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A Rosa do Adro

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Rosa, é a mulher mais bela de uma aldeia situada “a cinco ou a seis léguas do Porto”, “no fundo montanhoso de uma colina” e sendo bela faz despertar a paixão dos homens que a cobiçam, sobretudo a de Fernando e António. Mas Fernando ganha o amor de Rosa, e António não, apesar de ser um homem que tanto é capaz de morrer por ela, como de por ela matar.

A Rosa do Adro era a alegria e o enlevo de toda a gente. A rainha, o tudo daqueles lugares.

Publicada pela primeira vez em 1870, A Rosa do Adro é a obra mais conhecida de Manuel Maria Rodrigues, um escritor que nunca teve o reconhecimento em vida que merecia, apesar deste seu livro ser um dos romance mais vendido do século XX em Portugal.

Manuel Maria Rodrigues começou muito novo por ser tipógrafo nas oficinas do jornal “O Comércio do Porto” mas devido à sua sagacidade e talento natural para a escrita acabou com o tempo por ir subindo de posto, dentro do jornal, passando pela actividade de repórter, revisor, até chegar à de redactor efetivo. Esta posição gracejou-lhe tempo e meios para conseguir publicar alguns romances e operetas, tudo antes de atingir os 20 anos. Mas apesar de ser um escritor prolífero e talentoso nunca foi reconhecido como tal pelos críticos literários do seu tempo, habituados a obras mais eruditas e que desconsideravam romances de autores sem estatuto social e que continham histórias de amor provinciano, cheias de personagem prosaicas.

O reconhecimento nacional do seu trabalho começou precisamente no ano da sua morte, quando em 1899 se levou uma adaptação deste seu romance, “A Rosa do Adro”, para o palco. O sucesso foi estrondoso. Tanto que, 17 anos depois, quando o cinema português (ainda na fase do filme mudo) andava à procura de uma história para levar para o grande ecrã, foi o romance de Manuel Maria Rodrigues o escolhido, tornado-se assim, em 1919, numa das primeira obras literárias portuguesas a ser adaptadas para o grande ecrã e numa das primeiras obras cinematográficas do cinema português.

Mas a adaptação não terminaria aí. Em 1938 a obra foi novamente repescada para uma nova versão cinematográfica, desta vez em filme sonoro e mais fiel à história do romance, num filme que acabaria por ser o primeiro filme “remake” da história do cinema português. Tal como a versão anterior, o filme foi um estrondoso sucesso de bilheteira.

Graças a todas estas adaptações, o romance “A Rosa do Adro” acabaria por ser constantemente re-editado, ao milhares, ao longo do século XX, servindo-se sempre das imagens iconográficas dos posters de promoção das peças de teatro e dos filmes para adornar as capas. A última re-edição do livro é de 2011 o que faz da obra um dos maiores best-sellers de ficção da literatura portuguesa (o maior, se retiramos os livros de leitura obrigatória nas escola como “Os Maias” ou o “Amor de Perdição”).

208 pages, Paperback

First published January 1, 1973

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13 (10%)
1 star
4 (3%)
Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Pedro Ferreira.
Author 2 books9 followers
September 24, 2013
Decerto acharão estranho eu ter pegado neste livro!? Mas havia uma razão muito forte para o fazer, e feitas as contas não me arrependi.

"A Rosa do Adro", escrito por Manuel Maria Rodrigues, foi publicado originalmente em 1870 e adaptado ao cinema duas vezes: em 1919 por George Pallu (um dos primeiríssimos filmes produzidos em Portugal) e em 1938 por Chianca de Garcia (o mesmo realizador d'"A Aldeia da Roupa Branca").

Não aspira a grandes pretensões intelectuais, nem o conteúdo traz nada de surpreendente, procurando assim captar a atenção popular de um público semi-analfabeto. Embora não cumprindo os parâmetros de qualidade actuais, não poderei dizer que o livro seja mau, mostrando até bastante engenho na sua realização.

O conteúdo do livro torna-se curioso no aspecto em que ilustra a vida rural de um Portugal nos anos Oitocentos, já com alguns laivos de crítica social: o amor particularmente díficil entre uma costureira e o filho de um proprietário, os medos e receios de uma mulher daquela época face ao casamento, à possível «desonra» e ao sexo masculino em geral, o modo de vida rude, e o aspecto que gostei particularmente: as crendices populares em feitiçaria, «maus ares» e até,vejam só, lobisomens. A ingenuidade e o modo de agir dos personagens podem fazer rir um leitor comum em leitura desportiva, mas fechando olhos a aspectos irrelevantes e abrindo a mente à idealização (pois não passa disso) da vida daquela época, o livro pode oferecer-nos aspectos interessantes. É sobretudo um documento histórico e recomendo-o a alguém maluco como eu (haverão mais?) que se interesse por estes aspectos.

E para finalizar, aqui vão screenshots dos dois filmes:


Versão de 1919 - segundo li, a melhor.


Versão de 1938 - repleta dos típicos clichés do cinema de propaganda do Estado Novo.
Profile Image for Mariana Lis.
34 reviews4 followers
August 23, 2016
Encontra Rosa a momentânea lucidez por entre as negras lágrimas que se lhe fazem vergar o peito. Luz tépida de uma aposta certa no infortúnio, raríssima flor perfumada pelo sol e os encantos da juventude, ela é como tantas houve. Uma estória de província, donzela órfã de pai e mãe, desprevenida para o amor, sedutora sem o saber, ou até que o sabe, qual espiguinha que doura aqueles campos minhotos. Chega o citadino Fernando, jovem de palra e caracóis, imaginei eu que os tivesse, e dá-se de olhos na donzela que logo se lhes descai o coração.

É um romance que se lê muito bem, quase numa tarde se a disposição e o tempo de lazer o permitir, mas não creio que o tenhamos aproveitado da melhor maneira votando-o ao silêncio, embora não sem alguma razão. É verdade que tem um bom ritmo, linguagem sem afectação, mas às personagens, que o autor nos diz serem sem mácula, corrompe-as uma comoção exagerada, um espírito ligeiro e doutrinal, as palavras benzidas em água benta a cada verso. A incúria expiada pela tragédia: isto é um modelo que hoje em dia repugnaria boa parte dos leitores mais jovens, mesmo os mais abertos aos clássicos da nossa literatura portuguesa. Mas vai que nada disso importa já. Quantas vezes não é a beleza triste a que mais facilmente nos faz quebrar. Deolinda é como nunca as encontrámos, nem no Porto nem em terras de além-mar, e Fernando é na verdade um grandessíssimo cretino. Isto é drama! Aos Antónios encontramo-los com frequência, dos romances mais sérios, como este, aos de brincar, o amigo que tira um prazer quase masoquista em enterrar-se mais e mais fundo na apelidada friendzone, que com certeza não é costume ou novidade dos nossos dias. Encontramos neste livrito de duzentas páginas material subversivo o bastante como em qualquer outra obra queirosiana, mas o estilo é outro e há certas investidas de Manuel M. Rodrigues que hoje em dia são já defeitos de uma credulidade quase insana! Mas a mais louca ainda é a Rosa que se deixa amorar por um pé de alface.
Profile Image for Melanie Ribeiro.
27 reviews6 followers
November 2, 2021
Este livro foi intenso e um bom exemplo do romantismo português, caracterizado pelo seu "exagero" sentimetal, sua faceta trágica e o foco no amor.
Gostei muito de ler uma história que se desenlaçou no meio rural do Minho oitocentista, pois retratou muitos costumes, crenças e a vida das pessoas daquela época, apesar de ser uma história ficcional.
Para além disso, é contada uma história de amor que começa de forma inocente, mas que cresce numa ardente paixão e sentimento. Por outro lado, o autor foca-se muito nas gentes simples do povo, o que é extremamente interessante e de louvar, pois não era comum para aquela época.
A única coisa que não gostei foi do forte sentimentalismo presente um pouco por toda a obra, que parecia um pouco demais. Porém, como já disse, é uma obra romântica, logo é normal isto ocorrer.
Profile Image for Liesel.
32 reviews
December 30, 2020
O amor e os dissabores de Rosa uma costureira que se apaixona por Fernando (médico). Um romance trágico mas interessante.
"Do rosto fugira-lhe aquele ar de satisfação, assim como o carminado da cútis: os olhos, outrora brilhantes, tronaram-se de uma languidez e insensibilidade espantosa, e os lábios nacarados, que pareciam a cada instante pedir beijos, estavam agora secos e desbotados como as pétalas de uma rosa crestada pelo sol; finalmente, aqueles louros cabelos, que ela caprichava em trazer sempre nédios e penteados, viam-se em desalinho e eriçados pela falta de cuidado. (...) Ainda assim, Rosa era sempre encantadora, mais encantadora talvez do que nunca! Aquela tristeza que lhe ensombrava de contínuo as faces, a palidez do rosto e aquele olhar amortecido, mas de uma ternura angélica, davam-lhe um aspecto mais poético e enternecedor."
Profile Image for Leandro Guilherme.
13 reviews
March 30, 2024
Especificamente dou 3,5.
Livro que relata o relacionamento mais love bombing que mais alguma vez vi, é futil de certa maneira, chega a ser meio incoerente com algumas ou até várias atitudes dos personagens.
Mas, apesar de tudo, é um livro que se saboreia.
Profile Image for Sandro Filipe.
174 reviews2 followers
March 1, 2016
Rate: 3.5 stars

“A Rosa do Adro” is a portuguese classic that tells us the story of a man and a woman and their tragic romance. As many of his contemporaries, we can find an imposition of the personal character of the author thorough the book; however, and contrarily to these same contemporaries, we verify a care by the author in preserving a nice and easy reading, not letting himself give in to some whims in establishing his own individuality.

Unfortunately, when I’m rating a book I put in account my personal tastes too. Even though I’m not very romantic, I like books with happy endings or, at least, the most similar to that. That way, if I already don’t like the romantic type of books, even less I like tragic romances (or romantic tragedies). [Spoiler Alert] On the other hand, the total rendition of Rosa and Deolinda to Fernando, the apparent indifference to his daydreams and less honored attitudes and their passion and caring towards him, didn’t convince me at all. It’s the typical love story we can only find in books that, when transposed to reality, makes no sense at all. These may have been the less good points that prevent me from rating this book with 4 stars, and since I could never classify it with only 3 stars, 3,5 stars will be the most fair.

trad.: “A Rosa do Adro” é um clássico português que conta a história de dois jovens e do seu romance trágico (ou trágico romance). Tal como a maioria dos seus contemporâneos, é possível verificar ao longo do livro a imposição de uma marca pessoal por parte do autor; contudo, e contrariamente a estes mesmos contemporâneos, verifica-se uma atenção por parte deste na preservação de uma leitura agradável e de fácil compreensão, não se deixando levar por certos caprichos enquanto estabelece a sua própria individualidade.

Infelizmente, quando classifico um livro parte dos argumentos baseiam-se em gostos pessoais. Apesar de não ser muito romântico, gosto de livros com finais felizes ou, pelo menos, o mais semelhante a tal. Então, se já não gosto de romances, menos ainda gosto de tragédias românticas. [Alerta de Spoiler] Por outro lado, a entrega total que tanto a Rosa do Adro como a D. Deolinda tinham a Fernando, a aparente indiferença face aos devaneios e atitudes menos honrosas deste e a paixão e preocupação que ainda assim demonstravam para com ele, não me convenceu. É a típica história de amor só encontrada em livros e que, quando transposta para a realidade, não faz sentido nenhum. Estes terão sido talvez os pontos menos bons que me impedem de classificar este livro, prontamente, com 4 estrelas, e de forma alguma poderia classificar este livro com apenas 3 estrelas, sendo então o mais justo 3.5 estrelas.
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