O ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação mobiliza os principais debates contemporâneos da biologia, da antropologia e da linguística e apresenta novas bases teóricas para a emancipação humana.Em outubro de 2018, o então candidato à presidência da República Fernando Haddad recebeu o professor do MIT Noam Chomsky em sua casa. O Brasil vivia seu momento mais dramático desde a redemocratização e a ameaça de uma guinada autoritária não era percebida por grande parte dos eleitores. Da conversa sobre política e linguística surgiu a provocação que originou O terceiro excluído.A teoria universalista de Chomsky afirma que é possível nos entendermos independentemente da cultura em que estejamos inseridos. O que explica então o atual surto de incomunicabilidade, em que não parece haver denominador comum para o debate público? O que nos impede de construir um futuro melhor para todos, com menos carências materiais e espirituais?Neste estudo denso e provocador, Haddad apresenta uma nova contribuição para as teorias da emancipação humana, a partir da qual pode emergir uma abrangente linha de ação política.
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Quando falei para um amigo biólogo que estuda evolução que eu estava empolgado com o livro do Fernando Haddad porque a intenção dele era entender a evolução da cultura usando não só a biologia, mas a antropologia, esse meu amigo disse que essa tentativa era como "tentar tocar Mozart com um pandeiro". Achei uma declaração curiosa. Mas depois continuando lendo o livro vi que o autor apresentava muitas e muitas teorias, mas não avançava no propósito de explicar as dinâmicas da cultura ou sua evolução. Ou tentar explicar pergunta motivadora, que era como pessoas de uma mesma cultura podem ser tão radicais em suas opiniões. Mesmo que Haddad tenha consultado pessoas renomadas da semiótica, ele deixou de lado todo um arcabouço teórico que poderia explicar tudo o que ele se propõe sem ter que dar tantas e tantas voltas. É a Semiótica da Cultura de Iuri Lotman. Os pressupostos de Lotman estão muito próximos e muito mais claros do que as teorias reunidas por Haddad. Seria um livro muito importante se ele realmente tivesse atingido os objetivos e a responder à pergunta que se propõe.
O homem, por muitas vezes, tenta entender como chegamos até aqui. porque falamos e como subjugamos as demais especies às nossas vontades e desejos. é a linguagem e seus símbolos, essa é a resposta. haddad percorre diversos autores - desde antropólogos, passando por psicanalistas até linguistas - para adicionar um terceiro elemento às humanidades, sendo esse terceiro elemento a contradição.
"é o símbolo que liberta o homem da imediatez, da qual todos os organismos não humanos são prisioneiros, e lhe permite projetar-se"
Começa oficialmente, hoje, o período de campanha eleitoral. Fernando Haddad, autor deste livro, é candidato a governador de São Paulo, lidera nas pesquisas e provável que seja eleito. Meu voto é dele, já era antes mesmo de eu ler este livro, assim como foi em 2018 quando se candidatou à presidência do país. Agora que li o livro, mais ainda: vou apertar os botões da urna eletrônica com força, sem violência. Não é preciso ler as 200 e tantas páginas para votar nele; basta ouvi-lo falar, considerar o que ele já fez para a cidade paulistana, para a educação brasileira, que anda mal há um tempo, é verdade, mas não por culpa sua; ou basta apenas olhar para ele, bonito de dar inveja. O livro é difícil, não vou mentir, e eu nem o indicaria a todos vocês, porque é acadêmico, denso e com muitas palavras poucos usuais; eu mesmo não sei parafrasear as linhas gerais, explicá-las. Mas as entrelinhas, que beleza! São mais fáceis de entender. Todos os raciocínios, argumentos, as discussões teóricas, os imbróglios e brenhas conceituais servem-lhe para dizer algo muito simples: precisamos de diálogo, precisamos cooperar, compreender os outros como interlocutores, concidadãos, e não como inimigos, bárbaros. O ser humano funciona melhor assim. É o que Haddad põe em teoria e prática, assim como o Lula, que também tem meu voto, com certeza.
Trata-se de um livro denso e com rigor acadêmico, no qual Fernando Haddad propõe uma crítica contundente à forma como a antropologia — e, por extensão, as ciências humanas — têm sido moldadas por uma lógica binária. Ao rejeitar o princípio do terceiro excluído (que afirma que algo só pode ser verdadeiro ou falso), Haddad defende a centralidade da contradição como motor do pensamento humano.
Ele argumenta que o sujeito humano não pode ser compreendido apenas por categorias estáticas ou deterministas, mas sim como um ser em constante tensão entre opostos: natureza e cultura, estrutura e agência, reprodução e ruptura
Na conclusão do livro, Haddad propõe tratar a antropologia como uma ciência da contradição, comprometida com a emancipação intelectual e política. Essa abordagem dialética não busca apenas descrever costumes ou estruturas sociais, mas interrogar as condições históricas que moldam o próprio ato de conhecer. Em vez de excluir o “terceiro”, ele o reintegra como espaço de conflito, criação e possibilidade — uma abertura para pensar o humano em sua plenitude contraditória.