Muito bom! Concordo com boa parte da análise do Gutierres. A tese de que um Brasil mais evangélico será mais secular é um ótimo argumento.
Pode ser um fato difícil de se lidar, mas o evangelicalismo é muito adaptável às forças de mercado. Hoje, pelo menos nos grandes centros urbanos brasileiros, temos uma ampla oferta de diferentes formas de ser evangélico. Reformado, pentecostalismo, carismático. O crescimento dos evangélicos também aumenta a demanda por representatividade.
Um ponto que o Guitierres acerta em cheio é percebe que, quanto mais a igreja evangélica for influente nos espaço de poder, mais o Estado vai manipulá-la.
Exemplo ilustrativo disso é a trajetória da direita religiosa nos EUA. Desde Reagan, os evangélicos no geral se alinharam o Partido Republicano, Mas ter espaço no governo não impediu que a secularização do país continuasse. (Pode-se até dizer que a velocidade desse processo diminuiu, mas nada que levou os EUA para algo mais próximo da época em que protestantes realmente moldavam a cultura do país).
Contudo, eu sou mais pessimista que o autor. Acho que o crescimento dos evangélicos vai ajudar em cristalizar a polarização. Duvido que a elite cultural progressista do país vai ceder para dialogar com a massa de evangélicos pobres e conservadores que só cresce. Duvido também que os evangélicos, quando maioria, teremos maturidade suficiente para viver numa democracia pluralista.
Apreço pela liberdade alheia e preocupação com o bem comum nunca foi o nosso forte, como brasileiros. Torço para estar errado.