Florestan foi uma figura importantíssima para os estudos do racismo no Brasil, em uma época em que recém se começava a desmistificar o mito da democracia racial na sociedade brasileira. Foi um importante militante, político, constituinte em 88, e produziu uma coleção de obras de fôlego sobre as problemáticas de classes e desenvolvimento no país. Era, pois, um grande socialista.
Cheguei a este livro por ser um dos mais acessíveis de sua obra, e tinha a intenção de lê-lo como introdução ao restante de seus trabalhos sobre o racismo no Brasil. É um livro de ensaios, cartas e palestras, e assim, não tem a intenção de conformar um livro necessariamente coeso. Acredito que tenha, sim, seu valor - especialmente considerando o momento histórico vivido e as interlocuções de Florestan junto ao Movimento Negro para fazer uma pesquisa engajada. Apesar de coadunar com as análises estruturais por ele propostas, minha principal dificuldade é sobre como ele coloca no negro a necessidade de protestar, de expor o que vive em termos de racismo, de se manifestar, ao mesmo tempo em que fala sobre uma classe branca sem nunca colocar-se enquanto parte dela (claro, considerando as especificidades do lugar de onde ele vêm e sua origem lumpen, como ele mesmo coloca). Acredito que, contemporaneamente, seja difícil ler este escrito sem sentir falta de uma crítica da branquitude e sua posição no meio disso.