'Não somos racistas' é um livro nascido do espanto. Movido pelo instinto de repórter, Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo, começou a perceber que a política de cotas proposta pelo Governo Lula - e que pode ser aprovada em breve pelo Senado - divide o Brasil em duas cores, eliminando todas as nuances características da nossa miscigenação. Ali constata, estarrecido, que, nesta divisão entre brancos e não-brancos, os 'não-brancos' são considerados todos negros. O primeiro capítulo de 'Não somos racistas' mostra como a política de cotas começou a ser construída no governo Fernando Henrique Cardoso. Mostra, ainda, como o jovem sociólogo Fernando Henrique foi uma das cabeças de um movimento que dominou parte da intelectualidade nacional nos anos 1950. Um movimento que se afastava do conceito de multiplicidade e democracia racial proposto por Gilberto Freyre em obras como 'Casa grande e senzala' e dividia o Brasil entre duas cores; negros e brancos. O livro de Ali Kamel começou a se desenhar em 2003, quando ele passou a publicar, quinzenalmente, uma série de artigos sobre as cotas no jornal 'O Globo'. Neles, constatava o sumiço dos pardos e dos miscigenados nas estatísticas raciais brasileiras. Apontava, também, para o fato de que o branco pobre tem a mesma dificuldade de acesso à educação que um negro pobre, levantando a hipótese de que o maior problema do país talvez não seja a segregação pela cor da pele - e sim pela quantidade de dinheiro que se carrega no bolso. 'Não somos racistas' aprofunda e sistematiza as idéias apresentadas pelo jornalista naqueles artigos; a negação da miscigenação; o 'olho torto' das estatísticas, que escamoteiam problemas sociais na divisão da população por cores; a situação de negros e brancos no mercado de trabalho; o medo de que uma política de cotas, posta em prática, construa uma separação entre cores que nunca existiu, de fato, no Brasil, promovendo o ódio racial; os estudos científicos que provam que raças não exis (...)
Ali Kamel nasceu no Rio de Janeiro em primeiro de janeiro de 1962. É diretor da CGJ, Central Globo de Jornalismo, da TV Globo. Desde o ano 2000, é casado com a jornalista Patricia Kogut, colunista do jornal O Globo desde 1995. Tem duas enteadas, Alice e Sofia. Seu pai, Ahmad, muçulmano, imigrante sírio, veio para o Brasil em 1950. Sua mãe, Zeny, é baiana e cristã, filha de Hamed, um também imigrante sírio, muçulmano, e Maria José, uma baiana, cristã, ambos já falecidos.
Formou-se, em 1983, em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro e, em 1984, em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Trabalhou na Rádio Jornal do Brasil, na revista Afinal, na revista Veja e no jornal O Globo, de onde saiu em 2001 como diretor-executivo de jornalismo. É no Globo que costuma publicar os seus artigos.
Gosta sempre de ressaltar que seu trabalho como autor de livros e artigos não se confunde com o que desempenha à frente dos veículos de imprensa em que trabalha ou que trabalhou.
Eu não sou racista. Poucas das resenhas sobre este livro no Skoob foram positivas. O que só me demonstrou que o autor estava certo. Está em marcha uma ideia de se fraturar o nosso povo. Antiga tática, divide e conquista. Eu cresci no Brazzil dos 70. Era branco (será!?), pobre, filho de lavadeira, quase sem pai. Tinha colegas pretos, brancos, morenos, japoneses, índios. Nunca vi um desentendimento sério por conta de cor de pele. Achava belas as meninas independentemente da cor. Amigos e parentes de vários matizes. Nunca tinha ouvido falar em "racismo", até os anos 2000 e pouco. Hoje em dia, querem que eu faça um "mea culpa" por serem os pretos pretos e eu não o ser. Ousam até dizer que minto pra mim mesmo e para o mundo, quando digo que amo ou odeio alguém por suas ações e não por sua cútis negra ou não. Não acredito nisso e nunca acreditarei. Eu não sou racista. E se eu não sou, o Brasil não é.
Não concordo com determinadas coisas que eu li nesse livro, PORÉM ele traz discussões necessárias principalmente àqueles que buscam lutar contra o racismo.
Acho que deve ser um livro pra ser lido com a mente muito aberta, porque ele toca em temas muito sensíveis e por vezes faz afirmações de caráter muito forte que não necessariamente se vai concordar. Mas é importante não se fechar na leitura desses trechos e filtrar aquilo que de fato nos serve, porque, de fato, muitos questionamentos levantados no livro são dignos e necessários de serem feitos.
E ver que sim, o racismo permeia tudo, porém a busca para a solução de certos problemas sociais devem ter, primariamente, outro foco, para ao fim se atingir àqueles mesmos objetivos anti-racistas almejados.
Procurando pontos de vistas diferentes encontrei esse livro que comecei a ler no meio da faculdade e não terminei pelo nojo que me dava na época. Mas, hoje, menos reaviva e mais analítica não tem como não ler o livro e ver como as bases utilizadas pelo autor são rasas e seus argumentos de força em pesquisa são distorcidos pela falta de base teórica que ele possui do assunto. Citar Florestan Fernandes para mim foi quase um apelo, pois Claramente o autor não entende do que fala ou do que supostamente leu. Talvez, para Kamel, falte interpretação crítica, pois a sua é baseada em…nada. Não recomendo a leitura nem para quem busca ponto de vista diferente.
Um dos melhores livros em português que eu já li. Desmonta completamente a farsa do racialismo que hoje vivemos no Brasil. Uma pena que tantos incautos acreditem do discurso cretino do governo e dos grupos de pressão. Deveriam ler este livro e ter acesso a uma segunda opinião.