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Angústia Para o Jantar

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O que levará Gonçalo, um empresário rico e burguês, a encontrar-se para jantar com António, empregado de escritório e pobre, sempre ao dia 15 de cada mês, se nada têm em comum senão terem sido, há mais de 30 anos, colegas no liceu?
Nunca vi nada que não fosse lógico. Tudo tem uma lógica, muito embora esteja por vezes escondido. É a isso que chamamos o segredo das coisas. O que distingue os homens lúcidos dos inconscientes é que os primeiros procuram descobrir a lógica das coisas, ao passo que os segundos julgam que as coisas surgem por si próprias e procuram, não a sua lógica, mas a sua rima.
Num texto de grande intensidade dramática, que haveria de revelá-lo como um dos maiores vultos da literatura portuguesa Pós-Guerra, Luís de Sttau Monteiro denuncia, com uma ironia por vezes contundente, o quadro social e político português resultante das condições, e das contradições, impostas pelo Estado Novo.

205 pages, Paperback

First published February 1, 1961

4 people are currently reading
149 people want to read

About the author

Luís de Sttau Monteiro

18 books35 followers
At the age of 10, he left to London, with his father, which was a portuguese ambasssador.

He comes back in 1943 at the time his father was fired by Salazar.

Sttau Monteiro got an advocate degree in Lisbon and only practiced his profession for a short amount of time.
He leaves again to London, becaming a Formula 2 racer.

He comes back to Portugal and be part on numerous publications, as Almanaque magazine or A mosca in Lisbon's Diary.

In 1961 he published the play Felizmente há Luar! (engl: Finally there is Moonlight!), being distinguished with the Theater's price. The play was censured and prohibited by the fascist regime.

Only in 1978, the above play was annouced in the Nacional Theater. 160 000 copies were sold.

Sttau Monteiro was arrested by the fascist police (PIDE) in 1967 after the publishment of the plays A Guerra Santa (engl: The Holy War) and A Estátua (engl: The Statue), satires against the fascist regime and the colonial war.

In 1971 he wrote the novel Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão (engl: Hold the Summer, Guida, Hold the Summer), which was adapted to tv through the soup opera Chuva de Areia (engl: Sand Rain) in 1982

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4 stars
96 (42%)
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35 (15%)
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9 (3%)
1 star
2 (<1%)
Displaying 1 - 21 of 21 reviews
Profile Image for Ana.
756 reviews178 followers
April 13, 2022
Retrato ácido, cáustico e desencantado de um Portugal dos meados do século XX, ainda bem enraizado na ditadura e numa mentalidade tacanha e enredada em desigualdades.

Gostei mesmo muito, mais do que estaria à espera tendo em conta o quão cansada e desalentada ando...

NOTA - 08/10
Profile Image for Paulla Ferreira Pinto.
267 reviews37 followers
May 2, 2020
Angústia para todas as refeições...

Uma estranha ode à passagem do tempo e ao progresso civilizacional que se cria inelutável.

Agora, como há trinta anos-a primeira vez que o li-, fiquei angustiada. Com a diferença que hoje estou na plataforma etária dos Antónios e Gonçalos desta vida.... e com o permeio de 50 anos em que o progresso e a democracia constituíram para este país um verdadeiro avanço social.
O mundo descrito no livro já não existe, nem as pessoas de meia idade têm aqueles comportamentos próprios de uma Lisboa da década de sessenta do século XX.
Mas as emoções e sentimentos humanos são os mesmos. E felizmente haverá sempre Pedros -que têm como mães Teresas- que não me permitirão a manutenção iníqua do estado das coisas.

Um pequeno grande livro.
Uma angústia em 200 páginas que se deve enfrentar.
Profile Image for Matilde Mateus.
142 reviews
June 15, 2023
Mais um livro de Luís de Sttau Monteiro a surgir como uma lufada de ar fresco na literatura... São livros lúcidos, terra-a-terra, sem a idealização e romantização dos acontecimentos e que se limitam a acompanhar o dia-a-dia das personagens e a expor os seus sentimentos crus, reais. Somos apresentados a duas personagens principais, dois amigos: Gonçalo, rico, inteligente, alto, forte, nascido em berço de ouro; António, não pobre mas lá perto, baixo, magro, não tão inteligente quanto o Gonçalo, de origens simples e uma noção muito clara do contraste absurdo que faz com o amigo; amargo acerca disso e sempre ciente da injustiça da vida. Um dos encantos do livro é que é nos dada a perspetiva pessoal de cada personagem, as duas principais e ainda outras secundárias ( como Pedro, filho de Gonçalo mas apoiante de causas que visam ajudar as "classes" inferiores, o que muito desgosta o pai); ficamos a par das angústias e lamentos de António em relação à vida em geral e do seu ódio a Gonçalo bem como do snobismo e cinismo em larga medida de Gonçalo, muitas vezes patente em pensamentos sobre o próprio amigo, e que infelizmente representará uma mentalidade ainda existente. É um livro repleto de pensamentos que nos faz refletir, pequeno e que se lê rápido, gostei muito.
Profile Image for A. Silva Penas.
12 reviews9 followers
April 6, 2020
O que fariam o azeite e a água juntos à mesa? Nunca se juntarão, porém envolvem-se.
António e Gonçalo juntam-se à mesa dia 15. Mês, tanto faz. Ano, tão pouco. Os dois amigos jantam por hábito, talvez sem o nunca terem sido. As suas vidas dispares vincadas a um sentimento de pertença de classe impede a um que jogue o jogo do outro. O outro, maestro e juiz, lidera a lição dos jogos que não levam a nada.
Profile Image for Luis Charreu.
20 reviews
February 27, 2024
Escrita divertida, inteligente, mordaz e agradavel. Duas historias interligadas da realidade urbana, dos idos anos 60. Critica social com alguma filosofia à mistura.
Profile Image for J Pedro Silvano.
8 reviews
February 4, 2023
Excelente livro. Reflexão sobre a sociedade e os estratos que a dividem. Livro inteligente. Vale a pena reler mais tarde.
Profile Image for Margarida.
461 reviews43 followers
August 31, 2012
Este romance de Luís de Sttau Monteiro foi editado em 1961, em pleno Estado Novo, e demonstra os hábitos sociais e os preconceitos que existem em torno da divisão de classes e o que é suposto cada indivíduo ter como papel definido pela sociedade.
Através da narração de acontecimentos banais e dos vícios que caracterizam a vida social lisboeta dos anos 60 do século XX, o narrador faz desfilar um conjunto de personagens que se vão cruzando entre si, revelando conversas de grupos de estudantes de esquerda; o comportamento de um indivíduo de classe média-alta que tem esposa e filhos já adultos e noutra casa sustenta a amante, e de quem a esposa tem conhecimento; a diferença de mentalidade e atitude entre jovens e a geração dos seus pais já conformados com a realidade vigente; etc.

Começa a narrativa com o habitual jantar mensal entre dois ex-colegas de liceu. Gonçalo, um empresário rico e burguês,e António, empregado de escritório e pobre, jantam juntos na mesma mesa, no mesmo restaurante, sempre ao dia 15 de cada mês,apenas por uma questão de hábito, já que intimamente se odeia e nada têm em comum senão terem sido, há mais de 30 anos, colegas no liceu.

A história desenrola-se com o cruzar da vida de António com a da amante de Gonçalo, com a tentativa de António se tentar vingar das humilhações que o ex-colega o fez passar ao longo dos anos, ao deixar sempre bem claro que pertenciam a classes sociais diferentes e que por isso mesmo tinham privilégios diferentes.
Termina com um jantar organizado por Gonçalo, em que aproveita para apresentar António ao seu jovem filho Pedro, que tem ideias revolucionárias, e a quem Gonçalo quer ensinar uma lição ao demonstrar que cada indivíduo é o que é conforme o ambiente em que cresceu e foi educado. Sendo Pedro criado numa família de posses, não pode enveredar por caminhos revolucionários, mas sim preocupar-se com manter a indústria da família e fazer o que é suposto na sua classe. Para essa lição vai usar a figura de António, a quem vai provocar sucessivas humilhações, para demonstrar que pessoas pobres como ele não se sabem comportar num restaurante nem comer determinados pratos "especiais".
O final sucede após a morte de António, com a misteriosa marcação de mais um jantar no dia 15 do mês seguinte. Gonçalo comparece pensando ter sido marcado pela ex-amante. Gonçalo tinha terminado a relação com ela no seguimento do envolvimento que ela teve com António e tinha-a deixado sem forma de sustentar as despesas. Como forma de derradeira humilhação, faz-se acompanhar por uma outra mulher, mas nesse momento que o espera no restaurante é o filho Pedro, que com isso lhe prova que a lição quanto aos preconceitos sociais serve para o pai e não para ele.
Profile Image for Helena Lopes.
8 reviews27 followers
April 7, 2020
4,5 *

"O homem vende-se por pouco. Um Volkswagen, um andar no Areeiro, uma mulher que só casa pela Igreja, ou a amizade dum tipo importante, são suficientes para que se esqueça do que tem de mais íntegro e de mais seu. Por vezes o negócio é mais subtil, menos aparente, e o homem vende-se para ver o seu nome no jornal, para viajar à custa do seu semelhante ou ainda para ter acesso a certos círculos que o deslumbram. A transacção nunca é rápida. O homem vende-se aos bocados, a prestações, dia a dia. Muitos, ao fim dum tempo, já nem sabem que estão a vender-se: atingem uma posição que os obriga a defender interesses contrários a tudo o que sempre sustentaram, e são comprados por essa posição. Continuam, em voz alta, a defender os mesmos princípios de sempre, mas secretamente guerreiam os ideais que dizem ter e fazem o que podem para evitar a sua concretização. A grande maioria dos homens, porém, vende-se por covardia. Os casados têm medo de ver os filhos com fome e as mulheres desamparadas. Os empregados têm medo de palmilhar as ruas em busca de trabalho. Os homens que optaram pela vida fácil das carreiras têm medo de não ser promovidos. Os que alcançaram uma posição estável e segura têm medo de transformações. Os que têm prestígio receiam o advento dum mundo que discuta os fundamentos do seu prestígio. Os que vivem à custa dos valores que defendem, receiam todos os outros valores. O medo desempenha na vida dos homens um papel importantíssimo. Se não fosse o medo dos homens, os homens poderiam viver sem medo. "
Profile Image for Paulo Bugalho.
Author 2 books71 followers
May 18, 2024
Curioso o comentário de João Gaspar Simões, presente numa das badanas desta edição vetusta, criticando algum descuido na forma, um certo pendor jornalístico, que talvez não lhe agradasse mas que ele previa estar apto a fundar um género "mais rude" a despontar na ficção portuguesa. De facto, a simplicidade de linguagem e métodos da obra parece saltar directa para a tendência linear e apressada de alguma ficção actual, fintando as espantosas explosões que, menos de uma década após ter saído este romance, haviam de trazer ao final dos anos sessenta toda uma magia para dobrar o tempo e sondar a consciência, presente logo no início das obras de Velho da Costa e Cardoso Pires. Pois para mim é precisamente essa maionese que falta em Sttau Monteiro, precisamente o modo fluido de unir acção e pensamento, em vez de os apresentar por partes, aqui os gestos, depois os diálogos, a seguir os pensamentos. E se a coisa sai bem nos diálogos (bem melhor do que se vai vendo hoje) nos pensamentos coxeia, por confundir consciência com uma espécie de conversa formal consigo mesmo (lá está, falta o modernismozinho). De resto bom enredo, tiroteado à volta de uma discussão sobre classe, num tempo em que ela não podia ser exposta de modo explícito. E as falas, sim. E as partes que são de puro sarcasmo e desgosto, mesmo quando a gente as adivinha saídas directamente do autor, sem filtro nenhum das personagens.
Profile Image for Rosarinho .
227 reviews1 follower
April 25, 2025
Li este livro na adolescência e voltei a relê-lo com muito prazer.
Uma realidade dos anos 60 em Portugal.
Uma angústia de então e que se mantém quando não existe empatia.
Uma angústia grande num pequeno livro e que nos faz refletir sobre o sentido da vida e o que queremos fazer dela.
Profile Image for Bruno.
63 reviews
January 6, 2026
Foda-se, li, escrevi a review no outro dia e agora não me aparece.
É muito bom porra, consciencialização de classes e isso tudo, há uma parte para chorar. Merda para o goodreads por me ter apagado a primeira review.
Profile Image for José Carlos Gomes.
Author 1 book7 followers
November 9, 2012
Quis o acaso que, na mesma semana em que fui à prateleira dos livros antigos e peguei em "Angústia para o Jantar", de Luís de Sttau Monteiro (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%AD...), uma profissional da caridadezinha tenha decidido dizer que não há miséria em Portugal, que os portugueses têm de empobrecer mais e que devem ter noção de que não se pode comer um bife todos os dias. Esta curiosa coincidência foi-me bastante útil, porque ajudou-me a perceber melhor o desprezo que certas classes, ditas elites, têm sobre o povo comum.

Nesta novela, o escritor que se consagrou como dramaturgo, traça um retrato da burguesia lisboeta, colocando-a em oposição a uma personagem, António, que simboliza os trabalhadores. A acção passa-se em pleno salazarismo e não deixa de lançar umas farpas à oposição ao regime, que, por vezes, quer ser tão pura que desconfia até de alguns dos seus. Escrito num registo conciso, mas elegante e com um ritmo que prende o leitor, este livro vale muito pelas denúncias que faz. Ainda hoje actuais.

Sei, também por experiência própria, que em certos meios contra o actual sistema, procura-se a pureza ideológica, diabolizando os que têm a ousadia de contrariar o discurso oficial ou que, simplesmente, por serem pequeno-burgueses de origem, provocam desconfianças nos guardiães do templo teórico. Luís de Sttau Monteiro aflorou a existência desses comportamentos em "Angústia para o Jantar". Mas o essencial da obra direcciona-se para o desprezo da alta burguesia para com as classes ditas inferiores e a forma como tem consciência do perigo de ver a situação mudar. Mas, em "Angústia para o Jantar" também há senhoras da alta sociedade que se dedicam à caridadezinha. É, neste romance, suponho que na sociedade de então também houvesse a mesma tendência, o lugar da mulher: o burguês é dono de uma empresa, trata dos negócios, coloca dinheiro em casa e diverte-se com as amantes. As esposas educam os filhos, ficam por casa a controlar a criadagem e emprestam algum do seu tempo a essa gente que acorre às instituições de caridade.

Ao ler o livro não pude deixar de pensar na Isabel Jonet, no tom afectado do seu sotaque de "tia" e no profissionalismo com que se dedica à caridadezinha. Depois de ouvir as declarações que a criatura fez esta semana, fiquei com a convicção de que a senhora tem o mesmo nojo aos pobres que tinham as personagens da novela. Gonçalo, a personagem principal do livro, ajudou um rapaz mais fraco, quando jovens, mas não o fez por solidariedade ou sequer por pena, pois até o desprezava. Fê-lo para impor-se diante do grupo que maltratava o rapaz. Talvez Jonet não seja solidária e nem sequer sinta piedade pelos pobres, é possível que apenas tenha visto na pobreza uma forma de tornar-se figura pública.

Gonçalo, perto do final do romance, percebeu que "quem vence as batalhas é quem está dentro do seu tempo". Pois é. E o tempo da caridadezinha bafienta tem de acabar. Assim saibam aqueles que se opõem ao sistema valorizar os pontos de concórdia, em vez de procurarem continuamente as diferenças. É que, apesar de tudo, não basta estar no tempo certo e ter razão. É preciso ser mais forte do que o adversário.
Profile Image for Diogo Jesus.
254 reviews3 followers
February 18, 2016
Inside thoughts expressed like a theatrical aside was an enjoyable surprise. The sociological awareness. Easy to read. The small stand on Provincianism by the 20th page is precious. Besides this it´s just ok.
Profile Image for Fernando Sá Machado.
10 reviews
Read
October 31, 2023
Que bom seria se aprendesse a não pensar... A viver como quem está sentado no cinema, seguindo imagens que se associam por si, sem ter de as ligar umas às outras...
11 reviews
December 30, 2025
adoro quando compro um livro que não conheço a um euro numa tasca numa aldeia de xisto e depois o livro é ótimo e foi o melhor euro que gastei no passeio.
Displaying 1 - 21 of 21 reviews

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