Resumo da resenha em duas palavras: não leia!
O autor não tem rumo, a escrita parece refletir uma mente que divaga para um lado, para o outro, depois volta (um mestre que ensina meditação tendo uma mente desfocada?)... um conjunto de frases batidas salpicadas, na maioria das vezes inofensivas, até nos trechos mais próximos do final do livro, o que estava a espreita se revela: O autor fala da meditação como ferramenta de evolução, porém ele acrescenta um “OU” para sugerir como alternativa o serviço altruísta como veículo de evolução.
Esta é uma sugestão potencialmente danosa para quem de fato esteja em busca de um caminho de evolução e libertação dos cancros dos desejos.
O autor ainda se mostra, ao longo de sua exposição caótica, inclinado a dar uma “solução” espiritual para pessoas abastadas que se encontrem numa fase das vida de questionamento ou busca espiritual. Fui construindo uma desconfiança de que seria esse o público-alvo do autor. Um livro de orientação espiritual ter um público-alvo de pessoas que tenham um certo poder aquisitivo já me parece errado por princípio. As aparências se confirmaram ao ver os cursos e palestras pagos (e muito bem pagos) que o autor oferece, além do tipo de veículo que vem dando exposição para o trabalho dele (programas de opinião do canal GNT).
Agora as ações práticas ao final do livro são um espetáculo a parte. Uma listagem de perguntas no intuito de que o leitor promova uma auto-análise. Imagino ser um fruto da formação do autor em psicanálise, porém as perguntas passam muito longe de preencher a resposta para a pergunta que o próprio título do livro coloca já na largada: qual o seu propósito?
Sobre meditação, recomendo um livro chamado A ciência da meditação. De um ponto de vista espiritual, recomendo a busca do budismo com a leitura do trabalho do Cohen (que fez uma tradução dos textos Theravadas direto do Pali para português) além da busca de qualquer local de prática budista mais próximo de você, porque ao contrário do que o Sri Prem Baba sugere, um caminho sem orientação pessoal, presencial e real olho-no-olho é um caminho que já começou errado.