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Calunga

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Publicado originalmente em 1935, Calunga é, em grande medida, fruto do assombro de Jorge de Lima diante do sofrimento humano, que conheceu muito de perto nas inúmeras viagens que fez pelo interior alagoano como médico. Mais conhecido do grande público por sua importante obra poética, o autor se revela aqui também um imenso romancista.

Lula Bernardo regressa ao interior de Alagoas na intenção de reencontrar sua família e trazer as boas-novas da modernidade à terra natal. Influenciado por tudo o que leu e viu na cidade grande, pretende salvar os habitantes da ilha de Santa Luzia de uma vida miserável e repleta de doenças. Mas suas ideias encontram um ferrenho opositor: o coronel Totô de Canindé, personagem que encarna o latifúndio, a incivilidade e, principalmente, a violência. Nas falas de Totô podemos identificar os códigos de segregação racial e social que, até hoje, dizem muito sobre o nosso país.

Jorge de Lima, ao contrário de tantos gigantes da nossa literatura que fundaram suas obras na paisagem seca e flagelada do Nordeste ― como Rachel de Queiroz, Jorge Amado e Graciliano Ramos ―, ambientou seu Calunga na terra ensopada dos mangues, em meio a chuvas torrenciais, no lamaçal açoitado pelo vento e o frio úmido. Uma região devastada pelo descaso e pela ganância, com consequências terríveis para aqueles que tiram da lama o seu sustento.

152 pages, Paperback

First published January 1, 1935

61 people want to read

About the author

Jorge de Lima

32 books12 followers
Jorge Mateus de Lima, was a Brazilian politician, poet, and writer. His most famous works are the novels "A Mulher Obscura" and "Calunga"; and "A Túnica Inconsútil" and "A Invenção de Orfeu" (poetry). He was in a list and would win the Nobel Prize in 1958, but he died in 1953.
He was the son of a wealthy merchant and moved to Maceió in 1902, with his mother and siblings. In 1909 he moved to Salvador, where he began studying medicine. Completed the course in Rio de Janeiro in 1914, but was designed as a poet to his name. That same year he published the first book, Alexandrine XIV. He returned to Maceió in 1915 where he devoted himself to medicine, and literature and politics. When he moved to Alagoas to Rio in 1930 set up an office in Cinelandia, also turned to studio painting and meeting point for intellectuals. There was meeting people like Murilo Mendes, Graciliano Ramos and Jose Lins do Rego. In this period he published about ten books, five of poetry. Also served as state representative from 1918 to 1922. With the Revolution of 1930 was brought to settle down permanently in Rio de Janeiro.
In 1939 he devoted himself also to the arts, participating in some exhibitions. In 1952, he published his most important book, the epic Invention of Orpheus. In 1953, months before he died, he recorded poems for the Archive of the Spoken Word Library of Congress in Washington, the United States of America.
Between 1937 and 1945 had its application to the Brazilian Academy of Letters refused six times. For Ivan Junqueira, the Academy has committed an unforgivable injustice to the author, whose literary work was exceptionally well received by critics and public. The scholar does not believe that the poet was carried forward to the edge of the literature of his time and he says, when referring to the greatest poem of the author - Invention of Orpheus, "... even today, more junk spent 50 years of its publication, there is no Brazilian poet that he did not remember. "

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for rafael m.f..
37 reviews1 follower
September 9, 2016
- ...é ou não é tapeação? É tapeação e boa tapeação. [31]
-penico, penico, penico, com fenol dentro e tudo derramado na cabeça do governo. [32]
- ...a obsessão tirânica das presenças que não se veem. [44]
- ...compreendia agora em que nova lama se atolava. [...] O Estado estava convertido numa oligarquia, numa mamãezada [...] [119]
- ...uma última palavra. eu sou maluco. [120]
-caminhavam no tempo, para trás. Voltavam para onde nunca tinham ido. Iam. Iam. Voltavam. Voltavam. Caminhavam sobre as horas. [...] iam para aonde? Iam. [...] Voltavam piores, como a água do mar volta da lagoa mais suja na vazante. [...] Naquela igualdade de sofrimento e de sujeira só a luz os transformava, fazia-os gigantes ao cair da tarde. [135]
- o santo era apenas o nomadismo místico, o fanatismo errante que leva pelo mundo o entorpecente da crendice. [136]
- a extraordinária sensação que o prendia era como se a sua cabeça degolada voasse no ar e que esta cabeça, perdida numa solidão imensa, num vastíssimo espaço de ar lavado e triste, seguisse uma outra cabeça colossal, maior que um arranha-céu, e que era a cabeça do santo. [138]
-a ventania era o leitmotiv da ilha. [144]
- ...quis erguer-se; mas a noite parecia pesar-lhe em cima, como um grande manto de chumbo pregando-o à terra. [146]
- ...duas fraquezas se guerreando de morte. Às vezes se agarravam tão molemente, a tremer, que nem se abraçando emocionados. [155]
- a lagoa estava muito calma. [156]
+ ‘mosquito aqui é nuvem’ +...ferir o silêncio...+ etc etc
This entire review has been hidden because of spoilers.
10 reviews
December 21, 2024
Perder-se nas narrativas ricas, descritivas e poéticas de Jorge de Lima nesta obra foi uma das grandes surpresas para mim como leitora. A labiríntica jornada de Lula Bernardo é tocante e traz um autor em sintonia com questões além do seu tempo, como o meio ambiente e a valorização do nordestino, em especial, da cultura afro-brasileira. Além de ser um bom mergulho nas histórias das Alagoas e suas gentes.
Profile Image for Klissia.
854 reviews12 followers
Read
January 26, 2025
E o herói volta pra casa, do trem, a pé, a canoada, para a nostálgica ilha da infância. O que encontra: lama e os enlameados ,um coronel cruel e sofrimento humano.

Desde o início do livro já fica claro que o desfecho da tentativa de Lula de modernizar as suas terras e sua gente seria um fracasso, porém inevitável se ter alguma esperança assim como ele.

Uma obra bem regionalista,porém de fácil compreensão universal, sobre poder e domínio ,raça e classe social, pelas terras decadentes dos ex senhores de usinas de açúcar dos anos 30.

É como uma viagem no tempo, para mais além do passado, de volta às sesmarias e escravidão dos senhores de engenho. Ou mesmo o presente.
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