Em Praça de Londres reúnem-se 5 contos de Lídia Jorge. Além do conto que dá o título à recolha, dela ainda fazem parte «Rue du Rhône», «Branca de Neve» e «Viagem para Dois», narrativas já antes publicadas. O último conto, «Perfume», é um inédito que a autora dedica ao realizador turco Yilmaz Güney, autor do filme Yol.Trata-se de uma espécie de réplica à história de amor que esse filme narra, transplantada para uma outra geografia humana. Praça de Londres tem como subtítulo Cinco contos situados por se tratar de narrativas inscritas em espaços urbanos reconhecíveis e por invocar instantes de vida marcantes, colhidos do quotidiano normal. De um modo geral, o tom destas cinco narrativas oscila entre o intimista e o irónico. A questão da inocência e da perda é um dos temas que lhes dá unidade. «Diz uma velha canção que no fundo de uma garrafa se encontra a vida de um homem, e por certo que assim acontece desde que se inventou a fermentação do malte. Mas no meu caso basta-me um só copo girando no fundo da mão, duas boas pedras de gelo e a noite a cair sobre o lobby vulgar de um hotel, para começar a lembrar-me daquele dia em que uns certos amigos do meu pai entraram em nossa casa brandindo uma garrafeira completa, criaram um alvoroço em nome de alguma coisa que tinha a ver com vingança, e só depois dessa enorme desordem partiram entoando a canção do esquecimento como se estivessem perdidos de bêbados. E no entanto, não precisavam de ter vindo gerar aquele entretenimento forçado para compreendermos a situação em que nos encontrávamos. Por que precisaríamos?"
LÍDIA GUERREIRO JORGE nasceu em Boliqueime, Loulé a 18 de Junho de 1946. Concluído o curso de Filologia Românica, dedicou-se ao ensino liceal (Angola, Moçambique e Lisboa). Publicou os romances O Dia dos Prodígios (1980, Prémio Ricardo Malheiros), O Cais das Merendas (1982, Prémio Literário Município de Lisboa), Notícia da Cidade Silvestre (1984, Prémio Literário Município de Lisboa), A Costa dos Murmúrios (1988), A Última Dona (1992), O Jardim Sem Limites (Prémio Bordalo, 1995), O Vale da Paixão (Prémio D. Dinis, 1998), O Vento Assobiando nas Grutas (2002, Grande Prémio do Romance e Novela da APE/DGLB), Combateremos a Sombra (2005, Prémio Charles Bisset) e A Noite das Mulheres Cantoras (2011); os livros de contos A Instrumentalina (1992), Marido e Outros Contos (1997), O Belo Adormecido (2004) e Praça de Londres (2005); a peça de teatro A Maçon (1993) e o ensaio Contrato Sentimental (2009). Os seus romances são constituídos por vários planos narrativos, onde o fantástico coexiste com o real, e os problemas sociais colectivos são postos em relevo através de figuras humanas com dimensão metafórica e mítica. Foi condecorada, pela Presidência da República, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 2005.
Atravessados por uma certa ingenuidade ou inocência, estes contos são exemplo de uma escrita eficaz, competente, inteligente, e não menos singular. São de algum modo exemplares, escritos em cadência a alternar entre o allegro e o molto vivace, embora possam também ser saboreados num tempo mais largo. É esse o gosto da escrita de Lídia Jorge, que da competência faz a sua força e o seu brilhantismo, alternando ritmos, vozes, espaços e histórias num modo mais contemporâneo que moderno, que é maneira de dizer que a autora não faz como os outros: faz o que quer e está muito bem assim.
Esta leitura fiz parte dum desafio online "Abril Contos Mil". Já li um livro de Lídia Jorge que me custou muito. Quatro (?) anos e tal depois, com mais experiência, achei este livro mais fácil mas ainda houve muuuuiiito vocabulário desconhecido. A taxa de agarramentos do dicionário foi muito elevada, comparado com Contos do Gin-Tonic (o livro PT anterior) por exemplo. Mas gostei? Quase esqueci-me de dar a minha opinião. Sim, bastante. Ela escreve bem. Então... Isto chega? Boa.
Lídia Jorge é uma escritora sobre a qual ainda não me consegui decidir. Gosto? Não gosto? É-me indiferente? Não sei... Li, há já alguns anos, "O Vento Assobiando nas Gruas", e sou incapaz de dizer sobre o que é. Tenho ideia de uma personagem feminina um pouco estranha mas tudo o resto é uma névoa. Lembro-me que até gostei do livro, que o achei um pouco confuso, ou estranho, mas não fiquei com má impressão. O facto de não ter a certeza se li mais algum dela é a razão pela qual me sinto um pouco baralhada. Quase juro que já li "O Vale da Paixão", mas a sinopse não me diz nada, absolutamente nada... Enfim, já passaram muitos anos e já sabemos que a memória nem sempre colabora, pelo que decidi que "Praça de Londres" vai passar a ser o meu primeiro livro de Lídia Jorge, o passado foi apagado (o pouco que ainda permanecia).
"Praça de Londres" é uma colectânea de pequenos contos. Cinco contos que têm como fio condutor o desejo e a perda. O desejo de pertencer, de possuir, de triunfar, de sobressair. A perda da inocência, a perda de alguém e a descoberta de que a esperança é ultima a morrer, porque muitas vezes o que parece nem sempre é.
Gostei das histórias e da capacidade de Lídia Jorge fugir ao óbvio, a escrita não é linear, o que nos conta não é comum e as personagens são diferentes (no bom sentido). Para primeira incursão, consciente, na obra de Lídia Jorge posso dizer que fiquei com vontade de ler algo mais elaborado, que lhe dê mais espaço para crescer.
Gostei e recomendo. É uma leitura mais que agradável. :)
The collection of short stories is extremely well written and is, no doubt, a LITERARY piece. Yet, somehow, it did not touch my heart. Somehow, certain authors turn everything into style and technique, and then the real message that should be coming through somehow does not transpire from what has been so carefully written. Of course one or two moments are also inspiring, especially the end of the last story. But some of the stories seem a bit artificial. I do not wish to be unfair, but somehow if I gave four stars just because it is a known Author, I would be unfair to many other books, whose Authors may be as well know (or even less well known) but who deeply touched mu heart.
Cinco contos unidos pelas diferentes localizações geográficas, mas que poderiam ter-se unido pela capacidade de contar uma coisa, descrevendo outra. A prosa de Lídia Jorge é, nestas páginas, sentimental. Quase arrebatadora, não fosse a sobriedade que sempre pressinto como acanho no que leio dela. Sendo um título que encontrei por acaso, preencheu-me as noite de emoção.
Lídia Jorge tem uma escrita inteligente. Alguns apontamentos de humor requintado; não propriamente aquele que nos leva ao chão, mas aquele que nos prega um sorriso na boca. Um sorriso com alguma malícia e perversidade. Talvez porque nestes contos parece existir um fio condutor: uma tentação, um pecado. A sua escrita conquistou-me. Neste livro contam-se histórias simples, pautadas por uma sensação de procurar (ou definir) um certo moralismo (sem, com isso, levantar muitas ondas).
Only read a couple short stories for the university, but as I can't find two of them anywhere and I'm certainly not buying the book as I don't appreciate Portuguese writers that much it'll be forever unfinished.