José António Saraiva nasce em 1948, em Lisboa. Forma-se em Arquitectura, actividade que exerce entre 1969 e 1983. Dá aulas no Centro de Formação da RTP entre 1977 e 1980. Autor da grande reportagem televisiva «O 25 de Abril, Três Anos Depois» e da série «Os Anos do Século». Colabora em variadíssimos jornais e revistas entre 1965 e 1983.
Director do semanário Expresso entre 1983 e 2005. Fundador e director do semanário Sol entre 2006 e 2015. Ganha o Prémio Luca de Tena de jornalismo ibérico do semanário espanhol ABC em 2005. Professor convidado da Universidade Católica no Instituto de Estudos Políticos, onde lecciona desde 2000 a cadeira Política Portuguesa. Publicou vários livros de Política e História, e também quatro romances.
Simplesmente incrível. Tanto a antologia de Casais Monteiro - embora um tanto complexa - quanto a cuidadosa (e digo cuidadosa porque efetivamente o é) seleção de poemas, que têm até coerência cronológica, são de louvar. Neste livro encontramos o que de melhor Pessoa escreveu (ainda que possam faltar alguns poemas de grande relevância como é o caso do Opiário, Ode Triunfal, Mar Português), desde a sua fase mais nostálgica, à fase da dor de pensar, à fase do fingimento, contando ainda com pequenos trechos referentes ao ocultismo e à Ordem de Rosacruz (incluindo um poema com o nome do manifesto rosacruciano elaborado por Francis Bacon). Para além dos, ainda que obrigatórios, poemas dos seus mais importantes Heterónimos (refiro-me, naturalmente, a Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos), este livro conta com traduções, ritmicamente conforme os originais, de Edgar Alan Poe, que eu, ainda que não aprecie tanto quanto a poesia de Pessoa, li prazerosamente. Resta apenas saudar a forma como este livro finda, com a tão célebre carta de Pessoa a Adolfo Casais Monteiro - que, repito, fez um excelente trabalho neste volume - e ainda, as "Notas para a recordação do meu mestre Caeiro" assinadas por Álvaro de Campos, que considero serem uma muito digna forma de terminar este livro, que em tantos aspetos homenageia Pessoa e a sua vastíssima obra.