AS sinopses dos livros de Sandra Brown fascinam-me sempre. Quando sai um novo livro é inevitável que eu queira tê-lo na mão.
Este livro, reteve a minha atenção logo aquando da sua publicação. Entretanto metem-se no meio outras leituras e para intercalar géneros e autores, muitas vezes autores favoritos ficam para trás. Consegui finalmente adquirir todos os livros da autora este ano na feira do livro de Lisboa.
O meu género de leitura favorito é o policial e, quanto mais sangrento e violento, melhor.
S. Brown, consegue conjugar a componente policial com o romance de uma maneira que eu acho super inteligente.
Transforma um livro que deve ser nomeado como policial, numa dança entre dois géneros, elaborada de uma forma muito cativante.
"Uma voz na noite" leva-nos num labirinto de emoções. Conhecemos Paris Gibson, uma locutora de rádio que consegue atrair as atenções sobre si própria mesmo sem querer ou ter qualquer noção sobre isso, pois ela é apenas. . . uma voz.
Desloca-se para o trabalho e, no seu dia-a-dia com óculos de sol. Consegue ser misteriosa. Mas será essa a razão para os utilizar?
É uma locutora de rádio nocturna que mantém um excelente contacto com os seus ouvintes, faz imensa companhia durante as 4h de duração do seu programa. Coloca conversas com os ouvintes no ar, pedidos de músicas por ocasiões especiais, conselhos, etc. Até ao dia em que recebe uma chamada bastante ameaçadora que a coloca alerta e entra de imediado em contacto com as autoridades.
Aqui entra Sandra Brown a fazer a sua magia. . . São introduzidos uma série de personagens com as suas caraterísticas, uns inofensivos (ou assim se pensa), outros com passados obscuros e preocupantes. . .
Há ainda uma personagem que tenho de destacar pela força de carácter e a dinâmica que criou na minha leitura. Dean Malloy.
Um homem que me despertou todos os sentidos desde o início.
Fui percorrendo o caminho da leitura e, para não variar, fui levada para onde a autora queria que eu fosse, e é esta a característica que mais admiro na autora, cria labirintos na minha cabeça e eu desconfio de todas as pessoas que ela me vai "pondo à frente".
Compulsão sexual, pedofilia, incesto, abusos infantis, violência, rapto, infidelidade. Este livro tem quase tudo. Ah! Tem crime (ou crimes).
Sou tão distraída pela narrativa que, em vez de, querer mais mortes (normalmente o que quero ler nos policiais), só quero descobrir e ter acesso a partes do assassino. Sim. Outra vantagem deste livro, temos acesso às partes perpetradas pelo assassino.
O que pergunto acerca deste livro é:
-Será que, acontecimentos do passado estão assim tãããooo no passado??
-Podemos suscitar interesse em pessoas que nunca vimos mas que ficam obcecados connosco de uma maneira irreversível?
- Serão acontecimentos do passado desculpas para levarmos a nossa avante?
Escusado será dizer que fui completamente assoberbada pelo final.
Mais uma vez.