Fran é uma influenciadora com milhões de seguidores. Sua vida diante da câmera é uma sucessão de frases de efeito, dicas de saúde e cenários paradisíacos. Para ela, a * é uma oportunidade de "fazer um balanço", "buscar novos desafios" e "crescer". Das três trabalhadoras domésticas que são funcionárias de Fran, apenas Ju, que é mãe da Drica e gosta de tirar fotos em seu tempo livre, aceita passar a quarentena com ela ? as outras são mandadas para casa com metade do salário. Em nome do sustento da família, Ju inicia uma dura convivência com Fran, que se revela mais alienada, e sobretudo cruel, do que ela poderia supor. A partir da postura crítica de Ju e de seu olhar incisivo para as desigualdades que compõem a sociedade brasileira, Confinada vai escancarar as bases dessa crueldade.
Ainda é bizarro revisitar tudo o que aconteceu durante a pandemia, custa acreditar na estupidez das pessoas. De toda forma, "Confinada" é um quadrinho muito bom!
Vi resenhas que reclamaram da estereotipação da protagonista branca, e queria eu que fosse só estereótipo sem nuance. Talvez o incômodo venha de a personagem falar tudo que pensa, sem a oportunidade de passar a imagem de "aliada". Já ouvi muitas vezes os discursos retratados aqui, então acho que não poderia estar mais perto da realidade...
Minha coisa favorita aqui foi a sobreposição de cenas: bairro rico x periferia, Fran x Ju. Nelas, o racismo, o ódio de classe e o pacto da branquitude eram escancarados com maestria.
Um excelente retrato da pandemia no Brasil pelo ponto de vista social.
"Amor, nesse país eu tô errada só de existir! O meu cabelo é errado. O meu nariz, a minha pele. A minha música é errada. A minha religião! Pra vocês, só tem um jeito de eu não estar no erro: baixando a cabeça e servindo sem reclamar", exlama a personagem Ju, de Confinada, um trabalho incrível de Triscila Oliveira e Leandro Assis, que traz um retrato da hipócrita sociedade brasileira durante a pandemia do Covid-19. O Brasil possui uma das sociedades mais desiguais do mundo, de um racismo e de uma aporofobia enrustidos, muito disso vindo de um autoritarismo enraizado em várias características do nosso povo, que são o patrimonialismo, o machismo, o racismo, a homofobia, o mandonismo, enfim, que persistem desde o Brasil Colônia. Contudo, diferente de outros países, no Brasil esse preconceito todo é velado, finge-se que não existe, que aqui não é como lá. Todas essas características terríveis da sociedade brasileira que afloraram e mostraram ainda mais seus podres com o advento das redes sociais, são muito bem exploradas por Triscila e Leandro neste quadrinho, seja em forma de texto, seja na narrativa ou nas expressões dos personagens. Muita gente que conheço - e que conheci e não quero conhecer mais - precisaria ler esse quadrinho para perceber como seu preconceito é algo, no mínimo, desagradável e que colabora para desestruturar o Brasil em um todo. Mesmo naquele pequeno espaço que chega até a tocar suas redomas e bolhas. Para quem curtiu Confinada, indico também a tira Os Santos, tambem produzida pela mesma dupla premiada.
Já amava acompanhar a história pelo Instagram do Leandro, agora mais ainda! Que edição linda! E as páginas extras valeram demais ✨ Feliz com o desfecho!
Fran e Ju decidem passar o confinamento juntas. Fran, influenciadora digital é a patroa e Ju a sua empregada doméstica. O único motivo pelo qual Ju aceita passar o confinamento com Fran é o ordenado que esta lhe paga, essencial à sobrevivência de sua mãe e filha. Fran é branca, Ju é negra. E a cor não é aqui um mero detalhe. O livro conduz-nos de forma certeira ao coração da desigualdade no Brasil bolsonarista. A insensibilidade da classe média e média alta branca, a discriminação racial, a pobreza, o autismo social e o racismo estrutural são alguns dos fenómenos tratados nas "tirinhas" que compõem o livro. Depois, há espaço para tudo o mais que compõe a experiência humana: o desamor, o amor, a saudade, a solidariedade, as frases feitas, os likes vazios, o cancelamento, a vingança e a tentativa de conter danos, nas redes sociais e fora delas. Não costumo ler BD, mas este livro chamou a minha atenção e foi uma leitura que valeu a pena.
Eu terminei o livro da mesma forma em que terminava cada pedacinho da webcomic no Instagram: ansiosa pelo que estava por vir! A história é incrível, de verdade e eu tô muito feliz pelo sucesso da campanha dos autores. Muitas cópias vão chegar nas bibliotecas públicas e são livros assim que devem ser espalhados e discutidos! (Ansiosíssima pela continuidade de "Os Santos"!)
Gostei, mas terminei a leitura com a impressão de que os autores pesaram um pouco a mão na caricatura. Talvez tenha sido proposital e talvez meu (pequeno) incômodo decorra do fato de eu não ser uma grande leitora de quadrinhos... 3,5⭐
acho que ler sobre a pandemia nunca vai ser tranquilo, ainda mais uma história que trouxe muita coisa que a gente acompanhou bem de perto vi nas resenhas que as pessoas acharam tudo exagerado e quem dera. lembrei até quais blogueiras renderam diversas pérolas dessa história apesar de venderem que o livro seria mais sobre a ju (até porque ela tá na capa do livro), a personagem fica muito em segundo plano e foca só na fran. eu entendo que é para criticar as pessoas como ela na época da pandemia, mas acabou que ela virou a protagonista, o que fica meio cansativo porque ela é insuportável. parece que só no final do livro os autores perceberam que teriam que dar um desfecho decente para ju e criaram um plot às pressas pra ela (talvez o fato de ter sido um lançamento semanal nas redes também tenha prejudicado o progresso da história) e sei lá, talvez eu esteja sendo muito amarga, mas achei o final bom demais pra ser verdade??? meio disney demais
Escrevi e apaguei diversas formas diferentes de expressar minhas opiniões e reflexões sobre o livro. Decidi dizer apenas que não sei até que ponto me interessa ler detalhadamente sobre o pior lado que a humanidade mostrou durante a pandemia, por mais real e por melhor que seja a história.
Acho que todo mundo deveria ler essa história 👀 se não aprende algo (duvido), pelo menos em algum ponto você se reconhece, especialmente durante essa experiência bizarra e dificil de ter que sobreviver a uma pandemia mundial, com o acréscimo de um governo genocida. Sobre o livro em si: veio lindo, com as páginas de alta qualidade, e um projeto gráfico bem feito. A Todavia vem arrasando! Além disso, as páginas extras adicionaram bastante na experiência. ❤️ Feliz tb de ter contribuído com a campanha, que permitiu que exemplares fossem doados :D que essas discussões se espalhem cada vez mais
PS é trapaça com a meta do ano cadastrar HQs no Goodreads?? 😂😂😂
Infelizmente o livro se perde na caricatura dos personagens. Tudo é dicotomia pura, não há nuances, sutilezas, profundidade. E como a complexidade das relaçōes socio-étnicas brasileiras são construidas nas nuances, o livro se mostra raso e fraco. É um manifesto raso no format de uma ficção. Não há preocupação no desenvolvimento de roteiro e personagens, infelizmente.
As ilustrações, porém, são ricas e o formato focado em posts das midias sociais é interessante e inovador, mas não o suficiente para compensar o restante.
De uma sentada, li todinho o quadrinho Confinada (Leandro Assis e Triscila Oliveira, Todavia, 2021). Acompanhei a produção da história pelo Instagram, então, quando decidiram publicar a história, não tive dúvidas: fui correndinho garantir o meu. E ele não me decepcionou.
Em uma narrativa extremamente contemporânea (a história começa no começo de março de 2020, com a pandemia, e segue até 2021), Leandro e Triscila exploram diversos temas, entre eles desigualdades de classe e raça, mostrando o quanto a situação extrema trazida pela pandemia serviu para intensificar ainda mais as desigualdades. A desigualdade de gênero não é um dos principais temas do quadrinho, mas fica subjacente, especialmente quando notamos que a maior parte das personagens da obra é composta por mulheres.
Em relação à linguagem, é interessante ver como o quadrinho traz para dentro da história elementos que fazem parte da nossa vida atual, como o WhatsApp, o Instagram e as videochamadas.
Muitas das situações do livro nós vimos acontecer diante dos nossos olhos nos últimos anos. Debatemos sobre elas, pensamos e ressignificamos muitas coisas. Isso, porém, não tira o impacto de vê-las ficcionalizadas e observar situações opostas sendo aproximadas (o que deixa o contraste ainda mais intenso).
Tô sendo vaga em relação à resenha, eu sei, mas não quero estragar a experiência de leitura com spoilers, e eu recomendo muitíssimo essa experiência - ela é importante para pensar o Brasil. O máximo que eu lanço aqui é que é um quadrinho com bastante parentesco com o fime "Que horas ela volta?". É tudo o que se precisa saber antes da leitura.
The pandemic wrecked the mental and physical health of many people. It was at least two years of uncertainty and hopelessness that left irreversible marks on us. However, amid so much hardship, the work Confinada was born, by Leandro Assis e Triscila Oliveira. It’s a comic that follows the story of influencer Fran and her housemaid Ju during the most critical period of the COVID-19 health emergency.
First published on Instagram during the pandemic, Fran and Ju’s story was like a mirror of what was happening in Brazil. The social divide of one of the most unequal countries in the world and the hypocrisy of the financial elite were exposed in the comic’s weekly chapters. It was a summary of what we saw daily on social media: wealthy influencers completely detached from the reality of the favelas, brands leveraging their reach to sell even more, and a vast mass of workers exposed to the virus and abandoned by a completely negligent and denialist government—an aspect that doesn’t escape the authors’ critique.
However, when compiled in this edition by Todavia, the plot loses some of its focus, especially in the final chapters, where the narrative becomes diffuse due to the introduction of new characters and additional storylines. But this slight stumble at the end doesn’t undermine the overall quality of the comic. After all, this is a work much more about its message than its plot—it’s a warning about a system we reproduce almost automatically, without much reflection, and one that the pandemic laid bare.
Um dos grandes trabalhos sobre a pandemia nessa série de quadrinhos publicada semanalmente nas redes do desenhista mostra a história de Fran e Ju, no começo patroa e empregada que vai desenrolar em outras coisas conforme as situações ligadas ao confinamento aparecem. A patroa é uma influenciadora digital, do tipo isentona, que tenta passar aquela aura good vibes com relação aos produtos as quais ela se associa, escondendo pensamentos e atitudes preconceituosas e quase reacionárias. A curiosidade é que ela, ainda assim, difere dos mais radicais a sua volta que abertamente são conservadores de extrema direita. Aquela que se pressionada diria que apoia o Partido Novo, por exemplo. Já sua empregada é bem consciente apesar da precariedade em que vive sua família que tenta ao máximo se preservar enquanto ela fica confinada com a patroa.
Muitos comentários sociais pertinentes surgem dos diversos personagens que aparecem, com críticas para todos os lados.
O bom humor prevalece, inclusive no inusitado final quando um certo programa aparece.
As histórias dos personagens continuam no perfil do Leandro Assis (@leandro_assis_ilustra).
Este libro estaba en mi radar (lo conseguí el año pasado para la Biblioteca) y no fue hasta ahora que lo leí entero. Lo cierto es que soy muy visual y el estilo de dibujo me ponía un poco nerviosa, pero conforme la historia empezó a avanzar, se unió en una sinergia increíble y no pude parar de leerlo y disfrutarlo....bueno, "disfrutarlo" porque fue bastante incómodo transitarlo, y autor e ilustradora hacen un gran trabajo lográndolo. Pero es de esas incomodidades necesarias, de las que te hacen querer gritar y voltear a tu propia realidad para hacer un "fast-check" de tus privilegios y de lo que está escapando al ojo de lo cotidiano. Es una crítica muy bien planteada de las diferencias socioeconómicas y raciales en un Brasil sacudido por el COVID. Realidades políticas y del sistema clasista que continúa abriendo diferencias abismales para el acceso a salud, educación y otros derechos que nos deberían ser garantizados. Creo que le voy a poner más foco en la Biblio, más lucha y hasta más ganas de incluirla en un club de lectura, ¡me encantaría saber las opiniones de los adolescentes que se atrevan a leerla!
Ler esse quadrinho alguns anos após a pandemia de covid me trouxe muitas lembranças. Conseguiram reunir em poucas páginas a maioria (se não todas) as personalidades e atitudes que mais me causaram repulsa nessa época. Quem ler essa história no futuro, sem ter vivido os anos de 2020 e 2021, pode até pensar que os autores pesaram nos estereótipos, mas infelizmente eu conheci na vida real até os personagens mais caricatos desse livro. Além da questão do negacionismo científico que permeou a pandemia, traz principalmente debates importantíssimos sobre privilégios e racismo estrutural. Ilustrações incríveis e narrativa muito bem amarrada.
Profundo e maravilhoso, e ja tinha acompanhado a historia pelo instagram mas lendo na integra me tocou de uma maneira diferente. Com certeza é um retrato do que aconteceu e vem acontecendo com varias familias, eu com certeza recomendo e gostaria de continuar vendo mais historias com essas personagens.
Retrato gasto e atual de um Brasil que insiste em não olhar para si, por mais que se queira belo diante de espelhos. Triscila Oliveira e Leandro Assis assinam uma obra que pode ser lida ao lado de outras que também se dispuseram a tentar entender as ambiguidades e os paradoxos deste país.
Uma leitura incrível. Um retrato visceral da realidade brasileira, não apenas dos tempos durante a pandemia.
A arte é excelente e bastante consistente e retrata muito bem a linguagem utilizada. A crítica e reflexão foram feitas de modo preciso e não se sobrepõem à narrativa.
Retrato da nossa sociedade em um dos maiores desafios enfrentados recentemente, a pandemia. Difícil não reconhecer várias das cenas presentes no quadrinho e impossível não se indignar durante a leitura.
Cinco estrelas pq queria dar DEZ. NOSSA!!! Que arte incrível, que cores. Sério, a Ju é tudo. Comecei e terminei o hq morrendo de abuso da Fran. É muito hipocrisia na vida mesmo... Vejo todo dia...