O Espírito da Floresta de Davi Kopenawa e Bruce Albert é uma leitura que provoca emoções conflitantes, de um lado temos um tema extremamente interessante e rico, do outro uma escrita que em muitos pontos não se destina exatamente a não iniciados. Uma pesquisa porém ao primeiro livro dos autores largamente citado na obra esclarece algumas coisas.
A Queda do Céu, primeiro livro dos autores é um calhamaço de mais de 700 págs, daí pode-se concluir que este propõe-se, ainda que posterior, ser uma versão condensada daquele, acrescido de alguns pontos. Tal ensejo porém é um tanto prejudicado pela dificuldade inicial de um dos autores em se dirigir ao leitor comum. Ou talvez de fato este não seja um livro destinado ao leigo.
As vozes dos autores não poderiam ser mais díspares, Davi possuí toda uma lírica objetiva, que Bruce tenta traduzir para o acadêmico, que para o leitor não iniciado torna-se um desafio. Aos poucos porém Bruce também se torna mais acessível e a leitura flui muito melhor, o leitor até consegue superar o ranço inicial contra aquele “branco europeu” metido a superior. Aos poucos é possível perceber uma real reverência para com a cultura yanomami.
Dito isso é um livro fascinante, denso sim, mas que apresenta ao leitor uma cosmologia tão “alienígena” que principalmente nos primeiros capítulos é difícil acompanhar. Inclusive talvez valha a releitura desses primeiros capítulos após a conclusão da obra, com o leitor já mais familiarizado ao tema.
O Espírito da Floresta é uma obra riquíssima, mas que vai exigir um pouco de paciência do leitor e provavelmente vai despertar a curiosidade para a leitura do livro anterior A Queda do Céu. Cabe dizer também que o livro possuí larga base de referências e textos para consulta externa para o leitor que queira de fato mergulhar no tema.