Todos já ouviram falar de Carmen Miranda, mas poucos saberão como a filha de um barbeiro e de uma lavadeira portugueses, se tornou numa das mulheres mais adoradas do seu tempo. Uma biografia que não se limita a reconstituir a vida da luso-brasileira mais famosa do século XX. Na realidade, esta é também a história dos costumes da juventude brasileira, da música popular, da rádio e dos casinos, no Rio de Janeiro dos anos 20 e 30 e da intimidade das grandes estrelas da Broadway e de Holywood, dos anos 40 e 50.
Rui Castro, na ortografia oficial. Nasceu em 1948. Começou como repórter em 1967, no Correio da Manhã, do Rio, e passou por todos os grandes veículos da imprensa carioca e paulistana. A partir de 1990, concentrou-se nos livros. Publicou, entre muitos outros, as biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, e obras de reconstituição histórica, sobre a Bossa Nova, Ipanema e o Flamengo. É cidadão benemérito do Rio de Janeiro.
Adiei o quanto pude ler esta biografia, pois sabia que, no momento em que começasse, ia ser difícil de parar, e a vida tem outras exigências, né? Quanto à vida de Carmen Miranda, deixo pra quem for ler conhecer melhor pelo texto em si. Queria só comentar aqui o tipo de texto que você vai encontrar. O livro tem capítulos de tamanho relativamente pequeno, e sempre um gancho para o capítulo seguinte. Isto é, fica difícil largar o livro depois que a leitura está 'engatada'. Destaco também um ponto comum a outras biografias que o autor produziu. Aqui, Castro chama a atenção para o ritmo de trabalho alucinante da artista movido a remédios que a faziam ficar acordada ou dormir rapidamente, tornando-a dependente desta química e destruindo sua saúde em pouco tempo. Calmantes, barbitúricos e outras invenções da época não foram usadas exclusivamente por Camern, mas por vários artistas de Hollywood, alguns dos quais são mencionados. A 'companhia' desse tipo de droga acaba sendo uma espécie de personagem, a quem Castro revela muitos detalhes. Esse tratamento tem paralelo com as bebidas alcoólicas, 'personagem' que acompanha outra biografia, Estrela Solitária - Um Brasileiro Chamado Garrincha. Ou então a tuberculose, companheira de Nelson Rodrigues por muitos anos O Anjo Pornográfico: A Vida de Nelson Rodrigues. Enfim, leia e se apaixone pela vida desta cantora que vira e mexe é ainda citada no trabalho de dezenas de artistas americanos, brasileiros e tantos outros. Boa leitura.
Incrível, literalmente. No sentido de que não dá para crer que a brasileira mais famosa do séc.XX faça tão pouco parte do nosso cotidiano. Carmen foi maravilhosamente resgatada neste livro, bem completo, com quase 600 páginas (que para mim foram bem mais, já que comprei o livro do Aloysio de Oliveira para complementar, fora troscentos textos na internet, videos no youtube e seu documentário na Globoplay). Passei um tempo obcecado com essa figura. E com a falta de memória do brasileiro. Viva Carmen
Que vida. SEM PALAVRAS. Mais Brasileira que CARMEN MIRANDA, é difícil. De sucessos como Taí, "Mamãe, eu quero" a "Disseram que eu voltei americanizada", é uma vida eterna. Mais de 300 gravações. A irmã Aurora Miranda, mais famosa por gravar CIDADE MARAVILHOSA, fez um filme do Walt Disney no qual contracena com ZÉ CARIOCA. No fim, Carmen ficou afastada por 14 anos do Brasil, voltou, estava com estafa o médico recomendou repouso no Copacabana Palace, e depois, num hotel em Petrópolis. Devido a fama, seria difícil mantê-la num hospital. Devido ás aglomerações. Foi as pílulas para acordar, para dormir, para se sentir melhor, misturadas a WHITE HORSE/Ballantines, bebidas, que com o tempo a mataram. Na noite do dia 4 de agosto ela gravou a participação no programa do JIMMY DURANTE SHOW, e foi para casa, AMIGOS esperavam por ela, e parte do BANDO DA LUA também, com quem ela se apresentou no início e no meio da carreira dela. A casa dela, era como um refúgio para os Brasileiros em Beverly Hills. Tratava todos com muito candura. Ela praticamente morreu na casa de um ataque fulminante enquanto segurava um espelho de mão. David Sebastian, o marido, que se casou em 1947, mas que desde 1950 vivia separada, mas na mesma casa, a encontrou. CARMEN era muito religiosa, era contra divórcio. As pessoas se divertiam no andar debaixo enquanto ela morria. Até ao fim, ela conservou a ALEGRIA.
Incrível. Ruy Castro é um mestre não apenas em reviver a história do biografado, mas em apresentar todo o cenário musical/social da época, tanto no Rio como na terra do show business. Fora isso a história de uma pessoa incrível com um final trágico...
Uma vida fascinante, definitivamente não há ninguém tão brasileira quanto Carmen Miranda. Bela, talentosa e sensível, a pequena notável encantou o mundo com o seu sorriso único e levou alegria para toda uma geração com suas batucadas e, por isso, é eterna.
Ruy Castro fez um ótimo trabalho em contando uma história detalhada de uma das maiores estrelas do Brasil. Maria do Carmo Miranda da Cunha, nascida em Portugal, mais especificamente em Marco de Canaveses, se mudou para o Brasil com sua família com menos de um ano de idade, e quando crescida se via mais como brasileira do que portuguesa, e foi uma das inciantes do movimento do samba e marchinhas de Carnaval no Brasil. Ficou conhecida por aqui como a ‘Pequena Notável’ o que acabou sendo seu apelido até o fim de sua carreira! Nascida em uma família com cinco filhos, Olinda (1907-1931), Amaro (1912-1988), Cecília (1913-2011), Aurora (1915-2005) e Óscar (1916).
Carmen sofreu uma grande perda no começo de sua carreira que quase fez ela desistir de tudo, a morte de sua irmã Olinda, de tuberculose, causou um grande efeito em sua vida, pois Olinda havia inspirado a irmã e ensinado tudo que a irmã sabia na hora de cantar. Felizmente, Carmen conseguiu passar por isso e continuou sua carreira na companhia de sua outra irmã, Aurora que ficou tão famosa quanto a irmã mais velha no Brasil.
Por um golpe de sorte e de trabalho duro, Carmen foi reconhecida por um grande produtor teatral americano mais conhecido como Lee Shubert, no caso um americano nascido na Lituânia dono da maioria dos teatros do que hoje é conhecido como a Broadway. Começando em Nova Iorque no final dos anos 30, para ser mais exato em 18 de Junho de 1939, Miranda foi a estrela de uma revista teatral (que na época nada mais era do que um grupo de artistas fazendo esquetes e números musicais) chamada Streets of Paris (Ruas de Paris, em tradução literal), e na mesma noite seu reconhecimento foi tão grande que nos próximos seis meses, ela foi a estrela que teve sua ascensão mais rápida da história artística dos EUA, ainda mais sendo uma estrela internacional, desconhecida e ainda vinda da América do Sul.
E nos próximos anos não seria diferente, por onde Carmen passasse ela levaria alegria e diversão para as pessoas que a assistiam e para as pessoas que trabalhavam com ela. Conseguiu uma marca que nenhuma brasileira na época conseguiria, estrelou em filmes de Hollywood junto com grandes nomes, conheceu grandes estrelas renomadas incluindo Fred Astaire, Frank Sinatra, Judy Garland, Ava Gardner, Dietrich, e outros.
Muitos brasileiros que viajavam pela América do Norte, especialmente Los Angeles, faziam a casa de Miranda, uma segunda embaixada brasileira em território internacional. Com nomes renomados aparecendo a todas as horas em sua casa, desde escultores, artistas, músicos até grandes nomes de diplomacia e figuras importantes.
Mas com todo seu sucesso internacional, Miranda se sentiu de certa maneira traída pelo seu próprio país, pois quando esse estrelato internacional acontecia e era reconhecida, muitos criticos e algumas pessoas detonavam Carmen pelos jornais e revistas do Brasil.
Miranda se casou nos anos 40, 17 de Março de 1947, com David Sebastian (1907-1990), com quem não era realmente apaixonada, mas por estar envelhecendo e ainda não ser casada, ela fez a escolha de tentar a vida de casada e ele por estar próximo a ela, resolveram se casar. Um dos maiores sonhos de Carmen era se casar e ter um filho, mas esse casamento foi exatamente o oposto, foi um verdadeiro pesadelo em sua vida. Sebastian abusou de seu poder de marido fazendo ela trabalhar mais do que ela dava conta, em vista do dinheiro recebido.
Miranda morreu no dia 5 de agosto de 1955, após fazer sua última apresentação no programa The Jimmy Durante Show, de acordo com pessoas que estavam com ela, Carmen reclamou de estar sentindo mal, mas por ser uma profissional extrema, ela fez tudo que havia que fazer e ainda estendeu a festa em sua casa com amigos que fazia parte da sua comitiva, as 3 da manhã, cansada, subiu para seu quarto, e se preparando para dormir Miranda sofreu um infarto fulminante e morreu. Seus desejos foram atendidos, e ela foi trazida de volta para o Rio de Janeira e foi recebida como uma rainha, com todos os direitos possíveis, e levando uma multidão atrás de seu cortejo, Miranda foi enterrada uma semana depois de sua morte no Cemitério São João Batista no Rio de Janeiro, e alguns dos seus pertences, pelo menos os que sobreviveram ao descarte de Sebastian, e foi criado em sua homenagem o Museu Carmen Miranda, que inaugurou no dia 05 de Agosto de 1976.
Ruy Castro construiu uma narrativa que te prende do começo ao fim da sua vida, e fazendo você se apegar mais e mais a Miranda. Só tenho um ponto negativo nesta leitura, por ela ter participado de tantas coisas em sua vida, e listagem de pessoas, personagens e eventos acaba sendo grande, e para você aproveitar as informações você teria que ler junto com uma internet para pesquisar todas as referências.
Eu li este livro há alguns anos atrás, no início dos meus 20 anos. E é magnífica a história dessa mulher. Uma guerreira, contra tudo e contra todos, uma vida de se invejar e de se pensar, sobretudo ela trouxe tanta valorização para a imagem da mulher brasileira, deveria ter um pedestal para essa mulher e ser um símbolo do empoderamento feminino.
Excelente! Melhor biografia que já lí, muito rica em detalhes! Um bom retrato do Rio do início do século XX e de Nova York e Hollywood dos anos 30 e 40.
Great biography of Carmen Miranda, Brazilian singer that changed the music industry in Brazil, and who had an intense personal and artistic life in the US in the 1940s and 50s.