por temer que não consigam voar e encontrar o seu caminho, e se desfaçam pelo meio.
E que, assim, mantemos apenas como uma memória. Uma recordação que dura eternamente, sem nunca ser real, e sem nunca a vivermos, de verdade.
De qualquer das formas não poderia deixar de ler sendo o Nicholas Sparks um dos meus autores preferidos.