'Elegbara' é um conjunto de dez contos que abordam de modo original a formação multicultural da identidade brasileira. O livro traz dez histórias que misturam fatos históricos, ficção e mitologia, oferecendo ao leitor uma viagem densa, divertida e inteligente através das culturas brasileira, portuguesa e africana.
Born in Rio de Janeiro in 1961, Alberto Mussa studied mathematics and percussion before dedicating himself to linguistics. After obtaining a Masters degree from UFRJ with a thesis on African languages in Brazil, Mussa worked as a teacher and authored a dictionary then published his first novel, Elegbara, in 1997, followed by O trono da rainha Jinga (1999), which won the National Library prize. O enigma de Qaf (2004) was awarded the Casa de las Américas APCA prize. He has translated stories by African and Arabic storytellers for the magazine Ficções, and a collection of pre-Islamic poems Os poemas suspensos, not yet published.
É um proto-Mussa. Achei cansativo. Mas que pese a favor do autor que tudo que funcionou aqui ele aprimorou no Compêndio Mítico do Rio de Janeiro, que tem livros muito mais interessantes. Talvez por ter lido o compêndio primeiro, curti bem mais o último conto do Elegbara. E o que não funcionou, bem, o autor se livrou de boa parte pelo caminho. Embora eu ainda tenha uma implicância ou outra, como quando o narrador assume o ponto de vista do mais espertão da roda e não de um "investigador" do assunto abordado. Falando em se achar o espertão da roda, o prefácio da edição comemorativa de 10 anos foi de matar (de desgosto). O autor merecia algo mais interessante que falasse da obra em si.
Livro de estreia de Alberto Mussa, publicado em 1997. Dez contos ambientados em várias épocas e lugares, entrelaçando mitos, fantasias, ficção histórica e exploração literária de conceitos filosóficos (uno e múltiplo, identidade, causalidade, necessidade), à maneira de Borges. A África ancestral e o derramamento de sangue estão por toda a parte. O conto que dá título ao livro é inesquecível; também o é a narrativa final, "Alcácer Quibir". A segunda edição inclui um útil prefácio de Hermano Vianna, que se pode deixar para o fim. O outro e mais antigo prefácio, ilegível, é de Antonio Houaiss; melhor deixá-lo para lá.
Acho que só faltou fôlego para escrever estórias mais longas, porque dimensão histórica e domínio da língua o Alberto Mussa tem demais! "A Primeira Comunhão de Afonso Ribeiro" e "O Enforcado" são contos maravilhosos e me fazem querer ler tudo dele.
Elegbara - Alberto Mussa | 150 pgs, Record 2005 | NITROLEITURAS #histórico #drama #contos Lido 15.09.17
SINOPSE 'Elegbara' é um conjunto de dez contos que abordam de modo original a formação multicultural da identidade brasileira. O livro traz dez histórias que misturam fatos históricos, ficção e mitologia, oferecendo ao leitor uma viagem densa, divertida e inteligente através das culturas brasileira, portuguesa e africana.
RESENHA Excelente coletânea de contos que se unem pela temática das origens brasileiras, ou melhor, da origem da complexa identidade brasileira, mesmo que algumas histórias se passam na África e em Portugal. Os contos são muito bons, principalmente pelo modo como os personagens índios e negros fogem bastante dos estereótipos nesse tipo de literatura.
Os contos parecem ser uma reconstrução das narrativas que compõem o imaginário da formação da identidade brasileira, como a Carta de Pero Vaz de Caminha, a narrativa de Zumbi, entre outras.
A prosa é bem afiada e bem feita, com um estilo interessante que quase se aproxima de um ensaio, ao mesmo tempo que lida com mitos, criando uma atmosfera interessante para as narrativas! Recomendo!
TRECHO "Para Ganga Zumba, a liberdade era o único bem; e a inteligência, o único valor. Embora reconhecesse que a conquista da liberdade por vezes dependia da força, essa força seria nada se não houvesse sob si um cérebro que a comandasse, para um fim programado. Nesse ponto, admirava aquele surdo oponente, embora lhe parecesse um usurpador.
Para Zumbi, não havia propriamente vontade. Embora não soubesse explicar (a bioquímica era ainda uma ciência pobre), percebera que o fenômeno que denominavam decisão se assemelhava a um sorteio de cartas: não se pode prever a figura escolhida, mas se conhecem plenamente as alternativas do baralho.
Para Ganga Zumba, Palmares não estava totalmente seguro. Os últimos ataques o provavam. Precisava de mais armas. Precisava de mais homens. A trégua era só um aspecto da guerra. Não se podia renunciar à liberdade apenas para dar vazão a uma ânsia irracional de vitória. Por isso a inteligência. Por isso a trama sutil em que pretendia enredar os portugueses.
Para Zumbi, a vontade era involuntária. E qualquer opção, um jogo de azar.
Para Ganga Zumba, o que tornava os homens diferentes era a sujeição de uns pelos outros. A justiça, assim, consistia no fim da escravidão e da pobreza.
Para Zumbi, o que tornava os homens diferentes não era a circunstância do nascimento, mas aquela combinação de acasos que os levava a ter vontades diferentes. A justiça, assim, consistia no fim do arbítrio."