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O Nome das Coisas

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«O Nome das Coisas, décimo livro de poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, teve duas publicações autónomas (1.ª ed., Lisboa, Moraes Editores, 1977; 2. ª ed., com variantes, Lisboa, Edições Salamandra, 1986). Foi incluído, com novas variantes, em Obra Poética III, Lisboa, Editorial Caminho, 1991. A presente edição definitiva respeita as emendas da autora a esta última versão. A revisão de texto obedece às normas ortográficas vigentes, excepto nos casos em que a autora deliberadamente delas se afasta, e que têm um exemplo significativo na palavra «dansarina». [...]»
http://www.fnac.pt/O-Nome-das-Coisas-...

81 pages, Paperback

First published January 1, 1977

7 people are currently reading
171 people want to read

About the author

Sophia de Mello Breyner Andresen

107 books583 followers
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919. Entre 1936 e 1939 frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que não concluiu. Foi Presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores e Deputada à Assembleia Constituinte, pelo Partido Socialista (1975). A sua obra reparte-se pela ficção e pela poesia, embora seja nesta última que a sua inspiração clássica dá ao seu verso uma dimensão solar e luminosa, que permite ouvir nitidamente a palavra com todo o peso da sua musicalidade limpa, ao encontro do modelo clássico. Entre as suas obras poéticas contam-se Coral (1950), Mar Novo (1958), Livro Sexto (1962), Geografia (1967), Navegações (1983), Ilhas (1989), Musa (1994) e O Búzio de Cós e Outros Poemas (1997). Em ficção publicou Contos Exemplares (1962) e Histórias da Terra e do Mar (1983). Da sua literatura infantil destacam-se O Rapaz de Bronze (1956), A Menina do Mar (1958), A Fada Oriana (1958), O Cavaleiro da Dinamarca (1964) e A Floresta (1968). Em 1999 é-lhe atribuído o Prémio Camões, pelo conjunto da sua obra, e em 2001 ganha o Prémio Max Jacob de Poesia. Foi condecorada pela Presidência da República com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1998. Faleceu em Lisboa, a 2 de Julho de 2004.

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Community Reviews

5 stars
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5 (2%)
1 star
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Displaying 1 - 20 of 20 reviews
Profile Image for Ana.
101 reviews23 followers
April 17, 2022
Um livro muito luminoso. Para se ler num dia de sol.

Oásis


Penetraremos no palmar
A água será clara o leite doce
O calor será leve o linho branco e fresco
O silêncio estará nu - o canto
Da flauta será nítido no liso
Da penumbra

Lavaremos nossas mãos de desencontro e poeira
Profile Image for Beatriz Baptista.
170 reviews84 followers
December 1, 2024
3/5 ⭐️

este foi o meu primeiro contacto com a obra de sophia de mello breyner desde a escola primária e a primeira vez a ler a sua poesia. um livro pequenino, que se lê numa manhã solarenga, cheio de luz, memórias, referências a fernando pessoa, dedicatórias a amigos e algum comentário político (pró esquerda e contra a direita). em “o nome das coisas”, andresen tanto me surpreendeu pela positiva, como me desiludiu um pouco.

não deixem que as minhas 3 estrelas vos afaste deste livro. a minha pontuação mais baixa vai para o facto de, em 52 poemas, há alguns que eu achei mesmo maus (talvez não tenha sensibilidade suficiente para os compreender) contudo, há poemas que são excelentes, que guardo com carinho e admiração. no geral, preferia que esta coleção tivesse tido uma curadoria melhor, mas continuo a achar que a qualidade dos poemas bons tem mais valor que o número superior de poemas “”maus””.

poemas preferidos foram: ─────── ☽ •
Guerra Ou Lisboa 72: 4/5
Lagos I: 4/5
Nesta Hora: 5/5
Com Fúria e Raiva: 4/5
A Casa Térrea: 4/5
Caderno I: 4/5
Museu: 4/5
Carta de Natal a Murilo Mendes: 5/5
Regressarei: 4/5
Açores: 4/5
Nestes Últimos Tempos: 5/5


excertos dos meus poemas preferidos: ─────── ☽ •

Meia verdade é como habitar meio quarto
Ganhar meio salário
Como só ter direito
A metade da vida

O demagogo diz da verdade a metade
E o resto joga com habilidade
Porque pensa que o povo só pensa metade
Porque pensa que o povo não percebe nem sabe


— NESTA HORA

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra


— COM FÚRIA E RAIVA

Que a arte não se torne para ti a compensação daquilo que
[não soubeste ser
Que não seja transferência nem refúgio
Nem deixes que o poema te adie ou divida: mas que seja
A verdade do teu inteiro estar terrestre


— A CASA TÉRREA

Como eu só o via nessa quadra do ano
Não vejo a sua ausência dia-a-dia
Mas em tempo mais fundo que o quotidiano

Descubro a sua ausência devagar
Sem mesmo a ter ainda compreendido
Seria bom Murilo conversar
Neste dia confuso e dividido

Hoje escrevo porém para a Saudade
- Nome que diz permanência do perdido
Para ligar o eterno ao tempo ido
E em Murilo pensar com claridade -


— CARTA DE NATAL A MURILO MENDES

Nestes últimos tempos é certo a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças

Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?

Que diremos do lixo do seu luxo — de seu
Viscoso gozo da nata da vida— que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?

Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?

Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?

Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto

Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?


— NESTES ÚLTIMOS TEMPOS

boas leituras! ─────── ☽ •
Profile Image for João Mendes.
293 reviews17 followers
April 23, 2023
Este é o amor das palavras demoradas
Moradas habitadas
Nelas mora
Em memória e demora
O nosso breve encontro com a vida.
Profile Image for Ana.
24 reviews6 followers
December 30, 2023
“A paixão nua e cega dos estios
Atravessou a minha vida como rios”
Profile Image for Gonçalo Teixeira.
7 reviews
April 23, 2024
25 de Abril Sempre

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Profile Image for Madalena.
274 reviews13 followers
March 15, 2022
3/5*

Opinião completa em breve (http://presa-nas-palavras.blogspot.com/)

Talvez tenha começado o livro com demasiada expetativa: além de os poemas retratarem, supostamente, um período histórico extremamente interessante - a guerra colonial, a queda do regime e o surgimento dos partidos em Portugal, foram escritos por aquela que, na minha infância, foi a autora que mais li e de quem tanto gosto. No entanto, a qualidade dos poemas em si, infelizmente, não me convenceu. Além de a grande maioria ter rima solta, não retratou os acontecimentos históricos como eu esperava, apesar de haver uma "mão cheia" de poemas que o faz.
Não foi, sem dúvida, um livro para mim. No entanto, é de uma autora incrível e fantástica que eu recomendo a qualquer pessoa.
Profile Image for vuelociego.
101 reviews13 followers
July 21, 2021
«Como ondas do mar dançam em mim os pés do teu regresso (36)».

«Que a arte não se torne para ti a compensação daquilo que
[não soubeste ser
Que não seja transferência nem refúgio
Nem deixes que o poema te adie ou divida: mas que seja
A verdade do teu inteiro estar terrestre

Então construirás a tua casa na planície costeira
A meia distância entre montanha e mar
Construirás —como se diz— a casa térrea—
Construirás a partir do fundamento» (39.)
Profile Image for Joana Sacadura.
23 reviews16 followers
August 10, 2025
"Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo"

"Este é o amor das palavras demoradas
Moradas habitadas
Nelas mora
Em memória e demora
O nosso breve encontro com a vida"

"A paixão nua e cega dos estios
Atravessou a minha vida como rios"

"O poema é
A liberdade
..."

"...
E dói-me a luz como um jardim perdido"

"Como o rumor do mar dentro de um búzio
O divino sussura no universo
Algo emerge: primordial projecto"

"...
Ali o tumulto cego confundia
O escuro da noite e o brilho do dia
Ali era a fúria o clamor o não-dito
Ali o confuso onde tudo irrompia
Ali era o kaos onde tudo nascia"
Profile Image for Gabriel Oliveira.
10 reviews1 follower
July 30, 2022
Sophia é um dos nomes para a eternidade, tal como diz Herberto Hélder.

A elegância com que escreve sobre a liberdade faz até parecer que este é o campo de Sofia.

Leitura muito rápida e recomendada a qualquer um, democrata.
Profile Image for Lícia Simões.
40 reviews3 followers
Read
December 30, 2023
"a arte não é luxo nem adorno. A história mostra-nos que o homem paleolítico pintou as paredes das cavernas antes de saber cozer o barro, antes de saber lavrar a terra. Pintou para viver. Porque não somos apenas animais acossados na luta pela sobrevivência."
Profile Image for Ana Luisa VL IG anarilhando.
34 reviews1 follower
February 4, 2020
Amei os poemas e a forma de escrever. Salvei vários para reler em outros momentos e me deixou muito curiosa para ler outras obras.
Profile Image for Sara Felix.
58 reviews3 followers
January 20, 2022
"Eu regressarei ao poema como à pátria à casa
Como à antiga infância que perdi por descuido
Para buscar obstinada a substância de tudo
E gritar de paixão sob mil luzes acesas"
Profile Image for David Gomes.
7 reviews
September 28, 2022
Um livro de valor imensurável.

Fui introduzido à poesia de Sophia de Mello Breyner por este livro e não podia ter sido melhor.
Recomendo a leitura.
Profile Image for Rui.
153 reviews
May 7, 2023
Não é a minha chávena de chá.
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews85 followers
February 15, 2015
Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra
Profile Image for Maria.
28 reviews5 followers
December 20, 2014
-Enquanto naufragas e te afundas e te esvais
E na praia que é teu leito como criança dormes
E devagar devagar a teu corpo regressas
Como jovem toiro espantado de se reconhecer
E como jovem toiro sacodes o teu cabelo sobre os olhos
E devagar recuperas tua mão teu gesto
E teu amor das coisas sílaba por sílaba
Displaying 1 - 20 of 20 reviews

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