Dois ensaios de referência fundamental para os estudos de gênero e sexualidade são reunidos e publicados neste volume. “O tráfico de mulheres” foi publicado em 1975, sob o impacto da tradução de Lévi-Strauss e da crescente presença do marxismo e da psicanálise no meio acadêmico estadunidense, num período em que as ciências humanas afirmavam que a desigualdade não era natural (mas social), e a antropologia se questionava sobre a universalidade da opressão das mulheres. Revendo e problematizando autores canônicos – Marx e Engels, Lévi-Strauss, Freud e Lacan – Rubin utiliza pela primeira vez o termo gênero num texto de teoria antropológica, afirmando a existência de um sistema de sexo-gênero, associado à própria passagem da natureza para a cultura. Ela critica e questiona a heterossexualidade implícita no raciocínio desses autores – como a presença de um tabu anterior ao do incesto, o da homossexualidade na teoria de Lévi-Strauss. Numa linguagem acessível para não antropólogos, Rubin argumenta que gênero e sexualidade devem ser pensados em interação, sugerindo que é o próprio arranjo do parentesco que produz socialmente o gênero, uma vez que por meio do casamento e da divisão sexual do trabalho se institui a diferença entre homens e mulheres.
Gayle S. Rubin (born 1949) is a cultural anthropologist best known as an activist and influential theorist of sex and gender politics. She has written on a range of subjects including feminism, sadomasochism, prostitution, pedophilia, pornography and lesbian literature, as well as anthropological studies and histories of sexual subcultures, especially focused in urban contexts.
Gayle S. Rubin is Associate Professor of Anthropology, Women’s Studies, and Comparative Literature at the University of Michigan.
No primeiro ensaio, O tráfico de mulheres, Rubin faz um paralelo entre Lévi-Strauss e Freud chegando em Lacan e explicita o gênero dentro da psicanálise. Gayle faz em sessenta páginas o que em cinco anos de graduação em psicologia não fizeram: eu ficar em paz com a questão de gênero pelo viés psicanalítico. Rubin termina o ensaio, escrito em 1975, implorando que alguém reescreva a Origem da propriedade, do Estado e da Família de Engels com a questão de gênero mais elucidada, felizmente trinta anos depois de ter escrito isso Silvia Federici apareceu com seu Calibã e a Bruxa. O segundo e último ensaio, Pensando o Sexo, é uma ode à subjetivação da sexualidade e que as feministas radicais não irão gostar por afrontar justamente todo o tipo de conservadorismo presente em seus discursos, desde a questão do sexo comercial como a pornografia e prostituição, até a questão do consentimento intergeracional, tudo isso sob um viés liberal. Um livro realmente essencial, tanto em questões feministas quanto antropológicas.
E|ste livro, Políticas do Sexo, de Gayle Rubin, traz dois grandes artigos da influente pensadora feminista. O primeiro deles, "tráfico de mulheres", demosntra como existe uma espécie de negociação e de comércio quando se envolve as peculiaridades do sexo/gênero feminino. Nele, Rubin desafia pensamentos falocêntricos estabelecidos e reverenciados como os de Marx e Engels, de Levi-Strauss e de Freud. Já o segundo artigo, "pensando o sexo", traz a definição do "sistema sexo/gênero", que é caro ao pensamento de Rubin, em que ela apresenta com a relação contemporânea com a sexualidade humana assume hierarquias e é dividida entre aquilo que é considerado "sexo bom" e "sexo ruim", em que o sexo bom significa um casal heterossual jovem e o ruim é tudo aquilo que foge desse tipo de relação. A esquematização que a autora desenvolve para este tipo de classificação é sensacional e foi o que me levou a adquirir este livro. Recomendo!
O primeiro ensaio desse livro, “o tráfico de mulheres”, é uma grande referência para os estudos de gênero e sexualidade. É um livro essencial pra quem estuda ou tem curiosidade pelo assunto! Para mim, a leitura do segundo ensaio não foi tão proveitosa quanto a do primeiro.
“Até o final dos anos 1920, o movimento psicanalítico não tinha nenhuma teoria específica tratando do desenvolvimento das mulheres.
Em vez disso, haviam sido propostas variações de um complexo de “Electra” no caso das mulheres, nas quais se pensava a experiência feminina como uma imagem espelhada do complexo de Édipo descrito no caso dos homens. “
Freud, levi-Strauss, Lacan, Jeanne Lampl-de Groot, Karen Horney, entre outros, sobre o parentesco, o tabu do incesto, heterossexualidade compulsória e a divisão assimétrica dos sexos. Vale a pena a leitura!
O primeiro ensaio é muito, muito bom. O segundo ensaio eu entendi muito, muito pouco. –kk é super relevante, eu achei um pouco maçante, mas as vezes acho que só sou um pouco burra pra esse tipo de leitura.
O primeiro texto é muito bom, o segundo me deixou desconfortável em vários pontos (em todos os momentos que Gayle fala algo sobre “relacionamentos intergeracionais”). Acredito que ainda vou ter que ler outros trabalhos dela para entender essa posição.
Atualização: não consegui terminar de ler, a crescente apologia à pedofilia me gera um incômodo muito grande. A autora levanta pontos muito relevantes, mas essa “posição” que ela toma me impossibilita de continuar lendo.