Jovem simples e vibrante, Santa Catarina (1347-1380) sempre demonstrou grande amor pela Igreja e pelo mundo. Teve importante atuação religiosa e social no seu tempo, século XIV, apesar de ter vivido apenas 33 anos. Nos dez últimos anos de sua vida, a jovem leiga ligada à Ordem Dominicana escreveu ou ditou 382 cartas sobre os mais diversos assuntos, mas sempre marcadas pela linguagem clara e lógica, e pela sabedoria e profundidade teológica que a conduziram ao posto de Doutora da Igreja. Esta obra apresenta integralmente as cartas de Santa Catarina, revelando o espírito vibrante, conciliador e surpreendente que a tornou exemplo de fé e de vida no seu tempo e hoje.
"O Diálogo" de Santa Catarina de Sena é um clássico da espiritualidade cristã, mas também uma obra importante pela sua relevância histórica e literária. Escrito, ou melhor, ditado nos últimos anos de sua curta vida, o livro surgiu em um período bastante conturbado na história da Igreja e da Europa, o chamado Grande Cisma do Ocidente. Catarina tinha por volta de 30 anos e impressiona pela franqueza com que a santa trata de temas tão diversos, como as crises internas da Igreja, e profundos, como a providência divina, a Eucaristia, a contemplação, a união com Deus.
Estruturado em forma de diálogo, o livro alterna as petições da santa com as respostas de Deus Pai. Quatro pedidos orientam o livro: por si própria, para que possa adquirir o autoconhecimento e as virtudes necessárias para servir melhor a Deus; pela Santa Igreja, em que discorre sobre a situação da hierarquia eclesiástica e sobre a vocação sacerdotal e religiosa; pelo mundo todo, em especial pela paz dos cristãos; e por fim, para que a Divina Providência cuide de todos. A escrita de Santa Catarina reflete o seu profundo amor a Deus e à Igreja e é um livro para ser lido bem devagar, refletido e meditado.
Santa Catarina (1347—1380) nasceu em Sena (Siena) na Itália. Filha de uma família pobre e a penúltima de um total de vinte e cinco filhos, Catarina decidiu desde criança a se dedicar a Deus. Após um período de oposição da família, por volta dos quinze anos, ingressou como leiga na Ordem Terceira de São Domingos. Além do Diálogo, escreveu/ditou muitas cartas, não poupando papas, reis e nobres de sua exortação à Verdade. Teve um papel importante no retorno do papado à Roma. Foi canonizada em 1461, pelo Papa Pio II, e, em 1970, declarada Doutora da Igreja pelo Papa Paulo VI. Também é copadroeira da Itália e da Europa.