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Terra de Santa Cruz
Publicado pela primeira vez em 1981, 'Terra de Santa Cruz' traz poesias que revelam uma crise na vida da autora, marcada pela proximidade da velhice e pela perda de algumas certezas e religiosas. Nesta obra, com o mesmo nome que os portugueses deram ao Brasil, Adélia amplia seu diálogo sobre vida e morte, tristeza e alegria.
- GenresPoetry
112 pages, Paperback
First published January 1, 2006
About the author
Adélia Prado
48 books118 followersAdélia Luzia Prado Freitas, is a Brazilian writer and poet. Started writing at the age of 40 which is relatively late in life for a poet. Although much of her outlook is religious, deeply Catholic, her works are often about the body.
Adélia Prado's poems were translated into English by Ellen Watson and published in a book entitled, The Alphabet in the Park. (Wesleyan University Press, 1990).
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Adélia Prado's poems were translated into English by Ellen Watson and published in a book entitled, The Alphabet in the Park. (Wesleyan University Press, 1990).
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Community Reviews
Displaying 1 - 7 of 7 reviews
December 13, 2015
Em honra dos 80 anos de Adélia Prado.
July 30, 2021
Poesia do cotidiano, cheia de religiosidade e erotismo, muita intertextualidade, principalmente com a Bíblia, mas também com Drummond, o poeta com quem mais ela conversa. Essa matriz erótico-teológica da poeta é a sua principal característica, uma teologia que não é a dos seminários, mas a do dia a dia, que contém elementos tanto da catequese católica como da crença popular, e um erotismo que não romantiza o corpo, mas que o mostra sem fantasias, tal como é. Sua poesia abarca as coisas da vida com muita sutileza, numa linguagem coloquial equilibrada e com muita, muita positividade. É uma poesia alegre, mesmo quando te fala de dor e morte, é uma poesia feliz, mas sem ser de forma alguma inocente. Apresento dois dos meus poemas favorito desse livro como exemplo:
CASAMENTO
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
O LUGAR DA NECRÓPOLE
Há quem tendo cantado e batido os dentes no copo
já morreu.
Há quem tendo falado suas dores secretas
está hoje selado sob lápides,
excrescendo sobre mim o seu fantasma
de pessoa verdadeira, rebelada,
de pessoa poética.
Na juventude me comprazia o fúnebre,
as faces lívidas dos poetas doentes.
Hoje, só preciso da vida pra morrer.
Nas metrópoles,
o campo-santo acaba confundido,
rodeado de bares.
E por causa disso iludem-se as pessoas
de ter nas mãos a indomesticável.
O cemitério quer ladeira e montes
para os quais se olha ao entardecer:
um dia estarei lá,
lá longe,
no incontestável lugar.
CASAMENTO
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
O LUGAR DA NECRÓPOLE
Há quem tendo cantado e batido os dentes no copo
já morreu.
Há quem tendo falado suas dores secretas
está hoje selado sob lápides,
excrescendo sobre mim o seu fantasma
de pessoa verdadeira, rebelada,
de pessoa poética.
Na juventude me comprazia o fúnebre,
as faces lívidas dos poetas doentes.
Hoje, só preciso da vida pra morrer.
Nas metrópoles,
o campo-santo acaba confundido,
rodeado de bares.
E por causa disso iludem-se as pessoas
de ter nas mãos a indomesticável.
O cemitério quer ladeira e montes
para os quais se olha ao entardecer:
um dia estarei lá,
lá longe,
no incontestável lugar.
June 3, 2026
A primeira parte do livro, “Território”, estabelece as fundações do texto pradeano: a cartografia mineira, a família, o erotismo, a vontade da escrita, o medo e a aproximação de Deus. Nela também está um dos poemas mais conhecidos de Adélia - “Casamento” -, com a figura da mulher que limpa os peixes. Tão fácil ler esse poema isolado e confundir o eu lírico com uma figura dócil, incapaz de versos como “Meu coração bate desamparado / onde minhas pernas se juntam”.
A segunda parte, “Catequese”, aprofunda as reflexões sobre religião. Nela se encontra o impactante poema “O falsete”, um reconto profano da vida da Virgem Maria.
“Sagração”, a última parte, é composta de um único poema - que traz um erotismo bem construído, mas é um poema um tanto esquisito, com o parceiro amoroso da eu lírico lhe tratando de forma ofensiva. Não sei se entendo, sei que não gosto.
A segunda parte, “Catequese”, aprofunda as reflexões sobre religião. Nela se encontra o impactante poema “O falsete”, um reconto profano da vida da Virgem Maria.
“Sagração”, a última parte, é composta de um único poema - que traz um erotismo bem construído, mas é um poema um tanto esquisito, com o parceiro amoroso da eu lírico lhe tratando de forma ofensiva. Não sei se entendo, sei que não gosto.
January 16, 2026
Comprei este livro em Icaraí, li a maior parte dele em Ilha Grande e termino agora no Rio.
Adélia Prado escreve bonito demais. Não sei se entendo metade do que ela diz, mas acho tudo lindo.
Neste aqui acho q ela fala muito de ser humano, sabe? Ser feliz e triste ao mesmo tempo, o desejo sexual, a culpa e fé religiosa e a vida cotidiana que pode ser chata e maravilhosa.
Tem uns trechos que ecoam, como:
"Ninguem mente no sonho,
onde tudo está nu e nós desarmados"
"(...)
ao nosso Deus que é uma galinha grande.
Nos põe debaixo da asa e nos esquenta.
Antes, nos deixa desvalidos na chuva,
pra que aprendamos a ter confiança n'Ele
e não em nós."
Adélia Prado escreve bonito demais. Não sei se entendo metade do que ela diz, mas acho tudo lindo.
Neste aqui acho q ela fala muito de ser humano, sabe? Ser feliz e triste ao mesmo tempo, o desejo sexual, a culpa e fé religiosa e a vida cotidiana que pode ser chata e maravilhosa.
Tem uns trechos que ecoam, como:
"Ninguem mente no sonho,
onde tudo está nu e nós desarmados"
"(...)
ao nosso Deus que é uma galinha grande.
Nos põe debaixo da asa e nos esquenta.
Antes, nos deixa desvalidos na chuva,
pra que aprendamos a ter confiança n'Ele
e não em nós."
March 20, 2025
a proximidade ao divino é tomada pela medida da vida que é o sofrimento. Atravessar esses vales com os poemas de Adélia tem sido encarar momentos em que o apelo à finitude é celebrado nos encontros terrestres.
July 16, 2025
Com perdão da palavra, quero cair na vida.
January 4, 2014
Um livro para refletir sobre o sagrado e a saudade, como sempre Adélia nos surpreende.
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