Comecei a ler Invencível por conta da série do Prime Video, tendo em vista que na época, havia apenas 2 temporadas e a Panini ainda não tinha anunciado a publicação no Brasil. Assim, comprei esse compendium volume 1 para continuar a jornada de Mark Grayson além da animação.
Considerando o tamanho desse quadrinho e suas 47 edições, é um pouco complexo comentar tudo, principalmente porque acontece muita coisa. São vários arcos desenvolvidos ao longo dessas 47 edições, que as vezes variam na qualidade de um para o outro – não que eu achei algum arco ruim, mas a inconsistência nos desenhos e a “enrolação” de algumas subtramas me cansaram um pouco – assim como abordam diferentes temas.
No geral, foi um compendium muito bom de ser lido. Essa primeira parte da jornada do Mark me conquistou, fazendo com que o personagem tenha um carinho da minha parte, já considerando-o um dos meus personagens favoritos dos quadrinhos.
No que tange o Invencible, ele passa por uma transformação drástica durante seu desenvolvimento. Desde criança, ele fora criado por seus pais, até o ponto em que ele descobre que seu pai é um super herói, daquele padrão Superman que ajuda as pessoas e preza pela segurança da população necessitada. Assim, Mark cresce com esse ideal de super herói, que quando desenvolve seus próprios poderes, ele se baseia nessa virtude para guiar suas ações. Porém, quando acontece uma ruptura com esse ideal/paradigma vigente envolve sua concepção de herói, principalmente se tratando de sua figura paterna, a vida de Mark e sua mãe mudam para sempre. E ainda, após ele continuar agindo como herói e depois ultrapassar uma linha que até então ele não havia cruzado, seus traumas e seu pensamento em ser semelhante ao seu pai, trazem uma carga melancólica para o personagem que eu não esperava.
Embora eu já ache interessante o começo de Invencivel, quando ocorre essa ruptura envolvendo o pai do Mark, a HQ engata uma crescente muito boa, trazendo a tona algo novo para o gênero de super heróis para a época, tendo em vista que Invencivel é de 2003. Toda essa violência que permeia a HQ, as escolhas de roteiro e as ações que os personagens sofrem e/ou executam, tem uma consequência a altura e sem retorno. Por exemplo, a morte de um personagem é algo imutável, não havendo brechas de cronologia e roteiro para traze-lo de volta. Assim, o sentimento de angustia e urgência em certas páginas, tornam a HQ muito boa, prendendo o leitor para querer saber o que irá acontecer. Essa ideia de ações tem consequências funciona muito bem ao longo da HQ.
Ainda falando do Mark, é muito interessante acompanhar sua evolução enquanto herói tanto quanto humano. Ao mesmo tempo que ele precisa lidar com a desconfiança da população com o invencível e pensar em como enfrentar os Viltrumitas, ele também precisa lidar com a faculdade, relacionamento e no luto que sua mãe está vivendo após a incidente com seu pai.
E falando sobre a mãe do Mark, que baita personagem de apoio ao protagonista que temos na trama! Apesar da Debbie ter poucas aparições no começo e ser a esposa do herói, após as ocorrências com o pai do Mark, ela se torna mais presente na trama, se mostrando uma mulher forte, mas que ao mesmo tempo está feridas e busca melhorar. Ao vê-la no fundo do poço em alguns momentos, faz com que sentimos pena da Debbie, mas ela retorna com garra e busca superar seus traumas de maneira bem interessante, e sem dar apoio ao Mark nos momentos em que ele precisa. Embora também mereça ser destacado a relação de apoio de Mark para com sua mãe também, pois a relação e união dessa família é sensaonal.
Além da Debbie e do Mark, destaco também a Eve, que logo no começo demonstra ser uma personagem forte, cativante e com proposito de heroína muito exemplar. Seus poderes são sensacionais, abrindo uma margem para criatividade e exploração excepcionais, possivelmente levando-a ao patamar de uma das personagens mais fortes do quadrinho quando ela atingir seu potencial máximo. Ainda sobre a personagem, eu comprei bastante o background da Eve em relação aos seus pais e como eles a enxergam. Esse relacionamento conturbado envolvendo seus pais e seus poderes, fizeram com que eu me importasse ainda mais com a persogem.
Ademais, destaco toda a galeria de personagens como sendo bem bacana e bem desenvolvidos. Ainda existem muitas outras subtramas e, embora alguns personagens pareçam genéricos da Marvel e DC, eles possuem desenvolvimentos peculiares, deixando a semelhança apenas para o design.
Por fim, acredito que Invencível irá crescer ainda mais em qualidade nas próximas edições, considerando todo o terreno desenvolvido e preparado até então. Houve muita violência, espionagem, suspense, traição e moralidade envolvido nesse volume, e espero que tudo isso continue e me surpreenda ainda mais com o que está por vir.