"É preciso ver que eles vivem num mundo adormecido. Há muito que desapareceram os sinais de vida. As pessoas habituaram-se de tal maneira aos hábitos que se esqueceram que havia outras maneiras de fazer as coisas. Ninguém desobedece. Ninguém ousa. É o século XXI. É o Ocidente. Tudo está realmente resolvido. Mas não resta ninguém para se irritar com isso". "A Vida Inteira", livro de Miguel Esteves Cardoso, fala-nos dos devaneios amorosos e questões existenciais do ser humano. Nesta obra, o narrador, personagem crucial no texto, é uma alma, já anciã, que vagueia por objectos e corpos humanos. Subitamente, a alma apaixona-se por Eva, rapariga com uma mente complicada e perseguida por um episódio do passado que não consegue de todo esquecer. No fundo, o livro, através das almas do narrador e de Eva, trata do mais forte desejo carnal sob ambas as perspectivas, perversa e inocente.Pela mão dos versos de Camões, lidos por Eva, apercebemo-nos da dimensão da vida e do ser humano, como ser profundo e libidinoso. A Vida Inteira de Miguel Esteves Cardoso
Miguel Esteves Cardoso is a Portuguese writer, translator, critic and journalist. He's a well known monarchist and conservative.
Miguel was born in a middle class family in Lisbon. His father, Joaquim Carlos Esteves Cardoso, was Portuguese and his mother, Hazel Diana Smith, was English. He had a good education and the advantage of a bilingual and bicultural upbringing, helping him to develop an outsider's detachment from the culture of his birth country. In 1979, he graduated from Manchester University in political studies and four years later, in 1983, he received his doctorate in Political Philosophy. While there he made contact with some of the New Wave bands of the Factory records like Joy Division or New Order.
In 1981 Cardoso became the father of twin girls. One year later he returned to Portugal, where he worked as an assisting investigator of the Social Studies Institute on the Lisbon University. He later became a supporting teacher of political sociology in ISCTE and then returned to Manchester University for a postdoctorate in Political Philosophy oriented by Derek Parfit and Joseph Raz.
A obra inicia-se com um prenúncio de morte. Mau augúrio! Geralmente não gosto de romances que iniciam ou terminam com a morte. Soam-me a cedência ao facilitismo, onde tudo acontece devido àquele evento, ou para nele desaguar. No entanto, Miguel Esteves Cardoso logo dá a volta ao leitor e apresenta-nos uma história inovadora, onde a Alma é a personagem principal e todas as outras são meros artifícios do seu relatório. Com a sua escrita livre e sarcástica, MEC presenteia-nos com as suas visões sobre o amor, as mulheres, os rapazes, a família, a sociedade, e todas as suas visões são deliciosas. Não existe lugar a incongruências, pois uma vez que a personagem principal é mutável, também as suas ideias o são. O que é certo é que em "A Vida Inteira", ficamos do principio ao fim agarrados a Eva, e quase que posso jurar que também eu me apaixonei por ela.
A obra inicia-se com um prenúncio de morte. Mau augúrio! Geralmente não gosto de romances que iniciam ou terminam com a morte. Soam-me a cedência ao facilitismo, onde tudo acontece devido àquele evento, ou para nele desaguar. No entanto, Miguel Esteves Cardoso logo dá a volta ao leitor e apresenta-nos uma história inovadora, onde a Alma é a personagem principal e todas as outras são meros artifícios do seu relatório. Com a sua escrita livre e sarcástica, MEC presenteia-nos com as suas visões sobre o amor, as mulheres, os rapazes, a família, a sociedade, e todas as suas visões são deliciosas. Não existe lugar a incongruências, pois uma vez que a personagem principal é mutável, também as suas ideias o são. O que é certo é que em "A Vida Inteira", ficamos do principio ao fim agarrados a Eva, e quase que posso jurar que também eu me apaixonei por ela.
#8 - A vida inteira - Miguel Esteves Cardoso Nota:6(1-10)
Ler Miguel Esteves Cardoso é sentir-me em casa, porque o seu registo inconfundível nunca nos desilude. "A Vida Inteira" apresenta um narrador original, que deambula entre questões emocionais e existenciais, levando o leitor a olhar para dentro de si. É uma leitura fluída, que quase se faz num sopro, porque neste diálogo próximo não deixamos de ser colocados em perspetiva.
MEC: Segunda tentativa. Talvez tenha tido azar na primeira escolha mas descubro que não. Não consigo gostar da sua escrita, das suas frases com cinco palavras cada... E a ideia de ter uma alma como narrador até me prendeu de início, achei original. Mas nem isso me cativou...
Só tinha uma experiência com MEC fora das crónicas (com O Amor é Fodido) e, sinceramente, por este livro, podia ter-me mantido assim. É uma história meio alucinada e não funcionou para mim. Se calhar vou mesmo ficar-me pelas crónicas.
Eva lembra-se de tempos felizes que passou com Carlos. Não, Eva, não! Que erro é lembrar. Então os bons tempos, que só fazem mal. Sabiam que a memória é apenas um recurso? Quando falha a corrente contínua da alma, arranca o gerador antigo. Mas as pessoas menos dadas à alma, mais desconfiadas do pre-sente, estão sempre a dar à manivela.
«amo-te» não é como «bom dia». não se pode responder com as mesmas palavras.
este livro demorou horrores a ler. a história de uma alma que salta de corpo em corpo e, como narradora, nos conta sobre uma rapariga de 20 anos cujo namorado está em coma, enquanto ela se diverte com vários outros candidatos. sem grande seguimento, a história continua ao longo das páginas, perdida, sem grande nexo, e sem muito que se aproveite, salvo algumas quantas frases brilhantemente escritas.
"Não é fácil ser alma. Tem vantagens. Posso entrar na pessoa que quiser e fazê-la falar e mover-se como se fosse uma marioneta." É desta forma que Miguel Esteves Cardoso nos introduz a história da alma de um rapaz, em coma, que pretende conquistar uma rapariga: Eva. As duas personagens são estranhas. A primeira, a alma que entra em qualquer corpo e objecto, confunde-se a si própria quando pensa sobre algo. É capaz de falar de alhos e de seguida em bugalhos. A rapariga é uma sem vontade de viver, de amar. Apenas existe. Ao longo da narrativa vemos bastante críticas à forma como a sociedade interage entre si e isso acaba por ser engraçado, porque de facto há certas maneiras de falar que nos são tão naturais que nem nos questionamos porque dizemos isto e aquilo. Como por exemplo, quando o Carlos diz a Eva que só quer falar com ela, como se isso fosse insignificante, igual a pedir um copo de água que não se nega a ninguém, ou quando ele diz a Eva que a ama e a alma reflecte que "«Amo-te» não é como «Bom dia». Não se pode responder com as mesmas palavras". O ponto forte do autor são mesmo as reflexões que a alma faz acerca do ser humano, sejam de carácter linguístico ou amoroso, porque a história em si é pobre. Nada de relevante acontece, ficamos apenas a saber um pouco sobre Eva e, juntamente com a alma, apercebemo-nos que ela é incapaz de amar alguém, porque ela nem amor próprio tem, quanto mais amor para dar. A edição do livro até poderia ser considerada razoável, se todos os livros do autor, editados pela Assírio & Alvim, não tivessem a lombada e o título da mesma cor. O laranja é uma cor fulcral na história e perdeu o efeito sendo este livro editado como todos os outros.
Miguel Esteves Cardoso é um excelente observador da vida, com apontamentos deliciosos, mas verdade seja dita, A Vida Inteira é um livro que leva uma vida inteira a ser lido. Uma alma que salta de corpo em corpo como narradora, uma rapariga mimada e perturbada de 20 anos que tem o namorado em coma e anda com nem sabe quantos outros nem sabe o quer da vida, e que recita versos de Camões...A Vida Inteira é um livro que acaba como começa...perdido, sem nexo, sem moral e sem nada que se aproveite a não ser os apontamentos certeiros e cómico/trágicos do autor...Em geral, um tédio...