Evitar o avião no século XXI? Sim, é possível e foi o que fez Gonçalo Cadilhe nesta volta ao mundo. Em Planisfério Pessoal, o maior viajante português percorre 3 oceanos, 4 continentes, 38 países, muitos milhares de quilómetros, numa jornada por lugares
Gonçalo Cadilhe é um viajante, jornalista e cronista português. Cadilhe nasceu na Figueira da Foz em 1968 e é licenciado em Gestão de Empresas. Viajar é a sua paixão e nos últimos anos esteve envolvido em vários projectos pessoais em colaboração com o jornal Expresso. O viajante português lança as crónicas das suas experiências por esse Mundo fora e publica-as semanalmente na revista Única.
As crónicas das suas viagens foram posteriormente publicadas em livro, de que são exemplo Planisfério Pessoal, A Lua Pode Esperar, África Acima e Nos Passos de Magalhães[1].
Para além disso é cronista também nas revistas portuguesas Blitz e Surf Portugal.
Uma das suas paixões é o surf, que pratica regularmente.
Desde 2008 Gonçalo Cadilhe é líder de viagem da agência Nomad - Evasão e Expedições
Há livros que têm o condão de mudar uma vida e este foi para mim um deles. Planisfério Pessoal é muito mais do que a escrita, tão viva, de Gonçalo Cadilhe, o seu sentido de humor muito próprio, ou os lugares exóticos que descreve. É a história de alguém que sonha e que faz, e cujo sentimento de realização está presente em todas as páginas. Fiquei completamente viciado nele, deixando até de trabalhar para o acabar de ler. E depois disso, mesmo eu já sendo na altura um viajante com alguma experiência, não descansei enquanto não comprei uma mochila nova e fui eu próprio por aí... se não à volta do mundo, pelo menos a uma boa quantidade de sítios. Tenho (quase) todos os outros livros de Gonçalo Cadilhe, e este, sendo o seu primeiro, continua para mim a ser, de longe, o seu melhor.
Há livros que nos encantam e este é certamente um deles. "Planisfério Pessoal" causa-nos sentimentos controversos, temos uma inveja saudável das opções de vida de Gonçalo mas acabamos por lhe atribuir o rótulo de louco pelas aventuras e perigo em que se vê envolvido na viagem à volta do mundo sem aviões que deu origem a este seu primeiro livro. As crónicas escritas para o Expresso compõem este livro que nos dá uma visão breve mas abrangente dos países por onde Gonçalo passou. Mais do que um relato de uma viagem, este livro é uma reflexão sobre a vida, sobre os laços, sobre o que observa e sente. É um livro que dá sede, sede de mais texto, sede de mais descrição, sede de mais fotografia e, sobretudo, sede de mais vivências.
É um bom livro, bem escrito e de fácil leitura. Gostei do facto de ser um livro que não se limita a descrever os locais por onde o autor passou mas as pessoas que conheceu e os sentimentos para com estas, bem como os sentimentos do viajante.
Demorei algum tempo a deixar-me agarrar por esta jornada do Gonçalo Cadilhe, mas creio que mais por medo que terminasse do que por não estar a gostar. O Gonçalo tem uma escrita fluida, cativante, com a dose certa de humor e activismo, que nos mostra a realidade tal como ele a vê e não mascarada por ideais de turismo cor de rosa.
Aconselho a todos os que gostam de viajar, de conhecer mais sobre o mundo em que vivemos, e sobre a passagem do tempo, já que este livro é de 2002-2004.
Este livro de Cadilhe leva-nos na sua viagem à volta do mundo, de barco, autocarro, comboio, mas não avião. Foi uma viagem de muitos meses que nos é apresentada no seu resumo mais essencial, dos principais acontecimentos que lhe foram sendo presentados, quer pelas pessoas, montanhas, mares ou cidades. Não é, portanto, um guia turístico, mas é mais do que isso. É uma prova de viagem, de procura, de coragem! Vale a pena.
Uma bela compilação das crónicas da volta ao mundo realizada pelo autor. Algumas dessas crónicas são bastantes interessantes e contém momentos de reflexão que se revelam atuais mesmo passados alguns anos da viagem.
Um belo contador de histórias o Gonçalo. Tendo lido esta aventura 20 anos depois de ela ter acontecido acho impressionante a atualidade de grande parte dos contextos geopolíticos e culturais das várias partes do mundo por onde passou.
Um livro leve, com uma escrita tipo jornalista mas sem descurar. Contudo poderia ter aprofundado as crónicas, contando mais sobre os lugares, culturas e pessoas. Nem que escreve-se outros livros. Deu para passar um bom bocado. Evadindo um pouco e dando vontade de viajar.
Que bom que é voltar a ler o Gonçalo Cadilhe de "África acima". As pazes estão feitas e as vénias estendem-se até tocar o chão. Reencontrei o meu escritor-viajante preferido em frases como "Sinto-me no estômago de uma cascavel com soluços." ou "Um filho que cresce longe de um pai que envelhece.", e naquele familiar humor desconcertante.
"Planisfério pessoal" é o relato da viagem que quase todos gostariam de fazer. Não eu, que sou mais comodista e prefiro escalar as montanhas e atravessar os desertos pelos pés de Cadilhe. Perco-me nas palavras de quem sabe descrever como ninguém os contrastes deste mundo bizarro, porque os viveu. Ele esteve lá, teve a coragem de não virar a cara e agora tem o despudor de nos vir contar a nós, que nos sentamos no conforto do nosso sofá virado para a nossa televisão de 40 polegadas a ler sobre o miserável de La Libertad que vive numa casa de uma divisão, chão de terra batida e com chapas de zinco a cobrir metade daquilo que devia ser o telhado. Cadilhe é obviamente um privilegiado, mas sabe que o é. E nós?
"O senhor Lei sente-se feliz com a nossa visita, serve-nos chá e anuncia que, em nossa honra, decidiu antecipar uma semana a matança do porco. Vai ser agora. Um coro de quatro vozes vegetarianas e uma voz em vias de o ser grita ao mesmo tempo: não, por favor."
"Atravessamos a fronteira. Procuro o habitual cartaz de boas-vindas, não encontro. Apenas um "Cuidado! Minas". Não sabem fazer turismo no Afeganistão..."
"Tenho duas promessas por cumprir, mas agora são contraditórias. Uma é a de só viajar por terra e mar. A outra, a que fiz aos meus pais, é a de regressar vivo. Aqui, no Afeganistão, terei de escolher uma e quebrar a outra. Decido manter a segunda: o respeitinho aos pais é muito lindo."
Todos os leitores que deram boa nota a este livro alegando que nos faz viajar sentados em casa, só demonstram o pouco que viajaram!! Este livro foi escrito nunca deixando de ter em conta que o Gonçalo estava a ser pago para escrever (não esquecer que o livro foi primeiramente escrito em crônica forçada que saía todas as semanas no Expresso)!! É patente no livro a velocidade pouco cuidada da escrita pela obrigação de mostrar trabalho!! Não se detém em situações, nem em países, nem em pessoas, que mereciam essa reflexão e que dariam "sumo" ao livro!! Não conseguimos perceber o ambiente, os cheiros, as culturas, as cores... Não nos transporta para coisa nenhuma!! Quem escreve assim está mais interessado em receber o seu pagamento, desvirtuando a própria razão de ser da viagem!!
My first book by Gonçalo Cadilhe, and probably my favorite from this author. Very authentic, genuine and mature. It's not so much about places, but mostly about people and experiences. Very easy reading and suited for everyone who enjoys travelling independently, or for the rest who just prefer to live other's adventures.
Na minha opinião, este livro é muito inspirador. Gosto da estrutura, com pequenos capítulos de fácil leitura. Para além das vivências pessoais, o autor faz um enquadramento histórico dos monumentos ou locais por onde passa.