A história da vida vertiginosa de um dos brasileiros mais poderosos e controvertidos deste século. Dono de um império de quase cem jornais, revistas, estações de rádio e televisão – os Diários Associados – e fundador do MASP, Assis Chateaubriand, ou apenas Chatô, sempre atuou na política, nos negócios e nas artes como se fosse um cidadão acima do bem e do mal. Mais temido do que amado, sua complexa e muitas vezes divertida trajetória está associada de modo indissolúvel à vida cultural e política do país entre as décadas de 1910 e 1960, magistralmente recriada.
Jornalista desde 1961, trabalhou nas redações do Jornal da Tarde, Veja, Folha de S. Paulo e TV Cultura.
Recebeu três vezes o Prêmio Esso e quatro vezes o Prêmio Abril de Jornalismo. Foi deputado estadual durante oito anos (pelo MDB-SP e depois pelo PMDB-SP) e secretário da Cultura (1988-1991) e da Educação (1991-1993) do Estado de São Paulo. É autor dos roteiros das minisséries documentais Brasil 500 Anos e Cinco dias que abalaram o Brasil, exibidas pelo canal GNT/Globosat.
Escreveu, entre outros, Transamazônica (Brasiliense, 1970, com Ricardo Gontijo e Alfredo Rizutti), A Ilha (Alfa-Ômega, 1975, reeditado pela Companhia das Letras em 2001), Olga (Alfa-Ômega, 1985, reeditado pela Companhia das Letras em 1993), Chatô, o rei do Brasil (Companhia das Letras, 1994), Corações sujos (Companhia das Letras, 2000), Cem quilos de ouro (Companhia das Letras, 2002), Na toca dos Leões (Planeta, 2004) e Montenegro (Planeta, 2006).
Tem livros traduzidos em dezenove países. Em 2001 Corações sujos recebeu o Prêmio Jabuti de Livro do Ano de Não-Ficção. Em 2004 Olga foi transformado em filme pelo diretor Jayme Monjardim, tendo sido visto por mais de cinco milhões de espectadores e indicado pra representar o país no Oscar de 2005. É membro do Conselho Político do jornal Brasil de Fato e do Conselho Superior da Telesur, TV pública latino-americana sediada em Caracas, Venezuela. É membro da Academia Marianense de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 13, que teve como primeiro titular o presidente Tancredo Neves.
Um belo exemplar biográfico que fala de detalhes da nossa história do século XX. Obrigatório para jornalistas e comunicadores. Curiosamente hoje pouco se fala no Chatô e quando digo aos meus alunos que ele foi mais poderoso do que Roberto Marinho é sempre um espanto.
Fernando Morais é generoso, nesta biografia, com um personagem que deveríamos felicitar apenas pelo fato de já ter morrido. Se, por um lado, devemos a Francisco de Assis "Chateaubriand" Bandeira de Melo a criação do MASP (convertido em fundação, na década de 50, apenas como expediente para fugir de uma dívida), não é como benemérito que sua figura ganha relevância histórica. O maior legado desse que foi o proprietário da maior cadeia de comunicação que o Brasil já conheceu (85 veículos espalhados por todo o país, em seu auge, incluindo jornais, revistas, rádios e emissoras de TV), como bom monopolista, é sua síntese das ideias de livre expressão e de iniciativa privada: quem quiser ter opinião, que compre seu próprio jornal. E tudo isso funcionaria bem, naturalmente, caso a opinião ou o empreendimento jornalístico não entrassem em conflito com os interesses do dono dos Diários Associados. Samuel Wainer que o diga. De resto, como descrição comportamental, talvez seja uma ótima ilustração para o conceito de "homem cordial", de Sérgio Buarque de Hollanda.
Fernando Morais é absurdo é incontestável. Parecia que o livro não ia acabar? Definitivamente. Mas nada mais justo para retratar a história de um homem tão absurdo quanto Chateaubriand.
Ao longo da história, certos indivíduos deixaram uma marca tão única que seus nomes viraram título, César, ou adjetivos, maquiavélico. Dr. Assis não pode ser simplesmente chamado excentrico. Não faria justiça. Proponho, então, que se crie a palavra chateaubrianico. Só assim, penso, seja possível fazer honra a memória, para o bem ou para mal, deste cavaleiro mais cabra da peste da 'ordem dos jagunços'. Não entendeu? Vá ler o livro e me diga se não tenho razão.
Chatô não é apenas uma biografia, mas um livro sobre a história da imprensa brasileira e suas relações com a burguesia nacional e a política. Escrevendo sobre um personagem muito controverso, Fernando Morais consegue manter-se longe de qualquer maniqueísmo e produz uma obra baseada em extensa e impressionante pesquisa. Apesar de longo, a leitura é leve e cativante.
A mandatory reading for those who want to understand the power of the media, especially in Brazil, which remains pretty much the same since those days, for good and for bad.
Estou sentado na cadeira de São Pedro. Não a de Roma, mas aquela ao lado do portal do Céu. À minha frente, uma escrivaninha com duas pilhas de papéis. Vou folheando a pilha da direita enquanto observo as palavras sublinhadas: corajoso, empreendedor, visionário... Enquanto isso, um anjo de semblante austero vai colocando mais alguns papéis na pilha da esquerda, que passo a folhear: chantagista, caluniador, lascivo... Na minha frente um botão que abre o portal e outro que abre o alçapão.
Sempre que leio uma biografia, sinto-me um pouco assim. Talvez por isso não seja o meu gênero preferido. Há mais de dez anos meu pai me emprestou o livro Chatô: o rei do Brasil que ficou ali, quietinho, na estante. Foi parar em listas de leitura, mas ano vem, ano vai e nada. Este ano fiz um esforço para vencer o bloqueio.
Escrito pelo jornalista Fernando Morais e publicado em 1994, o livro conta a trajetória do paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello (1892-1968), construtor de um "império" com dezenas de jornais, estações de televisão (incluindo a primeira do Brasil), revistas, imóveis, fazendas, empresas farmacêuticas, entre outras. Polêmico, controvertido por sua excentricidade e seu método não muito idôneo nos negócios e no jornalismo, foi um dos homens mais influentes no Brasil nas décadas de 30 a 60 do século XX.
O ponto alto do livro é justamente quando eventos importantes da história do Brasil são narrados através do envolvimento do biografado: Revolução de 30, Revolução Constitucionalista de 32, Estado Novo, Segunda Guerra Mundial, Golpe Militar de 64.
Quanto aos dois botões, não sei, graças ao bom Deus não sou juiz da vida de ninguém. Mas uma folha colocada na pilha da direita por um anjo mais bonachão, com as iniciais MASP em maiúsculas, talvez me fizesse apertar o botão do portal.
Powerful during his time (30s-60s), had a buge impact on Brazilian press but not a very familiar name these days. Still, I decided to forge ahead and read this biography in the original Portuguese, over 730 pages long.
It's clear that the author did a lot of research and this is definitely a masterpiece of biographies in Portuguese. Lots of names, but it doesn't get so tangled up.
It was also good to follow the history of Brazilian politics including the Estado Novo, the coups, rise of military dictatorship, and the impact of journalism on all this; as well as technological developments around the world such as the rise of colored printing, radio and television.
Figura histórica peculiar e importante leitura sobre o Brasil. Muito bem detalhado e escrito, traça um panorama de personagens que influenciaram o Brasil ( muitos de forma burlesca e carnavalesca). Muito interessante o desenvolvimento da politica, das telecomunicações, conglomerados e a criação do MASP , entre outros feitos. Que figura ! Ahhh.....Brasil ....Excelente pesquisa e escrito. Não chega 5 estrelas, pois em alguns momentos é longo e detalhista em excesso.
Fernando de Morais' book on Assis Chateaubriand is excellent. Very well researched and easy to read. It tells the story of the subject but connected with the history of Brazil. We cannot fail to recognize the importance of Chatô for the history of journalism, politics and the formation of the country, mainly in the period from 1930 to the Revolution of 64. In addition, its impact on the formation of MASP. I recommend the book.
Conhecer a história de Chatô é conhecer também a história do Brasil e do jornalismo brasileiro. Uma figura totalmente controversa, com um caráter bem duvidoso, mas que deve ser estudado para poder entender melhor a comunicação no Brasil. A leitura parece interminável e cansativa em alguns momentos, mas ainda assim, é muito interessante.
Foi a primeira grande biografia que li e gostei tanto que li outra vez. O personagem é incrível e narrativa do Fernando Morais tornou ainda mais agradável a experiência da leitura. ISSO é uma biografia, ao contrário de tanta coisa sensacionalista e sem respaldo histórico que se vê por aí.
A história de um dos personagens mais fantásticos e fascinantes da elite brasileira do século XX. Um livro-reportagem indispensável para entender como a imprensa e seus barões sempre tiveram um papel primordial na construção da manca democracia brasileira.
Bibliografia espetacular feita por Fernando Morais, sob a controversa vida de um dos homens mais influentes da primeira metade do século XX. Leitura recomendadíssimo