Poucos autores foram tão lidos, comentados e traduzidos ao longo dos últimos cem anos quanto Paul Valéry. Contudo, só agora chega ao Brasil uma tradução completa dos seus Feitiços. Trata-se de uma obra que, após a experiência radical de A jovem parca, flutua entre diversas possibilidades poéticas que produziriam obras-primas como “O cemitério marinho”, um dos mais famosos poemas do século XX, e outros tantos como “Esboço de serpente”, “A Pítia”, “Fragmentos do Narciso”, “Os passos”.
Muitos desses poemas já haviam sido traduzidos isoladamente, mas a visão de conjunto permite sopesar o alcance da estratégia antimoderna de Valéry. Ao resgatar o artesanato do verso, ele buscava também abarcar outros modos de vida esquecidos pela tábula rasa da modernidade: a relação com a natureza, a vida dos seres míticos, o modo de existência da linguagem, a hesitação prolongada entre o som e o sentido que fecundam outros modos de sensibilidade e outras maneiras de habitar o tempo.
Claro que ao longo dos poemas, será impossível o leitor não perceber o quanto a poesia de Valéry reverbera e ressignifica a fineza de sua prosa, que ocupa parte importante do seu legado. Mas é interessante notar que Valéry é desde o início poeta, sim, um poeta que levou tão a fundo as questões do seu ofício que tocou em uma infinidade de outras questões: da guerra à cosmologia, da linguagem à política, da vida sensível ao pensamento abstrato. Tudo entra em ressonância quando levamos ao limite a potência dos nossos atos.
Mesmo para aqueles que ainda guardam a imagem de um Valéry intelectual, será interessante passear pelo ritmo dos afetos e das sensações que fluem como o mar entre o imaginário mediterrâneo e um forte de diálogo com séculos de poesia europeia. Recolhe-se aqui um savoir-vivre das variações do espírito quando este, longe de uma pureza abstrata, se coloca entre o corpo e o mundo.
Para os tradutores, aqui reverbera também uma larga tradição poética brasileira que tem entre os seus precursores figuras do porte de Drummond, João Cabral e Augusto de Campos, entre tantos outros notáveis valerianos. É no diálogo com eles que esses poemas vieram até nós, como uma experiência viva que habita a raiz da palavra “feitiço”: como um fazer, uma prática, uma técnica, mas que é atravessada pelo encanto, pelo canto, pela magia, pela capacidade de animar o mundo com outras infinitas camadas de existência.
Paul Valéry (1871-1945) foi um dos mais importantes escritores franceses do século XX. Poeta amplamente reconhecido, fez da poesia um microcosmo que lhe permitiu entrecruzar os mais diversos campos do saber (poética, linguística, psicologia, política, física, biologia) e os mais variados meios de escrita (poemas, ensaios, traduções, peças, diálogos). Sua obra secreta, os cadernos, são o testemunho das dores e alegrias de uma vida que recusou a banalidade e a violência do mundo, partindo em busca de outras formas de pensamento e de outros modos de existência.
Ambroise-Paul-Toussaint-Jules Valéry was a French poet, essayist, and philosopher. His interests were sufficiently broad that he can be classified as a polymath. In addition to his fiction (poetry, drama and dialogues), he also wrote many essays and aphorisms on art, history, letters, music, and current events.
Valéry is best known as a poet, and is sometimes considered to be the last of the French Symbolists. But he published fewer than a hundred poems, and none that drew much attention. On the night of 4 October 1892, during a heavy storm, Paul Valéry entered an existential crisis, which made a big impact on his writing career. Around 1898, his writing activity even came to a near-standstill, due partly to the death of his mentor Stéphane Mallarmé and for nearly twenty years from that time on, Valery did not publish a single word until 1917, when he finally broke this 'Great Silence' with the publication of La Jeune Parque at forty-six years of age. This obscure but superbly musical masterpiece, of 512 alexandrine lines in rhyming pairs, had taken him four years to complete, and immediately secured his fame. It is esteemed by many in France as the greatest French poem of the 20th century.
o autor faz bastante uso dos sentidos como ferramenta de poética, mas pra mim esse uso se torna meio maçante depois de um certo tempo, algumas poesias se destacam quando ele tenta buscar algo além do físico, mas ao todo eu achei “okay”
من يكلمني، في مكاني هذا؟ أيُّ صدىٍ يجيبني:إنكِ كاذبة؟ من يُلقي علي الأضواء؟ من يسبني؟ ومن، بهذهِ الكلمات الغاضبة التي يمزق وهجها لساني، يجعلهُ يطلق كلامًا مملًا محطمًا الحديث الحاقد والأفكار التي يلوكها وينسجها الهذيان فمٌ يريد أن يندم ويستعد رضاه؟
وأنتِ، أيتُّها الروح العظيمة، هل تأملين في حياةٍ أخرى! ليس لها طابعٌ من الأكاذيب التي تصورتا المياه والضوء الذهبي هنا للجسد؟ هل ستفرحين عندما تصيرين طيفًا؟ هيا كل شيء يغني! وجودي يتبدد شيئًا فشيئًا وأمل الخلود يموت كذلك.
اقتباسات "من " ترتيل الأعمدة: كلٌ يضحي بصمته حتى تتحد الأنغام. / بنفس الحب الأهم في العالم نجتاز الأيام كما يغوص حجر في الماء! نسير في الزمن و أجسادنا متلألئة لها خطوات ثابتة تطبع أثرًا في الأساطير -- "من " النحلة: إني في حاجة لألم عاجل ألمٌ حاد ينتهي بارتياح / فليكن إحساسي إذن متوهجًا من هذا الإنذار البسيط الذهبي الذي يموت بدونه الحب أو ينام. -- لقصيدة '' الشعر'' خمس نجوم كاملة --
“Great Sun, who rouse all being And temper it with fire, Who close it with a sleep Painted with bright deceit; Poser of phantom scenes That make the soul’s obscure Presence at one seem plain, I’ve always liked the lie You give the absolute, Prince of the shades of flame!
Pour me your savage heat: Caught in cold lassitude I dream of tragedy Subtly enlaced like me. This sweet place that saw flesh Fall and couple is dear! My fury ripens here. I nourish it and grow Alert, and through my coils My meditations flow.”