Eu precisei de um pouco de tempo depois de ler o livro antes de fazer um comentário. Colocado de forma simples e direta, Corrosão tem uma premissa muito interessante e é bem escrito, mas não é o tipo de ficção científica que eu gosto. As intensas descrições técnicas acrescentam pouco ao texto que também tende a fazer constantes digressões filosóficas que quebram o ritmo da narrativa que também é densa e custa a avançar. Os personagens são, em sua grande maioria, indistinguíveis uns dos outros, pois não possuem traços marcantes (eu nunca conseguia lembrar quem era quem, e isso tampouco parecia importante para o andamento da história). O tratamento dado às personagens femininas em geral é algo que me incomodou, visto que elas parecem ser na maior parte do tempo objetos de desejo masculino ou indivíduos prejudiciais à missão por conta de serem muito "emotivas". Achei que falta no livro um coração pulsante. Embora eu reconheça que muitos gostem desse tipo de ficção científica no qual a ideia se sobrepõe ao enredo e aos personagens, nunca foi o tipo de sci-fi que me agradou pessoalmente, seja em português ou em qualquer outra língua. Daí, 2,5 estrelas de 5, arredondado pra 3, pois a imaginação e o empenho do autor na pesquisa técnica envolvida na produção do romance são inegáveis, e Corrosão certamente irá agradar uma boa parcela de leitores que gostam desse tipo FC.
Candidato a se tornar um clássico dentro do subgênero de FC hard brasileira, o que torna o livro em si é um raro exemplar, Corrosão é aquele tipo de ficção científica que nos inspira e deslumbra, um filho da tradição clarkeana de sense of wonder regado a música erudita, mesmo que em um mundo primariamente de máquinas e seres humanos destas não muito distintos: ao mesmo tempo, apresenta ao leitor aspirações, inspirações e outras pirações filosóficas e metafísicas que me levam a mais do que encaixá-la sob um subgênero, mas a arriscar dizer que esta é a lua de platina da FCB.