Tão bom, por vezes, voltar a estes nossos escritores de outros tempos,..
..e embarcar numa viagem pelas memórias do povo e pelas terras de Portugal... e pela experiência de vida repleta de sentimentos tão actuais.
Quando li 𝗟ã 𝗲 𝗮 𝗡𝗲𝘃𝗲, de Ferreira de Castro, senti que estava a entrar na vida da Serra da Estrela e dos operários da lã da Covilhã. É uma história de gente simples, que passa o dia inteiro nas fábricas, enfrentando o frio e a pobreza, mas que ainda guarda espaço para o amor, para pequenos sonhos e para a esperança.
A neve está sempre presente, cobrindo tudo de branco, como se fosse um peso constante, enquanto a lã é fruto do trabalho diário que lhes garante o sustento. Ferreira de Castro escreve de forma clara e humana, fazendo-nos sentir próximos destas personagens. Gostei de como mostra esta realidade sem exageros, deixando sentir a força da vida simples.
Um trechos: “A neve caía em silêncio, cobrindo de branco os telhados e os caminhos. Dentro das casas, à volta do lume, persistia o calor humilde das lareiras e a esperança que nunca morria.”
É um livro simples e bonito, que fala de dificuldades, mas também da força das pessoas. Daqueles que, mesmo com tão pouco, continuam a sonhar.