Bom, não é o trabalho mais impressionante, mas, como os outros, há um certo brilho nos detalhes; ciúmes, solidão, inveja, um pouco de violência insensata e uma leve pornografia.
Dois assistentes de laboratório de cientistas malucos tomam um café e reclamam dos seus mestres, como qualquer um de nós faz quando encontra colegas do mesmo escalão; enquanto isso, após criar o Monstro, o Cientista Maluco resolve criar uma companheira para ele, afinal o Monstro vive se metendo em confusões dignas de comédias sexuais dos anos 80 - acho que o Cientista usou partes de adolescentes sexualmente reprimidos, sei lá. Enfim, criando a Noiva, o Cientista olha para os dois juntos - Noiva e Monstro - e sente um certo ciúme, um pouco de inveja, porque, lá no fundo, o Cientista é um cara solitário - totalmente pirado, mas solitário. Há uma série de pequenos encontros e desencontros entre os personagens da trama e "Daqui, não se chega lá" porque nunca se sai daqui, a história é um tanto circular e essa circularidade demonstra uma das partes mais intrigantes da solidão na nossa vida moderna; a idealização.
A maioria dos personagens parece construir - algumas vezes literalmente - a pessoa perfeita que os tire da solidão, claro, isso não acontece, não existe perfeição, então um fica procurando incessante por aquele ideal e outro começa a construir o seu; sem nunca sair daqui.
Contudo acho importante fazer uma ressalva, como o Jason não utiliza diálogos pela maior parte da obra, talvez eu esteja colocando as palavras que eu quero nos quadrinhos. Isso pode acontecer.