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152 pages, Paperback
First published January 1, 2002
Uma das melhores leituras do ano. Um livro curto e deliciosamente sarcástico que engloba desde política e religião à segurança internacional, e que me deixou maravilhada com a escrita fluida de Galeano - com certeza quero ler mais obras do autor!
No mais primoroso estilo "doa a quem doer", Eduardo Galeano não tem papas na língua e não tem a menor cerimônia de dar nomes aos bois, e faz questão de tocar neste ou naquele acontecimento que a maioria fez/faz questão de olhar para o outro lado e fingir que não existiu. Nesse sentido, e embora seja de leitura rápida (é um livro para ser lido e saboreado em um dia), dá muito o que pensar.
Uma fonte inesgotável de quotes e trechos memoráveis, indico essa leitura sem restrições, dos oito aos oitenta anos, para futuros autores e para leitores que, além do sarcasmo, saibam apreciar uma boa dose de realismo cínico.
Alguns dos meus quotes preferidos:
"A democracia é um erro estatístico, costumava dizer dom Jorge Luis Borges, porque na democracia decide a maioria, e a maioria é formada de imbecis."
"Atrás de toda mulher feliz há um machista abandonado."
"Nos mijam e os jornais dizem: chove."
"A arte do bom governo autoriza não pensar no que se diz, mas proíbe dizer o que se pensa."
E, o meu trecho preferido (sobre o Brasil):
"O prêmio ao Dinamismo da Economia teria de ser concedido, parece-me, à industria do medo. Agora que se privatiza tudo, também se privatiza à ordem. A deliquencia cresce e assusta. No Brasil, as empresas privadas de segurança formam um exército cinco vezes mais numerosos do que as Forças Armadas. Somando-se os empregados legais e os ilegais, chega-se ao milhão e meio. Este é o setor mais dinâmico da economia no país mais injusto do mundo. Uma implacável cadeia produtiva: o Brasil produz injustiça que produz violência que produz medo que produz trabalho."