A vida de Nelson Rodrigues (1912-1980) foi mais espantosa do que qualquer uma de suas histórias. E olhe que ele escreveu peças como Vestido de noiva e Boca de ouro, romances como Asfalto selvagem e O casamento e os milhares de contos de A vida como ela é... . Mas foi de sua vida, e da vida de sua trágica família, que Nelson Rodrigues extraiu a obsessão pelo sexo e pela morte. Gênio ou louco? Tarado ou santo? Reacionário ou revolucionário? Nenhum outro escritor brasileiro foi tão polêmico em seu tempo. Para escrever O anjo pornográfico, Ruy Castro, autor do consagrado Chega de saudade, realizou centenas de entrevistas com 125 pessoas que conheceram intimamente Nelson Rodrigues e sua família. Elas o ajudaram a reconstituir essa assombrosa história, capaz de arrancar risos e lágrimas. Título: Livro - Anjo Pornografico, O Título Original: Subtítulo: A VIDA DE NELSON RODRIGUES Autor: Ruy Castro Tradução: Editora: Companhia das Letras Assunto: Biografias, Diarios, Memorias & Correspondencias ISBN: 857164277X Idioma: Português Tipo de Capa: BROCHURA Edição: 14 Número de Páginas: 464
Rui Castro, na ortografia oficial. Nasceu em 1948. Começou como repórter em 1967, no Correio da Manhã, do Rio, e passou por todos os grandes veículos da imprensa carioca e paulistana. A partir de 1990, concentrou-se nos livros. Publicou, entre muitos outros, as biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, e obras de reconstituição histórica, sobre a Bossa Nova, Ipanema e o Flamengo. É cidadão benemérito do Rio de Janeiro.
A biografia de Nelson Rodrigues é maravilhosa por 3 motivos:
O Brasil escancarado: passa por república velha, estado novo, Jk, Jânio, Ditadura. Formação da imprensa no Brasil, formação do Teatro, formação do Futebol carioca, etc. E um Rio romântico que já não existe há tempos.
Uma tragédia: Nelson foi o maior “espadachim” que a língua portuguesa já teve, chocou várias gerações seja com seu teatro ou suas colunas, de alguma forma tudo isso era um reflexo de uma vida de paixão e desgraça. Assassinato, tuberculose, miséria, fome, tortura, muitas mulheres, a filha Daniela “ a menina sem estrela” que nasce cega e por aí vai.
A escrita de Ruy Castro: sem ser burocrático ou nas palavras de Nelson “um idiota da objetividade”, Castro escreve de forma leve, emulando Nelson em algumas situações, sem ser escravo do factual e sim atento a contar a história como ela merece ser contada.
Biografia monumental, daquelas que buscam ser tão definitivas quanto as pirâmides. Desconfio que ninguém se arriscará a biografar o Nelson Rodrigues por décadas. Talvez daqui a 50 anos alguém se arrisque a escrevê-la. Ruy Castro é um dos grandes jornalistas brasileiros. De certo modo, é um dinossauro, um dos últimos da espécie, daquele tipo que foi extinto pelo meteoro que também destruiu os jornais e revistas. Ainda publica, mas já há décadas é mais conhecido pelas muitas biografias que escreveu. Tem conhecimentos dignos de um frequentador da biblioteca de Alexandria. Não se espere, porém, como o próprio autor adverte, uma biografia que seja também uma análises das muitas peças do Nelson. Traz, é verdade, algumas análises, mas ele se concentra mesmo na vida do biografado, uma figura, dentre tantas, que marcaram o Rio de Janeiro quando a cidade foi o farol intelectual do Brasil. Tudo (ou quase) de relevante no campo cultural saia dali. Depois, em algum momento dos anos 1980, tudo se apagou. De certa maneira, a debacle do Rio contaminou o resto do país. De qualquer modo, Nelson é também central na efervescência cultural do Brasil de meados do século XX. Polêmico, censurado, popularíssimo, odiado, fazedor de amigos e inimigos, autor de frases marcantes e de estilo único, cheio de comparações e de metáforas incomparáveis. Teve, ainda, uma vida recheada de tragédias e pauladas do destino. Tomou muitas porradas na vida. Nelson foi grande e parece que vai ser daqueles autores que continuarão a ser lidos daqui a 100 anos. Talvez, mais do que um retratista do Brasil, foi daqueles que não tiveram medo de olhar com sinceridade para o desejo das pessoas. No final, parece-me, a sua obra é a do desejo e da paixão. Movidos por eles, é assim que a vida é. Enfim, acho que uma das grandes biografias escritas no Brasil nas últimas décadas. Fundamental para conhecer Nelson Rodrigues, autor único e, curiosamente, ao mesmo tempo em que é praticamente desconhecido além das fronteiras brasileiras, talvez seja aquele que tenha mais apelo universal.
Até hoje a melhor biografia que já havia lido tinha sido O Mago, sobre a atribulada vida do Paulo Coelho pré-escritor-popstar; esta biografia sobre o jornalista, escritor, dramaturgo e polémico reaccionário em geral Nélson Rodrigues rebentou completamente com essa escala.
Fora algumas leituras soltas de artigos curiosos, não era minimamente conhecedor da genial obra do biografado em questão, mas tinha ouvido falar muito bem dos trabalhos do biógrafo Ruy Castro e aproveitei uma promoção da editora Tinta da China (muito boas campanhas online ultimamente) para obter um dos seus mais aclamados livros.
Não fazia então a menor ideia do quão mirabolante era a história não só de Mário quanto de toda a família Rodrigues, que se confunde com as histórias do Rio de Janeiro do século passado, da imprensa criminal e desportiva (um dos seus 12 irmãos, Mário Filho, é tão somente o homem que dá nome ao mítico estádio Maracanã) e do teatro brasileiro.
A obra vale tanto pelo minucioso relato de toda a jornada pessoal e familiar de Mário, com inúmeros dramas, romances, polémicas e reviravoltas que superam qualquer ficção, e que espantam não só pela peculiaridade do seu trajecto, quanto pelo estilo brilhante com que é contada; apesar de factual e baseado em centenas de entrevistas, é quase romanceado, pecando com isso por vezes por uma certa aura de parcialidade e de foco no ponto de vista do narrador e não dos visados, mas que de qualquer das formas me conquistou.
Todas as restantes biografias passaram a estar na minha lista, e fico também com a esperança de que alguma companhia ouse re-encenar alguma das peças (outrora malditas e repletas de incesto e sangue) do autor.
(PT) A vida e obra bem prolifica de Nelson Rodrigues, um os mais importantes jornalistas e escritores brasileiros do século XX, uma pessoa que nunca foi aborrecida de se ler, ouvir e ver.
"O Anjo Pornográfico", escrito por Ruy Castro e publicado inicialmente em 1992, conta a história de Rodrigues e a sua ligação umbilical ao jornalismo e ao Rio de Janeiro, cidade do qual viveu grande parte da sua vida, até morrer, a 21 de dezembro de 1980, aos 68 anos. Ali conta-se a sua enorme familia (teve mais 14 irmãos e irmãs!) a ligação ao jornalismo - seu pai fundou e fez crescer jornais como "A Noite" e "Critica", e as tragédias pessoais da sua vida, como o homicidio do seu irmão Roberto, a morte do seu pai Mário Rodrigues, os seus intermanemtos devido à tuberculose, à cegueira da sua filha Daniela e a prisão do seu filho Nelsinho, quando se envolveu na luta armada contra o regime de 1964.
E pelo meio, as suas obras, ora aclamadas, ora amaldiçoadas, desde "Vestido de Noiva" até Asfalto Quente", passando por "Toda a Nudez Será Castigada", que o colocaram nas luzes da ribalta. Ser de contradições, mas muito convicto em certas matérias, Nelson Rodrigues foi um ser colorido, formado na tarimba jornalística, do qual não soube fazer outra coisa, e um homem apaixonado pelas mulheres, pela literatura e sobretudo, pela vida. E isto está tão bem contado que não admira que se tenha tornado numa referencia sobre ele, as suas obras e a maneira como se escrevem biografias em português.
É um "calhamaço" que vale a pena ser lido. Irão adorar.
Esse livro é das melhores biografias que já li. Foi ele que me aproximou de Nelson Rodrigues, e - por isso - lhe serei eternamente grata. O li antes de ler qualquer coisa do autor e acho que me ajudou a gostar mais dele.
Demorei muito tempo nessa leitura, feita de forma intercalada com várias outras feitas no decorrer de alguns meses. Isso pode ter atrapalhado um pouco minha experiência. Engrenei no último terço. Que vida cheia de acontecimentos teve o polêmico Nelson, costumava imaginar ele tão diferente do que vi retratado aqui, talvez por causa do teor de suas polêmicas histórias. A vida de muitos de seus familiares, daria cada uma uma biografia tão grandiosa quanto a dele. Fiquei especialmente interessada em ler sobre seu irmão Mário Filho, homenageado no nome que recebeu o estádio do Maracanã. E de seu filho Prancha, que eu costumava ver sentado numa esquina da Rua da Passagem na época em que morei nos arredores e na época nem sabia de quem se tratava, apenas me chamava a atenção figura tão peculiar.
Histórico de leitura 09/10/2023 "Murad checava seus dedos para ver se estavam amarelos de nicotina. Mas não podia fazer nada com um cliente que escrevia na sua própria coluna: "Que o meu cardiologista, doutor Murad, não saiba que fumo escondido."
"- Em Brasília todos são inocentes e todos são cúmplices."
"Era de um carinho quase paternal para com os torcedores de qualquer clube. Se o Olaria derrotava o Fluminense, não fora o Fluminense que perdera, mas o Olaria que ganhara. Mandou destruir milhares de exemplares e rodar de novo uma primeira página do "Jornal dos Sports" porque alguém abrira em manchete, "VASCO DESTROÇADO!", depois de uma goleada para o Botafogo. Sobre Mário Filho, pai de NR."
"No Brasil de 1912, se havia uma cidade adormecida, ideal para se viver ou morrer de tédio ou velhice, esta não era o Recife em que nasceu Nelson Rodrigues. O cenário podia lembra Veneza, mas a atmosfera estava mais para a Verona de "Romeu e Julieta", com seus arranca-rabos entre Capuletos e Montéquios."
As biografias do Ruy Castro são ótimas, pois mostram as personagens com suas qualidades e defeitos sem julgamentos. Gosto muito da obra do Nelson Rodrigues e foi bom conhecer mais sobre sua vida. O livro é grande, mas foi super fácil e prazeroso de ler.
Um livro leve e fácil de ler, o livro passa por momentos importantes do país, da política brasileira, do esporte e da trajetória da família Rodrigues. Nessa biografia Ruy Castro foca muito na obra do escritor no teatro e cinema.
Comecei a ler “O Anjo Pornográfico” sem saber ao que ía. “A Vida de Nelson Rodrigues”, em complemento ao título, fornecia uma boa pista, mas eu nunca ouvira falar de Nelson Rodrigues. A espessura do livro e o tamanho da letra e das próprias páginas pareciam levar-me na direcção de um qualquer tipo de auto-de-fé masoquista. Escusado será dizer que, página após página, a figura de Nélson Rodrigues foi surgindo como peça principal de um enorme puzzle, cada vez mais nítida, até nos oferecer a imagem grandiloquente do repórter, crítico, cronista, contista e dramaturgo, mas também da pessoa no que ela tem de mais humano, com todas as suas forças e fraquezas, tanto físicas quanto morais. À sua volta descobriu-se uma imensa plêiade de figuras que, ao longo de sete décadas, ajudaram a construir o Brasil que hoje reconhecemos. E eis como, de forma genial, Ruy Castro nos mostra o quanto Nelson Rodrigues foi, à sua maneira, uma das figuras mais influentes do século XX no país irmão.
Só os grandes biógrafos conseguem escrever assim. Ruy Castro aprendeu a ler com “A vida como ela é…”, o interminável folhetim publicado inicialmente no jornal “Última Hora”. Desde então seguiu-o pelos jornais e leu mais Nelson Rodrigues do que qualquer outro autor nacional ou estrangeiro. Assistiu a quase todas as suas peças, viu-o na televisão, na rua, em casa de amigos, no Maracanã e, em 1967, foi seu colega de trabalho no “Correio da Manhã”. Almoçaram juntos algumas vezes e chegou a entrevistá-lo. Este profundo conhecimento do biografado foi importante no momento de passar para o papel a vida de Nelson. Mais importante, porém, é a sua capacidade de reunir todas as personagens, de as dispor em palcos de cores vivas espalhados pelo Rio de Janeiro, de desdobrar as histórias e de trazer as suas emoções para as páginas do livro. Então, aproximando-se do leitor, coloca o braço suavemente sobre o seu ombro, olha-o nos olhos e conta-lhe histórias do jeito mais simples, quase brincalhão, com a linguagem do quotidiano onde abundam as palavras e as expressões que reconhecemos de telenovelas como “Gabriela” ou “Dona Xepa”.
Na sua extraordinária forma de percorrer os fios da História, o autor oferece-nos a possibilidade de entrever as linhas com que Nélson Rodrigues coseu 68 anos de uma vida plena. Para uns um génio ou um santo, para outros um canalha, um tarado, um reaccionário, Nélson Rodrigues fez parte dos jornais e revistas no berço, na plenitude e na morte. Atravessou todas as revoluções gráficas, estilísticas e empresariais da imprensa naquele período e acompanhou de perto todas as transformações políticas do Brasil. Numa delas, a de 1930, esteve no lugar da vítima. Conheceu de perto os poderosos e, ao mesmo tempo, era um homem identificado com o povo. A televisão tornou-o ainda mais popular, fazendo com que as pessoas passassem a ligar o nome à figura. E foi também o inventor do teatro brasileiro moderno, saboreando sucessos imensos a par de alguns fracassos. Tinha muito para contar e sabia contar como ninguém. Ruy Castro conta-o aqui na mesma medida, provando que, tal como na vida, também as biografias podem agigantar-se e revelar-se muito além das aparências.
Minha biografia favorita e, sem dúvida, a mais envolvente que já li. Descobrir o gênio por trás das cortinas e de seus textos foi uma experiência única e fascinante. Se você gosta de teatro, jornalismo ou literatura, essa biografia é leitura obrigatória. Nelson Rodrigues revolucionou o teatro brasileiro, e sua trajetória é um estudo profundo sobre arte e provocação. Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico. Nelson Rodrigues
sem sombra de dúvidas um dos melhores livros que ja li, tanto pela escrita que as vezes o leitor esquece ser uma biografia tanto pelo ser humano Nelson Rodrigues que nos ajuda a entender o brasileiro. uma vez li um tweet d um cara falando q o escritor que melhor retratou o brasileiro foi nelson principalmente ao se tratar das hipocrisias como "eu defendo a família tradicional brasileira: pai, mãe e amante"
The biography of the founder of brazilian modern theater. Besides beeing his life and work an absolute must this biography is written supported on a vast document basis and told in an amazing unique style from the journalist Ruy Castro.