«Coral é o terceiro livro de poesia de Sophia de Melo Breyner Andresen. Publicado pela primeira vez em 1950, segue-se a Poesia de 1944, em Coimbra e a Dia do Mar, que saíra em Lisboa em 1947. Este novo livro de Sophia retoma e concentra-se naquelas formas poemáticas e naqueles procedimentos e gestos retóricos, estilísticos e prosódicos que, desde o início, contribuíram para a singularização da sua obra poética.» (Manuel Gusmão). As edições de Sophia de Mello Breyner Andresen na Assírio & Alvim preservam a antiga grafia.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919. Entre 1936 e 1939 frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que não concluiu. Foi Presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores e Deputada à Assembleia Constituinte, pelo Partido Socialista (1975). A sua obra reparte-se pela ficção e pela poesia, embora seja nesta última que a sua inspiração clássica dá ao seu verso uma dimensão solar e luminosa, que permite ouvir nitidamente a palavra com todo o peso da sua musicalidade limpa, ao encontro do modelo clássico. Entre as suas obras poéticas contam-se Coral (1950), Mar Novo (1958), Livro Sexto (1962), Geografia (1967), Navegações (1983), Ilhas (1989), Musa (1994) e O Búzio de Cós e Outros Poemas (1997). Em ficção publicou Contos Exemplares (1962) e Histórias da Terra e do Mar (1983). Da sua literatura infantil destacam-se O Rapaz de Bronze (1956), A Menina do Mar (1958), A Fada Oriana (1958), O Cavaleiro da Dinamarca (1964) e A Floresta (1968). Em 1999 é-lhe atribuído o Prémio Camões, pelo conjunto da sua obra, e em 2001 ganha o Prémio Max Jacob de Poesia. Foi condecorada pela Presidência da República com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1998. Faleceu em Lisboa, a 2 de Julho de 2004.
The sea is one of the central elements of the lyrics of Sophia de Mello Breyner Andresen. The “smooth beaches”, the “imaginary line” and the “ordered waves”, in her poems, symbolize the most profound beauty, an intimate secret, “a miracle created just for me”.
"Inventei a dança para me disfarçar. Ébria de solidão eu quis viver. E cobri de gestos a mude da minha alma Porque eu era semelhante às paisagens esperando E ninguém me podia entender."
mais uma coleção de poemas de sophia que me fascinou e tocou-me a alma. a poeta escreve como quem esboça, os seus poemas são limpos e limpam, as suas palavras são fragmentos de diferentes partes da vida e da natureza que ela torna magia. adoro muitos dos poemas aqui, “mãos” e “rosto” foram os que me ficaram mais marcados.
"Cada dia é mais evidente que partimos, Sem nenhum possível regresso ao que fomos, Cada dia as horas se despem mais do alimento: Não há saudade nem terror que baste."
Inventei a dança para me disfarçar. Ébria de solidão eu quis viver. E cobri de gestos a nudez da minha alma Porque eu era semelhante às paisagens esperando E ninguém me podia entender.
"Eis que o mundo de ti cai abolido E tu ficas sozinho e muito longe Com dois búzios do mar sobre os ouvidos Ouvindo, só para ti, uma canção.
Assim as flores de dentro para fora Se queimam sob o halo dos perfumes E voltam para nós os olhos cegos Estrangeiras a tudo no sabor Duma substância angélica e terrível."
«Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.»
Um livro de poesias onde a solidão, a perda e o luto surgem de forma pungente. São sentimentos mantidos ao longo dos poemas, pontuados esporadicamente, aqui e ali, por pequenos pontos de luz e esperança. Com o simbolismo forte do "barco que parte" , a melancolia, e a sensação de vazio que a solidão deixa, vai discorrendo lentamente, ao sabor das palavras, magistralmente escritas, de Sophia. Poemas que têm um cunho próprio, um cunho facilmente reconhecível em cada parte.
«Inventei a dança para me disfarçar. Ébria de solidão eu quis viver. E cobri de gestos a nudez da minha alma Porque eu era semelhante às paisagens esperando E ninguém me podia entender.»
"Eu chamei-te para ser a torre Que viste um dia branca ao pé do mar. Chamei-te para me perder nos teus caminhos. Chamei-te para sonhar o que sonhaste. Chamei-te para não ser eu: Pedi-te que apagasses A torre que eu fui a minha vida os sonhos que sonhei."